Mato Grosso do Sul, 3 de junho de 2026
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Ministro da Justiça demite policial federal envolvido na execução do Playboy da Mansão em Campo Grande

Decisão oficial fundamentada em ato de improbidade administrativa encerra vínculo funcional de agente condenado por integrar rede criminosa e fornecer dados sigilosos para homicídio
Atirador ainda de capacete disparando nas costas de Marcel (Foto: Reprodução)
Atirador ainda de capacete disparando nas costas de Marcel (Foto: Reprodução)

O Governo Federal oficializou nesta semana a demissão de Everaldo Monteiro de Assis dos quadros da Polícia Federal, após a conclusão de processos administrativos que apuraram sua conduta em crimes de extrema gravidade no Mato Grosso do Sul. O ato assinado pelo Ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, foi publicado no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, confirmando que o agora ex-policial utilizou sua posição privilegiada no aparato de segurança do estado para colaborar com uma organização criminosa. A decisão administrativa baseia-se na constatação de que o servidor se prevaleceu abusivamente de sua condição para praticar atos de improbidade, desonrando a farda e a confiança pública depositada na instituição.

A demissão é um desdobramento direto da condenação de Everaldo por sua participação ativa no assassinato de Marcel Colombo, figura que ficou conhecida na capital sul-mato-grossense pelo apelido de Playboy da Mansão. O crime, ocorrido em outubro de dois mil e dezoito, chocou a opinião pública pela frieza da execução em plena via pública, dentro de uma cachaçaria localizada na Avenida Fernando Corrêa da Costa. Segundo as investigações detalhadas ao longo dos últimos anos, o ex-agente federal atuava como um informante estratégico para o grupo de extermínio, fornecendo dados sigilosos e monitorando a rotina da vítima para garantir que os executores tivessem êxito na emboscada fatal.

O desfecho jurídico para o ex-policial tornou-se ainda mais severo no final do ano passado, quando o Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul revisou as penas impostas aos envolvidos no caso. Em outubro de dois mil e vinte cinco, exatos sete anos após o homicídio, a justiça estadual decidiu dobrar a sentença de Everaldo Monteiro de Assis, elevando sua punição de oito para dezesseis anos de reclusão. O colegiado de magistrados entendeu que o grau de culpabilidade do servidor era elevado, uma vez que sua função deveria ser o combate ao crime, e não o acobertamento de atividades de pistolagem e o vazamento de informações extraídas de sistemas restritos de segurança.

A motivação por trás da execução de Marcel Colombo remete a desentendimentos fúteis ocorridos anos antes em casas noturnas de luxo na capital, envolvendo disputas de ego e agressões físicas. Na noite do crime, o alvo principal foi atingido por disparos de arma de fogo à queima-roupa, enquanto uma segunda pessoa que estava no local também acabou ferida pelos estilhaços. A arma utilizada no atentado foi posteriormente ocultada por comparsas da rede criminosa, enquanto o suposto executor material dos disparos permanece foragido do sistema de justiça até os dias atuais, sendo um dos nomes mais procurados pelas autoridades do estado.

O processo administrativo que culminou na demissão de Everaldo destacou que a conduta do agente feriu de morte os princípios da moralidade e da legalidade que regem o serviço público federal. Ao se tornar um braço de inteligência para criminosos, o ex-policial comprometeu investigações em curso e colocou em risco a vida de cidadãos. A medida de expulsão dos quadros da corporação é vista como uma resposta necessária para preservar a integridade da Polícia Federal e demonstrar que desvios de conduta desse porte não são tolerados pela administração central, independentemente do tempo decorrido desde o fato gerador.

Com a publicação da demissão, Everaldo Monteiro de Assis perde todos os benefícios e prerrogativas inerentes ao cargo que ocupava, devendo cumprir sua pena em regime fechado conforme determinado pelas instâncias superiores do judiciário. O caso de Marcel Colombo serve como um divisor de águas na segurança pública do Mato Grosso do Sul, evidenciando a necessidade de mecanismos mais rigorosos de controle interno para evitar que agentes da lei utilizem o poder do estado para servir a interesses escusos. A sociedade campo-grandense acompanha agora o fechamento deste capítulo, esperando que a punição exemplar sirva de desestímulo para qualquer tentativa de corrupção dentro das forças de elite da polícia brasileira.

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