Mato Grosso do Sul, 27 de junho de 2026
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Morre em confronto histórico um dos criminosos mais temidos de Mato Grosso do Sul

Luiz César Santos, de 65 anos, acumulava mais de 120 anos de condenações e foi morto ao reagir à abordagem policial em Campo Grande após décadas de envolvimento com crimes violentos
Suspeito divulgou plano com caminhão de metanol
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Por mais de quatro décadas, o nome de Luiz César Santos esteve gravado nos registros policiais de Mato Grosso do Sul como um dos mais persistentes e perigosos criminosos da história recente. Aos 65 anos, Luiz morreu como viveu: à margem da lei, armado, fugitivo e determinado a jamais voltar para trás das grades. O desfecho ocorreu nesta segunda-feira, 15 de julho, em Campo Grande, durante um confronto com investigadores da Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf).

A morte encerra uma trajetória criminosa que começou ainda nos anos 1980 e atravessou gerações, governos e reformas do sistema carcerário. Durante décadas, Luiz César esteve envolvido em crimes de altíssima periculosidade, incluindo latrocínios, tentativas de homicídio, porte ilegal de armas, fugas espetaculares e ataques a agentes da lei. Ao todo, acumulava mais de 120 anos de condenações judiciais e era réu em pelo menos 19 processos apenas na Vara de Execuções Penais de Campo Grande.

O início de uma longa ficha criminal

A história de Luiz César se confunde com o próprio histórico da criminalidade no Estado. Seu primeiro crime grave registrado foi um latrocínio nos anos 80, período em que a cidade enfrentava uma série de assaltos violentos. O episódio marcou sua entrada nos arquivos policiais como alguém que jamais hesitava em recorrer à violência. Mesmo quando foi preso, resistiu com arma em punho, trocando tiros com policiais.

Pouco tempo depois, protagonizou uma fuga cinematográfica do Instituto Penal de Campo Grande. De forma ousada, rendeu agentes penitenciários, fez reféns e chegou a ameaçar um juiz corregedor com uma arma de fogo, escapando da prisão. A fuga durou poucos dias, mas consolidou sua reputação como alguém disposto a tudo para evitar o cárcere.

Luiz seguiu sendo reincidente por toda a vida. Foi preso, condenado e solto diversas vezes, além de acumular acusações em outros Estados. A cada retorno à liberdade, reassumia rapidamente a prática de crimes violentos. Policiais da ativa e da reserva lembram de sua postura agressiva, de seu histórico de enfrentamento e de sua recusa sistemática à rendição.

A última caçada

Nos primeiros meses de 2024, a Justiça voltou a expedir mandados de prisão contra Luiz César, após novas investigações apontarem sua ligação com furtos, roubos e receptações. A partir de então, a Derf iniciou um trabalho minucioso de inteligência, monitoramento e diligências discretas, à procura de seu paradeiro.

Foi em uma casa simples, localizada no Bairro Sayonara, que os investigadores finalmente o localizaram. O imóvel não chamava atenção. Vizinho algum suspeitava que ali se escondia um homem com mais de cem anos de prisão a cumprir.

Na manhã do dia 15, Luiz saiu de casa em uma bicicleta, acreditando estar seguro. Dois policiais à paisana o abordaram. Ao perceber que era uma abordagem policial, o foragido apenas disse: “Para lá eu não volto”, em referência à prisão. Em seguida, teria tentado sacar uma arma escondida por baixo da camisa. Os agentes reagiram rapidamente e o balearam antes que ele conseguisse atirar. Luiz foi levado à Santa Casa de Campo Grande, mas não resistiu aos ferimentos.

Relações criminosas e prisões paralelas

Durante a operação, os policiais também prenderam Oneir Dias Aparecida, companheira de Luiz. Contra ela, havia um mandado de prisão em aberto expedido pela Justiça de Rondônia, por envolvimento com tráfico de drogas. A polícia não informou se ela tinha participação nos crimes recentes cometidos por Luiz César, mas confirmou que ela vivia com o criminoso na residência que servia de esconderijo.

O fim de um capítulo violento

A morte de Luiz César Santos encerra uma trajetória marcada pela reincidência, pela violência e pela recusa em se submeter ao cumprimento das penas impostas pela Justiça. Seu histórico é considerado emblemático por autoridades policiais de Mato Grosso do Sul, não apenas pela quantidade de crimes, mas pela sua longevidade como figura ativa no submundo do crime.

Com mandados antigos, alguns datados de mais de 40 anos, sua ficha criminal contém documentos redigidos à máquina de escrever, com carimbos desbotados e papéis amarelados, simbolizando uma era que parecia não ter fim. Luiz foi testemunha e protagonista de um tipo de criminalidade que se moldou com o tempo, mas que em sua figura permaneceu intacta.

Sua morte, embora marcada por violência, representa, para as autoridades, o encerramento de um dos prontuários mais extensos da história da segurança pública sul-mato-grossense.

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