Após quatro sessões seguidas de valorização frente ao real, o dólar comercial encerrou o pregão desta terça-feira, 15 de julho, com leve queda, refletindo uma combinação de fatores domésticos e internacionais. A moeda norte-americana fechou o dia cotada a R$ 5,5595, em baixa de 0,48% em relação ao fechamento anterior, encerrando uma sequência de ganhos que vinha sendo impulsionada por incertezas fiscais, expectativas inflacionárias e tensões no mercado externo.
A sessão foi marcada por forte volatilidade e liquidez elevada, influenciada por números da inflação nos Estados Unidos, movimento de realização de lucros por parte de investidores e exportadores, além da indefinição sobre a tributação do IOF em território nacional. A cotação chegou a atingir a mínima de R$ 5,5350 no início da manhã, com queda de 0,92%, mas reagiu nas horas seguintes, atingindo a máxima de R$ 5,6043 no início da tarde, antes de retornar ao patamar de fechamento.
Mercado reage à inflação norte-americana e à perspectiva de corte de juros
Um dos principais fatores que impactaram o desempenho do dólar foi a divulgação dos dados do índice de preços ao consumidor (CPI) dos Estados Unidos. O Departamento do Trabalho norte-americano informou que a inflação ao consumidor subiu 0,3% em junho, dentro do esperado pelo mercado. Na comparação anual, a inflação subiu 2,7%, resultado ligeiramente acima da expectativa de 2,6% apurada em pesquisa da Reuters com economistas.
Inicialmente, o dado reforçou as expectativas de que o Federal Reserve poderá promover um corte na taxa básica de juros norte-americana nos próximos meses, o que enfraquece o dólar no cenário internacional. Isso provocou uma queda inicial da moeda frente a diversas divisas, inclusive o real, elevando a atratividade de mercados emergentes. Porém, a análise mais aprofundada dos números gerou dúvidas quanto ao ritmo dessa possível flexibilização monetária, o que trouxe nova pressão altista à moeda norte-americana no meio da sessão.
Desaceleração da China e impacto sobre moedas emergentes
Outro componente do movimento cambial foi a divulgação do crescimento econômico da China. O Produto Interno Bruto (PIB) do país cresceu 5,2% no segundo trimestre, abaixo do resultado anterior de 5,4%, mas ainda acima da projeção de 5,1% feita por analistas. O dado, apesar de indicar desaceleração, foi considerado positivo por investidores que acompanham o desempenho dos grandes importadores de commodities.
O desempenho chinês ajudou a sustentar, pelo menos momentaneamente, moedas de países exportadores de matérias-primas, como o Brasil, cujo superávit comercial depende em grande parte das vendas para a Ásia.
Tensões fiscais internas e incerteza sobre o IOF
No plano doméstico, o mercado acompanhou com atenção a audiência de conciliação entre o governo federal e o Congresso Nacional promovida pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que terminou sem acordo quanto à elevação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). O impasse, que envolve decreto presidencial contestado pelo Legislativo, adiciona um elemento de instabilidade fiscal, alimentando preocupações com o ambiente político-econômico do país.
Além disso, o anúncio do governo norte-americano de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros a partir de agosto também contribuiu para o clima de cautela. O vice-presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, afirmou que o Brasil trabalhará para reverter a medida “o mais rápido possível”, e não descarta negociar um prazo maior com os Estados Unidos para evitar impactos negativos às exportações nacionais.
Atuação do Banco Central e fluxo cambial
Durante o pregão, o Banco Central atuou para conter a volatilidade. Pela manhã, realizou leilão de swap cambial tradicional, vendendo todos os 35.000 contratos ofertados. À tarde, efetuou leilão de linha com venda de US$ 400 milhões, de um total de US$ 1 bilhão ofertado, com compromisso de recompra no vencimento. As operações ajudaram a manter o mercado abastecido e reduziram a pressão compradora sobre a moeda americana.
Turismo e dólar futuro
No segmento de turismo, o dólar foi cotado a R$ 5,608 para compra e R$ 5,788 para venda. Já o dólar futuro para vencimento em agosto, atualmente o mais negociado na B3, fechou com baixa de 0,60%, a R$ 5,5795.
Apesar da recuperação pontual do real nesta sessão, o cenário segue cercado de incertezas. Investidores continuam atentos à política monetária dos Estados Unidos, aos desdobramentos da economia chinesa e às indefinições fiscais no Brasil, que continuam a ditar o rumo do câmbio nas próximas semanas.
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