Mato Grosso do Sul vive um paradoxo: ao mesmo tempo em que ostenta um dos menores índices de desemprego do Brasil, com apenas 2,9% de desocupação, enfrenta a dificuldade de encontrar trabalhadores qualificados para preencher milhares de vagas disponíveis. Essa realidade, resultado direto da expansão econômica regional, foi o centro dos debates do 1º Fórum Estadual de Gestores do Trabalho, Emprego e Renda, realizado nos dias 5 e 6 de setembro, em Campo Grande, com a presença do governador Eduardo Riedel, secretários estaduais, representantes do Governo Federal e especialistas do setor.
O encontro discutiu os chamados “desafios do crescimento”, que surgem em cenários de pleno emprego e exigem políticas públicas assertivas para alcançar grupos que ainda estão à margem do mercado, em especial jovens com ensino médio incompleto e mães que não têm com quem deixar os filhos. “Quando investimos para resolver os problemas das pessoas, temos respostas imediatas. Esse é o esforço que precisamos fazer para transformar essas vagas em oportunidades reais para quem mais precisa”, afirmou o governador Eduardo Riedel na abertura do evento.
O secretário de Desenvolvimento, Jaime Verruck, destacou que os avanços do Estado só foram possíveis graças à articulação entre poder público e setor privado. Programas como o Voucher Transportador, que qualificou motoristas para atender à demanda das transportadoras, e o recém-lançado Voucher Qualificação, voltado a áreas como comércio, indústria, agro e construção civil, foram apresentados como exemplos de políticas inovadoras que unem formação e empregabilidade. Na nova etapa do programa, 88 cursos vão atender mais de 1,4 mil pessoas em 27 municípios, abrangendo setores estratégicos como tecnologia da informação, elétrica, alimentos e marcenaria.
O diretor do Departamento de Políticas Públicas de Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego, Tiago de Oliveira Motta, elogiou a condução das políticas estaduais e reforçou a importância de ações integradas. “O trabalhador não precisa apenas de qualificação, mas também de condições para ingressar no mercado. O que vemos em Mato Grosso do Sul está alinhado com a política nacional, que busca adensar a empregabilidade como um corpo único”, destacou.

O desafio, entretanto, vai além da formação técnica. Segundo Motta, jovens sem escolarização adequada e mães sem suporte social permanecem excluídos do mercado, o que exige políticas transversais. “Se o poder público não oferece creche, por exemplo, essas mulheres acabam alijadas do trabalho formal. É preciso garantir condições para que elas possam competir em igualdade de oportunidades”, alertou.
Os indicadores de Mato Grosso do Sul comprovam o impacto das políticas adotadas. Além da baixa taxa de desemprego, o Estado apresenta apenas 11% de trabalhadores em condição de subocupação, índice inferior à média nacional. Para o secretário Jaime Verruck, o cenário é resultado direto de estratégias conjuntas que unem qualificação, parcerias institucionais e incentivo ao setor produtivo. “Tínhamos demanda, tínhamos oferta de empregos e tínhamos disposição para ajudar as pessoas. Essa união é o que tem garantido resultados concretos”, avaliou.
A meta do governo estadual é ampliar a presença de jovens e mulheres no mercado de trabalho, consolidando uma base sólida de mão de obra para sustentar o ritmo acelerado de crescimento econômico. Para especialistas, essa integração pode transformar os desafios do pleno emprego em oportunidades de desenvolvimento social, reduzindo desigualdades e promovendo inclusão de grupos vulneráveis.
Ao final do Fórum, ficou clara a mensagem de que a continuidade da prosperidade econômica do Estado depende não apenas de investimentos privados e da expansão produtiva, mas principalmente da capacidade de incluir todos os cidadãos no mercado de trabalho. A aposta em políticas inovadoras, voltadas a quem historicamente ficou de fora, representa não apenas uma solução emergencial, mas uma estratégia para consolidar Mato Grosso do Sul como referência nacional em empregabilidade.
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