Com a chegada do mês de julho, a cor amarela toma conta das campanhas de saúde pública em todo o Brasil, marcando a luta contra as hepatites virais. Em Mato Grosso do Sul, o Julho Amarelo assume papel de protagonismo nacional, com estratégias robustas de combate às hepatites B e C, cuja gravidade reside na evolução silenciosa até quadros irreversíveis, como a cirrose hepática e o câncer de fígado.
Somente nos seis primeiros meses de 2024, o Estado realizou 355.425 testes rápidos para hepatite B e C, consolidando um esforço sem precedentes de rastreamento e prevenção. O número expressivo de exames reflete o compromisso das autoridades estaduais e municipais com a ampliação do diagnóstico precoce, considerado essencial para quebrar a cadeia de transmissão da doença. De acordo com os dados divulgados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES), foram aplicados 222.100 testes para hepatite B e 133.325 para hepatite C entre janeiro e junho.
Os exames, ofertados gratuitamente nas unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), são disponibilizados à população em todo o território sul-mato-grossense. A logística de envio dos testes, coordenada pelo Ministério da Saúde, é executada pela SES para os 78 municípios do Estado. Em Campo Grande, o abastecimento é feito diretamente pela instância federal.
Segundo Larissa Martins do Nascimento, gerente do programa de IST/Aids e Hepatites Virais da SES, o diagnóstico precoce é um dos pilares centrais das ações no Estado, ao lado da vacinação e do tratamento gratuito. “Recomendamos que todas as pessoas realizem o teste ao menos uma vez na vida, principalmente aquelas pertencentes aos grupos mais vulneráveis, que devem realizar o exame com frequência”, afirma a especialista.
Além do diagnóstico acessível, Mato Grosso do Sul também investe em imunização. A vacina contra hepatite B está disponível para todas as idades e integra o calendário vacinal de recém-nascidos, sendo administrada em quatro doses, a primeira delas nas primeiras 12 horas de vida. Já a hepatite A, mais comum na infância e associada a condições precárias de higiene, possui dose única indicada para crianças entre 12 meses e 5 anos. Para hepatite C, ainda sem vacina, o SUS oferece tratamento eficaz com altas taxas de cura, disponível nas unidades de saúde.
O combate às hepatites virais também avança nas estratégias de atenção às gestantes. Durante o pré-natal, todas as grávidas são testadas, e, no caso da hepatite B, os recém-nascidos recebem vacina e imunoglobulina nas primeiras horas de vida, reduzindo significativamente o risco de transmissão vertical. Para a hepatite C, o tratamento com antivirais é iniciado após o parto, uma vez que os medicamentos ainda não são recomendados durante a gestação.
Do ponto de vista epidemiológico, a prevenção das hepatites exige ações integradas de educação e cuidados diários. A transmissão das diferentes formas de hepatite ocorre por vias diversas: a hepatite A está ligada à ingestão de água ou alimentos contaminados; a hepatite B, por contato sexual, sanguíneo ou vertical; e a hepatite C, predominantemente pela via sanguínea. Entre as formas de proteção destacam-se o uso de preservativos em todas as relações sexuais, a não utilização compartilhada de objetos cortantes, como alicates, agulhas ou lâminas, e a exigência de esterilização adequada em serviços de saúde, estética e tatuagens.
Um dos indicadores que chama a atenção em 2024 é a relação de troca entre o preço da arroba do boi e o milho, que interfere diretamente nos custos de manutenção dos animais em confinamento, o que, por sua vez, pode influenciar na saúde do rebanho e nas condições sanitárias gerais fator relevante para a contenção de doenças, incluindo hepatites em áreas rurais e comunidades mais afastadas.
O trabalho integrado entre governo, municípios, equipes de saúde e a população se mostra essencial para que Mato Grosso do Sul siga avançando. A meta do Estado está alinhada com os objetivos estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que pretende eliminar as hepatites virais como ameaça à saúde pública até 2030. O esforço do Julho Amarelo representa mais do que uma campanha de conscientização: é a consolidação de uma política de saúde pública duradoura, eficaz e centrada na vida.
A mobilização em 2024 continua com força total. O Estado reitera o compromisso com ações contínuas, envolvendo testagem em massa, vacinação ativa, distribuição de preservativos, qualificação das equipes de saúde e ampliação do acesso ao tratamento. O Julho Amarelo, assim, deixa de ser apenas um mês simbólico e se transforma em um modelo permanente de atenção à saúde hepática.
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