Mato Grosso do Sul, 6 de julho de 2026
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Comércio varejista atinge maior nível da história em março e reforça retomada do consumo no país

Pesquisa do IBGE aponta crescimento amplo e disseminado no setor varejista, com destaque para livros, informática e produtos farmacêuticos
As vendas no comércio varejista superaram o recorde anterior, alcançado em fevereiro de 2025
As vendas no comércio varejista superaram o recorde anterior, alcançado em fevereiro de 2025

O comércio varejista brasileiro alcançou, no mês de março de 2025, o mais alto patamar de vendas desde o início da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), iniciada em janeiro de 2000. Com crescimento de 0,8% na comparação com fevereiro, o setor bateu o recorde anterior registrado justamente no mês anterior, sinalizando um momento robusto e consolidado da retomada do consumo no Brasil.

O dado foi divulgado nesta quinta-feira, 15 de maio, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e representa a terceira taxa positiva consecutiva. Com esse desempenho, o índice de média móvel trimestral do comércio varejista avançou 0,6%, após já ter registrado 0,3% no trimestre encerrado em fevereiro. Segundo os analistas do instituto, o que mais chama atenção no resultado de março é a distribuição homogênea de crescimento entre os setores pesquisados.

“Seis das oito atividades mostraram expansão, incluindo aquelas com maior peso na estrutura do varejo, como as farmácias e os hiper e supermercados”, explica o gerente da pesquisa, Cristiano Santos. Ele ressalta que os hiper e supermercados vêm retomando protagonismo, com especial destaque em fevereiro, quando apresentaram alta de 1,2%.

Entre os setores que mais se destacaram em março estão o de livros, jornais, revistas e papelaria, com expressivo avanço de 28,2%, e o de equipamentos e material para escritório, informática e comunicação, que cresceu 3%. No primeiro caso, o crescimento, segundo Cristiano, se deu pelo deslocamento do calendário escolar, que postergou a aquisição de livros didáticos, tradicionalmente registrada em fevereiro, para o mês seguinte.

“A venda de livros didáticos depende do fechamento de contratos com escolas e redes de ensino. Neste ano, houve uma defasagem por conta de ajustes no calendário acadêmico, o que empurrou essas compras para março”, detalha o pesquisador.

Já o setor de informática e comunicação, que possui forte correlação com o câmbio, foi afetado pela volatilidade do dólar. “Como o setor depende da importação de componentes e produtos finais, houve um comportamento de retração em fevereiro, seguido de recuperação em março, quando as empresas buscaram oportunidades mais favoráveis para renovação de estoques”, observa Santos.

Além desses, os segmentos de outros artigos de uso pessoal e doméstico (1,5%), artigos farmacêuticos, médicos, ortopédicos e de perfumaria (1,2%), tecidos, vestuário e calçados (1,2%) e hiper e supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (0,4%) também apresentaram desempenho positivo no mês.

Contudo, nem todos os setores avançaram. Dois dos oito grupos pesquisados tiveram retração: móveis e eletrodomésticos (-0,4%) e combustíveis e lubrificantes (-2,1%). No caso dos combustíveis, Cristiano aponta que a queda foi um “rebatimento” dos crescimentos registrados nos meses anteriores, combinada com uma menor demanda registrada no período.

No chamado comércio varejista ampliado, que inclui veículos, motos, partes e peças, além de materiais de construção, o crescimento foi ainda mais expressivo: 1,9% frente a fevereiro. Os destaques nesse recorte foram o setor de veículos (1,7%) e o de materiais de construção (0,6%).

Apesar dos bons números na margem mensal, a comparação interanual mostra um cenário mais cauteloso. Frente a março de 2024, o volume de vendas no comércio varejista geral recuou 1%, com cinco das oito atividades apresentando variações negativas. Entre elas, livros e papelaria (-6,9%), outros artigos de uso pessoal (-6,3%), informática e comunicação (-2,1%), hiper e supermercados (-1,4%) e combustíveis (-0,8%).

Essa queda em relação ao ano anterior, especialmente no setor de livros e papelaria, mesmo com o crescimento recente, tem explicação estrutural. “Essa é uma atividade em declínio contínuo nos últimos anos, reflexo da migração para formatos digitais e da diminuição da demanda por produtos físicos, como livros impressos”, contextualiza Cristiano Santos. A comparação desfavorável com março de 2024 ocorre mesmo após o pico registrado em março deste ano.

Por outro lado, três setores tiveram crescimento em relação a março do ano anterior: móveis e eletrodomésticos (3,3%), artigos farmacêuticos e de perfumaria (2,1%) e tecidos e vestuário (1,4%). Já no comércio varejista ampliado, a retração interanual foi de 1,2%, impactada pelos recuos nos setores de veículos (-2,2%) e atacado especializado em alimentos e bebidas (-3,6%). A exceção foi o setor de material de construção, que registrou alta de 5,2%.

A Pesquisa Mensal de Comércio do IBGE é uma das mais relevantes ferramentas estatísticas para medir o desempenho do consumo no Brasil. Produz indicadores do volume de vendas e da receita nominal com base em informações prestadas por empresas com 20 ou mais empregados no setor varejista formal. Os dados são analisados tanto em âmbito nacional quanto por unidade da federação, permitindo uma visão detalhada das dinâmicas regionais.

A próxima divulgação da PMC está prevista para o dia 12 de junho, quando serão conhecidos os números referentes ao mês de abril. A expectativa é de que os resultados continuem refletindo a recuperação gradual da confiança do consumidor, impulsionada por estabilidade inflacionária, melhora no mercado de trabalho e programas de estímulo ao crédito.

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