Mato Grosso do Sul, 15 de junho de 2026
Campo Grande/MS: Carregando...

Eja Mulher transforma realidades e abre caminhos de autonomia para mulheres em Mato Grosso do Sul

Projeto escolar oferece acolhimento, formação e novas oportunidades para mulheres em vulnerabilidade social em Campo Grande
Lucinéia, ao lado do filho (Foto: Ewerton Pereira/Secom)
Lucinéia, ao lado do filho (Foto: Ewerton Pereira/Secom)

A educação tem sido uma das ferramentas mais consistentes para enfrentar desigualdades históricas e romper ciclos de vulnerabilidade. Em Campo Grande, o Eja Mulher se consolidou como uma iniciativa capaz de devolver dignidade, fortalecer vidas e criar novas perspectivas para mulheres que, por diferentes motivos, interromperam sua trajetória escolar. Com uma proposta estruturada, acolhedora e orientada para a autonomia, o programa se tornou referência na oferta de ensino voltado exclusivamente ao público feminino que enfrenta desafios sociais, econômicos e familiares.

O Eja Mulher surgiu em 2024 como um projeto piloto destinado a atender jovens e adultas que buscavam retomar seus estudos na educação básica. A proposta ultrapassa a sala de aula e incorpora dimensões sociais, afetivas e profissionais, compreendendo que muitas dessas mulheres convivem com sobrecarga de responsabilidades e, em alguns casos, com situações marcadas por violência doméstica ou abandono. O programa organiza seus conteúdos considerando essas realidades e atua com um olhar sensível às histórias de vida de cada estudante.

Em 2025, o projeto alcança 145 mulheres distribuídas em turmas nas escolas estaduais Marçal de Souza Tupã-Y, José Ferreira Barbosa e Vereador Cristóvão Silveira. Esta última, localizada no Jardim Noroeste, se tornou símbolo do acolhimento e da reconstrução de trajetórias. Conhecida como Escola do Amor e do Acolhimento, a instituição reúne cinco turmas do Eja Mulher e integra formação geral básica com qualificação profissional, ampliando as oportunidades de inserção no mercado de trabalho.

A rotina pedagógica é conduzida por profissionais que compreendem que aprender exige acompanhamento cuidadoso, escuta ativa e respeito às particularidades de quem retorna aos estudos depois de anos afastada do ambiente escolar. É comum que essas mulheres carreguem responsabilidades familiares intensas, dificuldades financeiras e experiências traumáticas. Mesmo assim, encontram na escola um espaço onde podem reconstruir seus projetos pessoais com segurança e apoio.

Entre as histórias que se destacam está a de Beatriz Resende de Barros, de 26 anos, que decidiu voltar a estudar após o nascimento dos filhos Anthony e Yrian. A imagem da jovem mãe acompanhada do carrinho de bebê dentro da sala de aula ilustra simbolicamente a proposta do programa: a escola se ajusta às necessidades das mulheres, e não o contrário. A possibilidade de permanecer com a filha mais nova durante as aulas e contar com a brinquedoteca para o filho mais velho permitiu a Beatriz retomar um sonho interrompido. A ex-participante de olimpíadas de matemática agora planeja concluir o ensino médio e ingressar em Engenharia Civil.

Outra história que traduz a essência do Eja Mulher é a de Lucinéia Procópio, de 38 anos, moradora do Jardim Noroeste e mãe de três filhos. Após sucessivas tentativas frustradas de retornar aos estudos devido ao custo e à falta de suporte familiar, encontrou no programa a chance que esperava. A tranquilidade de saber que seu filho de seis anos está seguro, alimentado e acompanhado por profissionais enquanto ela estuda se tornou decisiva para sua permanência. Lucinéia trabalha como cuidadora de idosos, cursa o 8º e 9º ano do Ensino Fundamental e sonha em estudar Agronomia. Sua fala evidencia a força que move tantas mulheres que retornam à escola mesmo diante de obstáculos diários.

A história de Joanice Lopes Miranda, de 51 anos, reforça a importância da iniciativa. Após mais de uma década sem estudar, decidiu se mudar para o Jardim Noroeste para frequentar a Escola Vereador Cristóvão Silveira. A oportunidade de concluir os estudos reacendeu expectativas e fortaleceu laços familiares. Para ela, a experiência representa sonho, realização e conquista, mostrando que o retorno ao ambiente escolar pode reviver esperanças e renovar identidades.

O trabalho pedagógico do Eja Mulher é organizado de modo a integrar conhecimentos, experiências e tempos de aprendizagem. O currículo abrange Linguagens, Matemática, Ciências Humanas e Ciências da Natureza, além da oferta de qualificação profissional em algumas unidades. As metodologias adotadas respeitam a vivência adulta, valorizam saberes prévios e promovem aprendizagens contextualizadas com o cotidiano das estudantes.

Um dos diferenciais que contribui diretamente para a permanência das alunas é a sala de acolhimento. O espaço funciona como uma brinquedoteca voltada aos filhos das estudantes durante o período noturno. Ali, as crianças participam de atividades lúdicas, educativas e recreativas acompanhadas por profissionais especializados. Esse suporte reduz significativamente a evasão escolar e garante tranquilidade para que as mulheres participem das aulas sem preocupações com o cuidado dos filhos.

Além de oferecer formação escolar, o Eja Mulher cumpre papel social ao fortalecer a autoestima e estimular a autonomia das estudantes. Muitas delas relatam que, ao retornar aos estudos, recuperaram a confiança em si mesmas, encontraram apoio emocional e se sentiram valorizadas pela primeira vez em muitos anos. A escola se torna um espaço onde elas são vistas, escutadas e respeitadas, o que potencializa suas capacidades e amplia suas perspectivas de futuro.

A proposta consolida a educação como ferramenta de equidade de gênero e de transformação social. Ao possibilitar que mulheres em situação de vulnerabilidade tenham acesso a ensino, acolhimento e qualificação, o Eja Mulher contribui para reduzir desigualdades e garantir que cada aluna possa reconstruir sua trajetória. Na Escola do Amor e do Acolhimento, os resultados são percebidos não apenas nas salas de aula, mas na vida de cada mulher que retoma seus sonhos e reencontra sua própria voz.

#EjaMulher #EducaçãoTransforma #ForçaFeminina #AutonomiaPelaEducação #CampoGrandeMS #InclusãoSocial #JovensEAdultos #OportunidadesReais #AcolhimentoESuperação #HistóriasQueInspiram

Suas preferências de cookies

Usamos cookies para otimizar nosso site e coletar estatísticas de uso.