Mato Grosso do Sul, 9 de junho de 2026
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Polícia Federal mira esquema milionário e investiga empresas de Mato Grosso do Sul em operação contra crimes interestaduais

Ação atinge municípios sul-mato-grossenses e desarticula organização suspeita de atuar com contrabando, agrotóxicos ilegais, lavagem de dinheiro, falsificação de documentos e corrupção em diversos estados brasileiros
Operações Sicarius I e Sicarius II cumprem mais de 100 mandados em 7 estados da Federação
Operações Sicarius I e Sicarius II cumprem mais de 100 mandados em 7 estados da Federação

A Polícia Federal deflagrou uma ampla ofensiva contra uma organização criminosa apontada como uma das mais estruturadas do país no ramo de atividades ilícitas ligadas ao contrabando e à movimentação financeira irregular. A operação alcançou empresas instaladas em Mato Grosso do Sul e em diversos estados brasileiros, tendo como foco principal o combate a uma rede criminosa suspeita de atuar em diferentes frentes ilegais, incluindo contrabando de cigarros, importação clandestina de agrotóxicos, falsificação de documentos, adulteração de placas veiculares, lavagem de dinheiro e corrupção de agentes públicos.

Em Mato Grosso do Sul, as investigações chegaram aos municípios de Nova Andradina, Maracaju, Mundo Novo e Eldorado. As cidades passaram a integrar o mapa da operação devido a indícios levantados durante meses de investigação, que apontaram a possível utilização de empresas e estruturas comerciais ligadas ao esquema criminoso.

A ação faz parte das operações Sicarius I e Sicarius II, desenvolvidas de forma integrada por forças federais de fiscalização e investigação. O trabalho busca desmontar toda a cadeia operacional da organização, desde os responsáveis pelo transporte e distribuição dos produtos ilegais até os envolvidos na movimentação financeira dos recursos obtidos por meio das atividades criminosas.

Segundo as apurações, o grupo investigado mantinha uma estrutura considerada sofisticada, com divisão clara de funções entre seus integrantes. Havia responsáveis pela logística, pelo armazenamento de mercadorias, pela ocultação patrimonial, pela criação de empresas de fachada e pela movimentação financeira destinada a dificultar o rastreamento dos valores obtidos de forma ilícita.

As investigações indicam ainda que a organização utilizava pessoas conhecidas popularmente como “laranjas” para abrir empresas e movimentar recursos. O objetivo seria esconder a identidade dos verdadeiros beneficiários dos lucros provenientes das atividades criminosas.

A dimensão da operação pode ser medida pelo volume de medidas judiciais autorizadas pela Justiça Federal. Foram expedidos dezenas de mandados de prisão preventiva e temporária, além de mandados de busca e apreensão, bloqueios de contas bancárias, sequestro de bens, cancelamento de registros de pessoas físicas e jurídicas e determinações para abertura de procedimentos fiscais contra empresas investigadas.

As medidas atingem empresas espalhadas por várias regiões do país. Além de Mato Grosso do Sul, as investigações avançam sobre organizações e pessoas localizadas no Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Mato Grosso, Goiás, Alagoas, Pernambuco e Pará.

Os investigadores acreditam que o grupo movimentava valores expressivos por meio de atividades ilegais, utilizando mecanismos financeiros complexos para ocultar a origem do dinheiro. A suspeita é de que empresas aparentemente regulares fossem utilizadas para dar aparência de legalidade aos recursos obtidos com o contrabando e outros crimes.

Outro ponto que chamou a atenção das autoridades foi a diversidade de atividades ilícitas atribuídas à organização. Além do comércio clandestino de cigarros estrangeiros, o grupo também é investigado pela introdução irregular de agrotóxicos no mercado brasileiro, prática que representa risco à saúde pública, ao meio ambiente e ao setor produtivo nacional.

As investigações também apontam possíveis esquemas de falsificação documental e adulteração de placas de veículos utilizados para transporte de mercadorias ilegais. Essas práticas dificultariam a identificação dos responsáveis e permitiriam que cargas fossem deslocadas por diferentes estados sem despertar suspeitas imediatas.

As autoridades destacam que a atuação da organização ultrapassava fronteiras estaduais e apresentava características típicas de grupos criminosos altamente organizados, com capacidade de atuação simultânea em diversas regiões do país.

O nome das operações faz referência a um dos codinomes atribuídos ao suposto líder da organização criminosa investigada. A escolha reforça a linha de investigação que busca identificar toda a cadeia de comando do esquema e responsabilizar cada integrante de acordo com sua participação.

Em Mato Grosso do Sul, o cumprimento das medidas judiciais reforça a importância estratégica do estado nas rotas de fiscalização e combate ao crime organizado, especialmente devido à sua localização geográfica e à proximidade com áreas de fronteira utilizadas por organizações criminosas para movimentação de produtos ilegais.

As investigações continuam em andamento e novas fases da operação não estão descartadas. O material apreendido durante as buscas passará por análise detalhada para identificar possíveis conexões com outros grupos criminosos, ampliar a responsabilização dos envolvidos e fortalecer o conjunto de provas reunidas pelas autoridades.

O objetivo agora é aprofundar o rastreamento financeiro, identificar novos participantes do esquema e dimensionar o prejuízo causado aos cofres públicos e à economia formal ao longo dos anos de atuação da organização.

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