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Mato Grosso do Sul, 16 de abril de 2024
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De TDAH a TOC: os transtornos mentais mais comuns na infância e seus sinais

Romper com o forte estigma ainda existente sobre os transtornos mentais é outra barreira que também precisa ser superada pelos pais, que devem ter discernimento que o transtorno mental enfrentado pelo filho tem tratamento adequado
Imagem: Canva
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Dificuldades na escola, mudanças frequentes de humor, agressividade, perda de apetite e tentativas de automutilação são sinais que devem ligar o alerta nos pais. Segundo o Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), 75% dos transtornos mentais apresentam seu início na infância. O problema é que nem sempre essas doenças são identificadas e tratadas na idade correta, o que consequentemente faz os casos chegarem mais graves nos consultórios de psicólogos e psiquiatras.

Letícia Amici, médica da infância e adolescência do Hospital Israelita Albert Einstein, explica que o primeiro passo para identificar se o filho tem ou não um transtorno mental é acompanhar as características de seu desenvolvimento. Isso porque, se elas destoam da maioria das crianças, pode ser um indicativo de que precisam de ajuda.

“O quanto antes essas condições são identificadas, mais cedo é possível intervir adequadamente e mudar ou atenuar sintomas e desfechos associados às alterações. Não é incomum, inclusive, que uma patologia nessa fase possa ser fator de risco para manifestação de outras”, ressaltou a médica psiquiatra.

Romper com o forte estigma ainda existente sobre os transtornos mentais é outra barreira que também precisa ser superada pelos pais, que devem ter discernimento que o transtorno mental enfrentado pelo filho tem tratamento adequado.

“A família é de suma importância nesse processo, pois deve fazer a leitura do que o que filho quer dizer, mas não consegue”, apontou Carla de Cassia Carvalho Casado, pesquisadora e professora da Faculdade de Psicologia da UFPA (Universidade Federal do Pará).

Fatores de risco
Diversos fatores (biológicos, sociais e ambientais) podem contribuir para que uma criança tenha transtorno mental, sendo que, normalmente, crianças com pais que já têm o diagnóstico de alguma doença psíquica têm mais risco de ter algum transtorno mental na infância do que outras.

“Parte disso é explicado pela hereditariedade dos genes, mas há também a influência da convivência, dos modelos comportamentais, das crenças familiares compartilhadas, ou mesmo a exposição a outras situações de vulnerabilidade, como negligência ou violência”, explica Letícia Amici.

Rossano Cabral Lima, médico do grupo de trabalho sobre saúde mental da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), aponta que até mesmo o sexo da criança pode influenciar na prevalência de certos transtornos mentais. “Geralmente, nas meninas, predomina os chamados quadros emocionais, como alteração de afeto e humor. Ou seja, transtornos de ansiedade, de dificuldade de relaxar, de preocupação exagerada do desempenho. Mas também existe uma grande incidência de transtornos alimentares, como bulimia ou anorexia.”

Por outro lado, no caso dos meninos, a prevalência é de transtornos disruptivos, ligados à dificuldade de atenção e impulsividade, como TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e os chamados transtornos de condutas, nos quais o comportamento da criança vai a todo momento testando as regras e os limites do ambiente, seja da escola ou em casa, como TOD (Transtorno Desafiador Opositor).

Como forma de ajudar os pais a discernir se seu filho precisa de ajuda, o Pagina1news preparou um guia dos transtornos mentais mais comuns na infância, apresentando suas características, sintomas e principais métodos de tratamento. Confira:

Transtornos mentais mais comuns na infância

Ansiedade

Considerado um dos principais transtornos da infância, a ansiedade consiste em uma preocupação intensa e persistente sobre situações do cotidiano. Quando não tratada, a ansiedade pode levar a casos mais graves, como crises que exigem, em alguns casos, além de estratégias de psicoterapia, a implementação do tratamento medicamentoso.

Sintomas: estado de constate vigilância, medo de situações banais, dificuldade para dormir, preocupações excessivas, dores de cabeça, tonturas, isolamento social, pesadelos recorrentes, irritabilidade ou apatia e falta de motivação.

Depressão

Cada vez mais comum entre crianças e adolescentes, a depressão, normalmente, manifesta-se através de um quadro de desânimo e irritabilidade. Uma das principais dificuldades do diagnóstico desse transtorno mental em crianças é o fato de muitos pais confundirem os sintomas com birra ou mau humor, não procurando atendimento médico especializado.

Sintomas: tristeza em excesso, isolamento social, falta de ânimo, pensamentos de desvalia, alterações no sono ou apetite. São quadros que exigem avaliação criteriosa e avaliação de possíveis de riscos (como o de suicídio ou de autolesão) para o direcionamento do tratamento adequado.

TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade)

Neste transtorno, há um atraso do desenvolvimento de algumas regiões cerebrais, gerando sintomas como a dificuldade de concentração. Estima-se que entre 3 e 5% das crianças do mundo têm TDAH, sendo que a prevalência entre os parentes das crianças afetadas é de cerca de duas a dez vezes mais do que na população em geral.

Sintomas: dificuldade de concentração, dificuldade de realizar atividades que exijam esforço mental prolongado, inquietação e impulsividade. O tratamento consiste em terapias que auxiliem no desenvolvimento dessas habilidades e no uso de medicações específicas, como os psicoestimulantes.

TEA (Transtorno do Espectro Autista)

Caracterizado por uma trajetória do desenvolvimento atípica secundária a alterações na formação e nas conexões de regiões cerebrais. A criança com autismo passa a apresentar, em diversos níveis de gravidade, dificuldades na comunicação e na interação social, associados a padrões repetitivos de comportamentos, interesses e atividades, que demandam intervenções multidisciplinares, de acordo com a gravidade dos sintomas.

Sintomas: dificuldade para interagir socialmente, compreender gestos comunicativos, expressar as próprias emoções e até de se concentrar. Normalmente, o tratamento do TEA consiste em uma equipe multidisciplinar, envolvendo profissionais da psicologia, fonoaudiologia, psiquiatria, entre outros profissionais.

TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo)

É um transtorno mental caracterizado pela presença de comportamentos obsessivos ou compulsivos, como higienizar a mão frequentemente. Normalmente, esse transtorno tem grande relação com a ansiedade. Seu tratamento consiste em psicoterapia e, em casos mais graves, avaliação de um profissional da psiquiatria, para que este possa prescrever ou não medicamentos, na finalidade de diminuir a incidência das atitudes compulsivas.

Sintomas: medo de contaminação, o que gera efeito compulsivo de higienizar as mãos a todo momento, dúvidas excessivas seguidas de verificações, preocupação exagerada com ordem e simetria, compulsão por armazenar objetos sem utilidade e consequente dificuldade em descartá-los.

TOD (Transtorno Opositor Desafiante)

Como o próprio nome diz, o transtorno consiste em comportamentos em que a criança frequentemente se opõe e desafia autoridades, além de apresentar dificuldade para manejar a raiva e regular as emoções. Seu tratamento envolve o treinamento dos familiares com auxílio de estratégias terapêuticas. É um transtorno comum entre crianças de 6 e 12 anos.

Sintomas: criança que facilmente perde a paciência, que discute com adultos em posição de autoridade, desafia ativamente ou se recusa a obedecer às regras de adultos, ou culpa os outros pelos seus erros.

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