O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, passou a primeira noite detido no Presídio Estadual Militar após ser preso pelo homicídio do fiscal tributário estadual Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. O caso, registrado na tarde de terça-feira, mobilizou forças de segurança e abriu uma investigação que apura as circunstâncias do crime.
Após os disparos, o ex-prefeito se apresentou voluntariamente na delegacia, onde permaneceu por várias horas prestando depoimento. Na sequência, foi submetido a exames no Instituto Médico Legal e, sob escolta, conduzido ao presídio localizado na região do Jardim Noroeste. Por possuir registro como advogado, ele foi acomodado em sala de Estado Maior, conforme previsto na legislação.
A audiência de custódia está prevista para ocorrer nesta quarta-feira, momento em que a Justiça vai analisar a legalidade da prisão e decidir se o investigado permanecerá detido ou responderá ao processo em liberdade. A Polícia Civil já solicitou a conversão da prisão em preventiva, apontando a gravidade do crime e as circunstâncias apresentadas no local.
O episódio ocorreu em um imóvel localizado na Avenida Antônio Maria Coelho, área central da cidade. A residência, que anteriormente pertencia ao ex-prefeito, havia sido leiloada após pendências financeiras e adquirida pela vítima no ano de 2025. No dia do crime, o novo proprietário foi até o local acompanhado de um chaveiro, com o objetivo de acessar o imóvel e tomar posse.
De acordo com as informações levantadas, a situação evoluiu rapidamente para um confronto. O ex-prefeito teria chegado armado ao local e iniciado uma discussão na área da garagem. Em seguida, efetuou disparos que atingiram a vítima no abdômen e nas costas. O Corpo de Bombeiros foi acionado, mas o servidor não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local.
O caso foi registrado como homicídio qualificado, com agravantes relacionados à forma como o crime foi executado. A investigação considera elementos como possível emboscada e ausência de chance de defesa por parte da vítima, o que será analisado ao longo do inquérito.
Uma testemunha fundamental para a apuração é o chaveiro que acompanhava o fiscal tributário. Em depoimento, ele relatou que foi contratado para abrir o imóvel e que chegou ao local no início da tarde. Segundo sua versão, ambos acessaram a residência quando foram surpreendidos pela chegada do ex-prefeito, já armado.
O relato aponta que a abordagem foi imediata e marcada por tensão. A testemunha afirma que não houve tempo para explicações por parte da vítima, que teria sido atingida logo após o início da discussão. O chaveiro também relatou que foi ameaçado e ordenado a se deitar no chão, o que o levou a temer pela própria vida.
Após conseguir deixar o local, a testemunha buscou ajuda e acionou familiares, que comunicaram as autoridades. Minutos depois, equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros chegaram à residência, onde encontraram a vítima já sem vida.
Imagens preliminares anexadas à investigação indicam que o ex-prefeito entrou no imóvel portando arma de fogo, o que reforça a linha de apuração sobre a dinâmica do crime. A perícia técnica também realizou levantamentos no local para reconstruir a sequência dos fatos.
A defesa do ex-prefeito sustenta que ele agiu em legítima defesa, alegando que teria sido ameaçado e agredido no momento da ocorrência. Segundo essa versão, a reação ocorreu diante de uma situação considerada de risco. Esse argumento será analisado no decorrer do processo, confrontado com depoimentos e provas reunidas.
O caso ganhou repercussão pela gravidade e pelo envolvimento de uma figura pública com histórico na política local. A investigação segue em andamento, com coleta de novos depoimentos e análise de evidências para esclarecer todos os detalhes do ocorrido.
A decisão da Justiça na audiência de custódia será o próximo passo do processo, podendo definir os rumos imediatos da situação jurídica do ex-prefeito. Enquanto isso, o inquérito policial continua para consolidar os elementos que irão sustentar eventual denúncia formal.
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