O presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarcou em Angra dos Reis (RJ) nesta segunda-feira (17) para um evento que pode marcar um novo capítulo da indústria naval brasileira. Com discurso inflamado e promessas de avanço no setor, Lula acompanhou os anúncios da Petrobras e da Transpetro sobre a ampliação da frota de navios gaseiros e o reaproveitamento de plataformas de petróleo. O evento ocorreu no Terminal da Transpetro, reunindo ministros, empresários e trabalhadores do setor.
“Não tem sentido um país como o Brasil, com um litoral gigantesco, não ter uma indústria naval forte e competitiva. A gente já viu esse filme antes, e agora vamos reconstruir o que destruíram”, afirmou Lula, em referência ao sucateamento da indústria naval nos últimos anos.
MAIS NAVIOS, MAIS EMPREGOS
O grande destaque do evento foi o lançamento da licitação para a construção de oito novos navios gaseiros, aumentando a frota da Transpetro de seis para 14 embarcações. Com isso, a capacidade de transporte de gás liquefeito de petróleo (GLP) e derivados triplicará, saltando de 36 mil para 108 mil metros cúbicos.
A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, enfatizou a importância dessa expansão: “Estamos renovando e ampliando a frota para atender o crescimento da produção de gás natural no Brasil. Isso significa menos dependência de afretamentos internacionais e mais autonomia para nossa indústria”.
Os navios serão construídos em dois lotes, divididos entre estaleiros diferentes. O primeiro lote inclui cinco embarcações pressurizadas, enquanto o segundo terá três navios semirefrigerados, capazes de transportar também amônia, um diferencial estratégico para o setor. As empresas interessadas têm 90 dias para apresentar propostas, e a previsão é que o primeiro navio fique pronto em 30 meses, com os demais sendo entregues a cada seis meses.
REAPROVEITAMENTO DE PLATAFORMAS: UMA ALTERNATIVA SUSTENTÁVEL
Outro ponto alto do evento foi a assinatura de protocolos de intenções para o reaproveitamento de plataformas da Petrobras que seriam desativadas. A proposta, que faz parte dos compromissos ambientais da estatal, busca dar nova utilidade a unidades que ainda podem ser aproveitadas, reduzindo custos e impactos ambientais.
O presidente da Transpetro, Sérgio Bacci, destacou que o reaproveitamento das plataformas está alinhado com o Plano de Negócios da Petrobras 2025-2029, que prevê a desmobilização de 10 unidades até 2029. “Antes de desmontarmos essas estruturas, vamos analisar se elas podem ser reformadas e reaproveitadas, gerando economia e novos empregos”, explicou.
O protocolo foi assinado por entidades da indústria, como o Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (SINAVAL) e o Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás Natural (IBP).
FEIRA DE NEGÓCIOS E PERSPECTIVAS PARA O FUTURO
Durante o evento, também foi realizada a “Feira de Negócios da Indústria Naval e Offshore Brasileira”, reunindo investidores, representantes da cadeia produtiva e autoridades do setor. A ideia é atrair investimentos e estimular a retomada da construção naval no Brasil.
Com a ampliação da frota de navios, o reaproveitamento de plataformas e o incentivo à indústria, o governo espera impulsionar a geração de empregos, reduzir custos logísticos e fortalecer a posição estratégica do Brasil no setor de petróleo e gás.
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