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Mato Grosso do Sul, 22 de maio de 2024
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Termina o prazo dado por Israel para que civis deixem o norte da Faixa de Gaza

Hamas diz para moradores em Gaza não deixarem suas casas

Chegou ao fim o prazo de 24 horas estabelecido por Israel para que 1,1 milhão de civis no norte da Faixa de Gaza deixem o local em direção ao sul do enclave.

A ordem dada pelo Exército de Israel aumentou o receio dos palestinos de que uma ofensiva terrestre israelense contra a área ocorra em breve. Tanques militares israelenses se posicionando próximos à fronteira entre Israel e Gaza.

“As Forças de Defesa de Israel [FDI] pedem a evacuação de todos os civis da Cidade de Gaza de suas casas ao sul para sua própria segurança e proteção e mudança para a área ao sul de Wadi Gaza”, disseram em um comunicado.

Na declaração, os militares destacaram que os civis poderão regressar ao norte de Gaza “apenas quando for feito outro anúncio permitindo”.

O Exército de Israel alega que os membros do grupo radical islâmico Hamas estão escondidos em Gaza usando civis como “escudos humanos”.

O Hamas disse nesta sexta-feira aos palestinos que vivem na Faixa de Gaza para não saírem de suas casas, de acordo com um comunicado enviado a veículos de imprensa.

O grupo radical islâmico, que governa o território, acusou Israel de se envolver em uma “guerra psicológica” ao enviar mensagens que diziam aos civis palestinos e aos funcionários de organizações internacionais para evacuarem em direção ao sul.

“A ocupação está tentando espalhar e fazer circular propaganda falsa por vários meios, com o objetivo de criar confusão entre os cidadãos e minar a estabilidade da nossa frente interna”, afirma o comunicado, referindo-se a Israel.

Funcionários de “instituições internacionais” permaneceram nos seus postos e não foram evacuados, segundo a nota do Hamas.

Anteriormente, Salama Marouf, chefe do gabinete de comunicação social do governo do Hamas, pontuou que o aviso de realocação é uma tentativa de Israel “de difundir e transmitir propaganda falsa, com o objetivo de semear confusão entre os cidadãos e prejudicar a nossa coesão interna”.

“Pedimos aos nossos cidadãos que não se envolvam nestas tentativas”, acrescentou.

Brasileiros abrigados em escola

Os 19 brasileiros que estão abrigados em um escola no norte de Gaza vão passar a noite no local. Coordenadores da missão que levará o grupo para a região sul avaliaram que é mais seguro fazer o trajeto durante o dia, segundo relataram fontes diplomáticas.

O ônibus fretado pelo governo brasileiro para fazer o deslocamento já está a postos. Mas sofreu atraso no trajeto até a escola porque precisou fazer um caminho alternativo, visto que a via principal de Gaza foi bombardeada.

O número de brasileiros abrigados na escola aumentou para 19 após Israel dar 24 horas para que civis deixem o norte de Gaza. São 11 crianças, cinco mulheres e três homens. Apenas dez, no entanto, fazem parte dos que desejam ser repatriados ao Brasil. Os outros nove só buscam refúgio e já informaram que preferem seguir em Gaza.

“Sentença de morte”

Por volta das 16h (no horário de Brasília) desta sexta-feira, Israel deu um ultimato ao hospital Al Awda, em Gaza, para que o local fosse esvaziado em duas horas. A informação é da organização Médicos Sem Fronteiras (MSF).

O hospital, um dos vários que o Médicos Sem Fronteiras apoia em Gaza, “ainda estava tratando dos pacientes” ao receber o anúncio, disse o grupo de ajuda médica.

“Condenamos inequivocamente esta ação, o contínuo derramamento de sangue indiscriminado e os ataques aos cuidados de saúde em Gaza”, acrescentou a organização. “Estamos tentando proteger nossos funcionários e pacientes”.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta sexta-feira que as autoridades locais de saúde em Gaza informaram que é impossível retirar pacientes hospitalares do norte da Faixa de Gaza.

“Há pessoas gravemente doentes, cujos ferimentos significam que sua única chance de sobrevivência é estar sob suporte de vida, como ventiladores mecânicos”, disse o porta-voz da OMS, Tarik Jasarevic. “Portanto, transportar essas pessoas é uma sentença de morte. Pedir aos profissionais de saúde que façam isso é muito cruel.”

“Consequências humanitárias devastadoras”

A Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou que é “impossível” que a evacuação seja feita “sem consequências humanitárias devastadoras”.

“As Nações Unidas apelam veementemente para que qualquer ordem deste tipo, se confirmada, seja cancelada, evitando o que poderia transformar o que já é uma tragédia em situação calamitosa”, alertou o porta-voz da ONU, Stephane Dujarric, em comunicado.

Dujarric também ressaltou que a ordem dos militares israelenses também se aplica a todos os funcionários da ONU e àqueles abrigados nas instalações da organização, incluindo escolas, centros de saúde e clínicas.

O embaixador de Israel na ONU, Gilad Erdan, disse que a resposta ONU é “vergonhosa”, e que a Organização deveria se concentrar em condenar o Hamas.

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