Mato Grosso do Sul, 5 de julho de 2026
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Notas escondidas em sapato revelam esquema de corrupção envolvendo aliados de Elmar Nascimento na Bahia

Polícia Federal descobre dinheiro vivo durante operação que investiga desvio de emendas parlamentares, fraudes em licitações e favorecimento político em Campo Formoso, base eleitoral do líder do Centrão
O deputado federal Elmar Nascimento (União-BA)  • 05/11/2024 - Mário Agra/Câmara dos Deputados
O deputado federal Elmar Nascimento (União-BA) • 05/11/2024 - Mário Agra/Câmara dos Deputados


A quinta fase da operação Overclean revelou, nesta quinta-feira, novas provas de corrupção envolvendo figuras ligadas ao deputado federal Elmar Nascimento. A polícia encontrou dinheiro escondido dentro de um sapato na casa do vereador Francisquinho Nascimento, primo do parlamentar e ex-secretário da prefeitura de Campo Formoso.

A Polícia Federal deflagrou mais uma etapa da operação Overclean, com foco na investigação de um esquema milionário de fraudes em contratos públicos, desvio de verbas federais e corrupção ativa e passiva no município de Campo Formoso, na Bahia. A ação conjunta com a Controladoria-Geral da União e a Receita Federal teve como alvo personagens ligados ao núcleo político do deputado federal Elmar Nascimento, um dos principais nomes do Centrão na câmara dos deputados.

Durante as buscas realizadas nesta quinta-feira, os agentes da Polícia Federal encontraram notas de dinheiro vivo escondidas dentro de um sapato na casa do vereador Francisquinho Nascimento, do partido União Brasil. Francisquinho é primo de Elmar Nascimento e atualmente exerce mandato na câmara municipal de Campo Formoso. Ele já havia sido preso em dezembro do ano passado, após lançar pela janela de casa uma mala contendo mais de duzentos mil reais em espécie durante uma abordagem policial. Na época, foi solto poucos dias depois.

Segundo as investigações, Francisquinho atuava diretamente em favor de empresas envolvidas em esquemas de corrupção dentro da prefeitura local. Antes de ser eleito vereador, ocupava o cargo de secretário-executivo da gestão municipal.

Outro alvo da operação foi o prefeito de Campo Formoso, Elmo Nascimento, irmão de Elmar. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados a ele e a outros agentes públicos e empresários investigados.

O esquema criminoso investigado gira em torno de convênios firmados entre a prefeitura de Campo Formoso e a companhia de desenvolvimento dos vales do São Francisco e do Parnaíba (codevasf). Os contratos foram celebrados em 2022, e as licitações que os concretizaram teriam sido fraudadas em 2023 para beneficiar grupos empresariais ligados aos investigados.

A operação também atingiu o ex-presidente da codevasf, Marcelo Moreira. Agentes federais estiveram em sua residência, onde prenderam seu pai por posse de arma com registro vencido. Marcelo é apontado como peça-chave no uso político da companhia para facilitar contratos em municípios controlados por aliados do centrão.

Ao todo, foram cumpridos dezoito mandados de busca e apreensão nas cidades baianas de Campo Formoso, Salvador, Senhor do Bonfim e Mata de São João, além de Brasília e Petrolina, em Pernambuco. O Supremo Tribunal Federal também determinou o bloqueio de oitenta e cinco milhões e setecentos mil reais das contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas ligadas à investigação.

Dinheiro em espécie encontrado em sapatos do vereador Francisco Nascimento (União) — Foto: Reprodução/ Polícia Federal

A Polícia Federal afirma que os crimes apurados incluem corrupção ativa e passiva, peculato, fraude em licitações e contratos administrativos, lavagem de dinheiro, obstrução de investigação e participação em organização criminosa. Um servidor público foi afastado de suas funções por ordem judicial.

Fontes ligadas à investigação confirmaram que, embora Elmar Nascimento não tenha sido formalmente alvo nesta etapa da operação, o foco recai sobre sua influência política nos repasses das emendas parlamentares que originaram os contratos sob suspeita. A base eleitoral do deputado e sua relação com os membros investigados da prefeitura de Campo Formoso colocam seu nome no centro das apurações.

A codevasf divulgou nota afirmando que mantém seu compromisso com a transparência e integridade de suas ações, e que continuará colaborando com os órgãos de investigação para a elucidação dos fatos.

Esta é a quinta fase da operação overclean. A etapa anterior, deflagrada em junho, afastou dois prefeitos baianos e um assessor parlamentar ligado ao deputado Félix Mendonça, do pdt da Bahia.

O caso amplia a discussão sobre o uso político de emendas parlamentares e a fragilidade dos mecanismos de controle de verbas públicas em municípios do interior do país, onde práticas ilícitas frequentemente se misturam à dinâmica eleitoral.

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