O Brasil, maior exportador mundial de carne de frango, intensifica suas articulações diplomáticas e técnicas para recuperar um dos principais mercados de destino do seu produto. Após a suspensão imposta pela União Europeia em maio deste ano devido à detecção de um foco isolado de Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP) em uma granja no município de Montenegro, no estado do Rio Grande do Sul, o governo federal busca agora o reconhecimento formal de que o país mantém condições sanitárias seguras e controladas para exportação.
Na manhã desta quinta-feira, 10 de julho, o ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, liderou uma reunião virtual com o comissário europeu de Saúde e Bem-Estar Animal, Olivér Várhelyi. O objetivo principal do encontro foi solicitar oficialmente a reabilitação sanitária do Brasil no que se refere à gripe aviária, pleiteando a imediata retomada das exportações de carne de frango ao bloco europeu.
Durante a reunião, o ministro reiterou que o caso detectado em Montenegro foi um episódio pontual, rapidamente identificado e contido por meio de ações rigorosas de biossegurança, não afetando a integridade do sistema nacional de vigilância e controle sanitário. Carlos Fávaro destacou que o episódio não comprometeu o status sanitário do país de forma generalizada, uma vez que o foco foi rapidamente isolado e nenhuma disseminação da doença foi registrada em outras regiões.
A suspensão das importações brasileiras por parte da União Europeia ocorreu no dia 16 de maio, conforme previsto em acordo sanitário firmado entre as partes, que exige a suspensão automática diante da detecção da doença em plantéis comerciais. Desde então, o governo brasileiro tem mobilizado esforços técnicos e diplomáticos para apresentar os dados exigidos e reverter a medida, com o apoio de entidades representativas do setor avícola.
Segundo nota oficial divulgada pelo Ministério da Agricultura, o comissário europeu solicitou o envio de informações complementares sobre o plano de vigilância sanitária do Brasil, incluindo relatórios técnicos detalhados, que devem ser encaminhados nos próximos dias. O encontro, de acordo com o ministério, teve caráter construtivo e foi marcado por um espírito de cooperação mútua, com a intenção de encontrar um caminho viável para a retomada dos embarques.
“Saio satisfeito com os encaminhamentos da reunião e confiante de que, com o envio das informações complementares solicitadas, o Brasil terá seu status sanitário devidamente reconhecido pela União Europeia, permitindo a retomada plena das exportações de carne de frango”, afirmou o ministro Fávaro ao final da videoconferência.
Além do ministro, participaram do encontro o secretário de Defesa Agropecuária, Carlos Goulart, o secretário adjunto Allan Alvarenga, o secretário de Comércio Exterior e Relações Internacionais, Marcel Moreira, o diretor do Departamento de Saúde Animal da SDA, Marcelo Mota, a chefe da Assessoria Especial de Comunicação Social do Mapa, Carla Madeira, e o adido agrícola do Brasil na União Europeia, Glauco Bertoldo.
Por parte da União Europeia, o comissário Olivér Várhelyi reconheceu a prontidão e a transparência das autoridades brasileiras no tratamento do episódio. “Trata-se de um procedimento técnico, que precisa ser seguido com base em nossos regulamentos, que inclusive vão além dos parâmetros estabelecidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA)”, declarou Várhelyi, referindo-se à necessidade de avaliação documental antes da liberação dos embarques.
O episódio em questão levou a um impacto imediato nas exportações brasileiras, mas, segundo o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin, os danos foram bem menores do que o inicialmente previsto. Em nota, ele afirmou que o desempenho do setor em maio e junho demonstrou resiliência, mesmo diante da suspensão europeia. “Com a autodeclaração de livre de Influenza Aviária apresentada pelo Brasil junto à OMSA, diversos países já retomaram as importações, e esperamos uma retomada plena neste segundo semestre”, disse Santin.
Filipinas, Singapura e África do Sul já reabriram seus mercados à carne de frango brasileira nos últimos dias, sinalizando confiança nas medidas adotadas pelo país. A expectativa agora recai sobre o bloco europeu, que historicamente representa uma fatia relevante das exportações do setor avícola nacional.
O Brasil mantém um dos sistemas de vigilância sanitária animal mais robustos do mundo, com monitoramento permanente e protocolos de biossegurança amplamente reconhecidos. Desde os primeiros sinais da ameaça da gripe aviária no continente americano, o governo federal intensificou as ações preventivas em pontos estratégicos, como granjas comerciais, criadouros de aves migratórias e regiões de fronteira.
Segundo dados do Mapa, a rápida contenção do foco em Montenegro evitou que a doença se espalhasse, permitindo ao país preservar sua imagem internacional como fornecedor seguro de proteína animal. O setor de carnes é um dos principais pilares da balança comercial brasileira, e a carne de frango representa um dos produtos mais exportados, sendo consumido em mais de 150 países.
No âmbito internacional, o reconhecimento da condição sanitária brasileira por parte da União Europeia será decisivo para reequilibrar o fluxo de exportações e assegurar a estabilidade econômica de uma cadeia produtiva que emprega milhões de pessoas em todo o território nacional.
A decisão final do bloco europeu deverá ser tomada nas próximas semanas, após a análise técnica dos documentos e a eventual realização de visitas de inspeção, conforme exigências do protocolo europeu.
Até lá, o Ministério da Agricultura mantém seu compromisso com a transparência, a agilidade e a cooperação internacional, como reforçou o ministro Carlos Fávaro: “Estamos totalmente empenhados em garantir que o Brasil continue sendo uma referência global na produção de alimentos com segurança, qualidade e responsabilidade sanitária”.
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