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Mato Grosso do Sul, 29 de maio de 2024
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Brasil bateu recorde de bois confinados em 2020, aponta censo

A edição do Censo DSM de Confinamento 2020 apontou que a pecuária brasileira bateu recorde do número de animais terminados em confinamento. De acordo com o levantamento, foram 6,2 milhões de cabeças engordadas em cocho, o que representou um aumento de 6% sobre o ano anterior, 2019. O assunto foi repercutido no Giro do Boi desta quinta, 18, em entrevista com o zootecnista Marcos Baruselli, gerente de confinamento da DSM.

“O censo foi ganhando força de uns cinco anos para cá, foi ganhando mais representatividade, mais confiabilidade, […] ganhou uma dimensão nacional. Nós conseguimos medir os pequenos, médios e grandes confinamentos do Brasil e chegamos neste número de 6,2 milhões de bois confinados em 2020, que é um número recorde. O Brasil até então não havia alcançado 6,2 milhões de bois confinados em um ano. E no ano de 2020, através do Censo DSM de Confinamento, feito por uma equipe multidisciplinar muito grande, nós conseguimos mapear 6,2 milhões de bois confinados”, confirmou o zootecnista.

O especialista analisou o crescimento da modalidade de engorda e disse que o setor deve celebrar a conquista. “A pecuária brasileira vem se intensificando. O confinamento […] está dentro daquele conceito de produzir mais com menos, de aumentar a produtividade das propriedades rurais brasileiras, de aumentar a produção de arrobas por hectare. A produção de mais arrobas por hectare tem uma correlação direta com a lucratividade da propriedade rural e o confinamento ajuda demais o produtor a girar (o estoque da) fazenda dele, a produzir mais arrobas em menor tempo e com menor área. Isso é muito importante, sim, é um número que há de se comemorar”, sustentou.

Confinamento de gado de corte no Brasil em 2020: 6% de crescimento sobre 2019.

Conforme adiantou Baruselli, o volume era esperado pois está dentro da média de crescimento do confinamento nos últimos anos. “O crescimento é expressivo, ele dá uma média de 6 a 7% de crescimento ao ano do sistema de confinamento no Brasil. É uma taxa de crescimento forte. A gente percebe que cada vez mais produtores rurais estão construindo instalações rurais para confinar o gado nas suas propriedades. A gente percebe também que existem produtores construindo o famoso boitel, que são confinamentos grandes para os quais os produtores podem encaminhar o seu gado para ser engordado lá. Existem vários modelos de boiteis no Brasil e são modelos de produção que crescem de forma significativa no Brasil”, observou.

O zootecnista comentou as vantagens para o pecuarista que usa o confinamento como sistema de engorda. “(Ele acaba) produzindo carcaças mais pesadas, com um maior rendimento de carcaça. Para você ter uma ideia, o rendimento de carcaça de um boi confinado gira em torno de 55% (contra uma média de 53% do boi a pasto). Ele come mais ração, ele ganha mais conformidade, mais massa muscular, mais acabamento de gordura, então é uma carcaça de melhor qualidade. Sem contar que reduz a idade de abate do animal, é um boi mais jovem, o chamado novilho precoce. A gente abatia animais de cinco anos e agora abate animais de 2 a 3 anos. […] O boi confinado chega a ganhar 1,7 kg por dia de peso, então se você prender ele 100 dias, você coloca 170 quilos no animal e ainda ganha em rendimento de carcaça. Isso é que torna a atividade lucrativa. Confinamento hoje está dando lucro para o pecuarista”, afirmou.

O especialista mencionou que o sistema de engorda casa com o regime de chuvas do Brasil, que conta com um período de seca definido. “O confinamento acelera o que o pasto não consegue fazer, principalmente na época da seca. Tem muito gado no Brasil que quando chega o período seco perde peso, chega a perder uma, duas arrobas de peso. E no preço que está a arroba hoje, você não pode deixar o animal perder duas arrobas – pelo contrário! O animal tem que ter uma curva de ganho ascendente desde o dia que ele nasce até o dia do abate dele. Então o confinamento é um modelo de produção muito interessante porque nessa fase final, quando o boi está com 400, 450 kg, você tira ele do pasto e traz para as baias de confinamento, oferece ração balanceada com aditivo, com minerais, com vitaminas e esse animal expressa elevado ganho de peso. Você acaba formando uma carcaça melhor, libera a fazenda, porque você alivia a pastagem bem no período da seca, que é o gargalo da produção animal, quando o capim fica fraco e a produtividade do pasto reduz violentamente. Então essa é a hora de tirar o animal do pasto e colocar nos confinamentos. Com isso, a produção de arrobas na fazenda aumenta de forma expressiva”, justificou.

Além do volume, entre os dados levantados pelo Censo DSM de Confinamento está também a regionalização deste crescimento da engorda em cocho. “A DSM, quando começou a mapear os bois confinados no Brasil, buscou saber onde estava a maior concentração de animais confinados. Hoje a gente destaca três estados brasileiros como sendo os maiores confinadores: Mato Grosso, Goiás e São Paulo. Em ordem, Mato Grosso assumiu a dianteira, é onde mais se confina boi no Brasil hoje, seguido de Goiás, que era o primeiro, e depois São Paulo. Nesses três estados é onde nós encontramos o maior número de confinamentos, mas destaco o Nordeste, Minas Gerais também, Mato Grosso do Sul, na Região Norte, em Rondônia hoje a gente encontra um número expressivo de bois confinados. Eu diria que é um sistema de produção que está disseminado por todo o Brasil”, constatou Baruselli.

Confinamento de gado no Brasil por região e estado: “sistema de produção está disseminado por todo o Brasil”, apontou Baruselli.

O gerente de confinamento da DSM disse que o aumento de bois confinados em 2020 superou a adversidade do aumento dos custos de produção por conta da valorização do boi gordo. “O último trimestre de 2020 foi quando o milho começou a subir. Nos outros três trimestres, o confinador ainda não havia se deparado com esse milho de R$ 80,00 a saca, como está hoje, até acima de R$ 80,00. Para esse ano, os custos de produção são sensivelmente maiores. A gente percebe hoje um bezerro muito caro, um boi magro muito caro, com ágio, e a ração.

Com o milho dobrando de preço, a ração ficou mais cara porque a ração do boi confinado no Brasil é muito rica em milho. […] Porém a arroba também está acima dos R$ 300,00, que é um caso inédito. A gente nunca teve arroba tão valorizada. Então aumentou o custo de produção, mas também aumentou a receita. Com a arroba a R$ 300,00, esse valor cobre os custos de produção e ainda deixa lucro para o confinador. O pecuarista ainda está no lucro”, enalteceu.

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