Mato Grosso do Sul, 21 de junho de 2026
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Referência nacional em saúde: Mato Grosso do Sul conquista 4º lugar em transplantes de fígado menos de um ano após iniciar os procedimentos

Com 45 cirurgias realizadas e estrutura hospitalar de ponta, estado supera expectativas e assume protagonismo no atendimento de alta complexidade pelo SUS
Entenda a fila de transplante de fígado –  imagem - Dr. Matheus Takahashi
Entenda a fila de transplante de fígado – imagem - Dr. Matheus Takahashi

Em uma trajetória marcada por superação, planejamento estratégico e compromisso com a vida, Mato Grosso do Sul desponta como uma das grandes referências nacionais na área de transplantes de órgãos. Menos de um ano após iniciar oficialmente os procedimentos de transplante de fígado, o estado já figura entre os quatro primeiros do Brasil no ranking por milhão de habitantes. O feito, respaldado por dados divulgados pelo Registro Brasileiro de Transplantes (RBT), revela um marco histórico para o sistema público de saúde sul-mato-grossense.

Segundo o relatório do RBT referente ao primeiro trimestre de 2025, Mato Grosso do Sul atingiu uma taxa de 17,9 transplantes hepáticos por milhão de habitantes, ficando atrás apenas do Distrito Federal (48,3), Paraná (21,0) e Ceará (18,6). Ao todo, 45 cirurgias foram realizadas desde julho de 2024, quando o estado recebeu autorização formal do Ministério da Saúde para executar este tipo de procedimento.

O avanço é resultado de um esforço conjunto entre diferentes esferas da administração pública, profissionais da saúde e instituições hospitalares. O centro de excelência responsável pelas cirurgias é o Hospital Adventista do Pênfigo, em Campo Grande, onde atua a equipe liderada pelo cirurgião Gustavo Rapassi, referência nacional na área de transplantes hepáticos. A unidade foi preparada com equipamentos de última geração, suporte técnico especializado e protocolos clínicos rigorosos para garantir o êxito dos procedimentos.

Para o secretário de Estado de Saúde, Maurício Simões Corrêa, os números refletem uma política pública sólida e orientada para a ampliação do acesso a procedimentos de alta complexidade. “Esse resultado reforça o compromisso do Estado com a vida e com a qualidade da saúde pública. A habilitação da equipe e da unidade hospitalar permitiu que, em menos de um ano, alcançássemos uma posição de destaque nacional. Estamos falando de uma conquista histórica, tanto no aspecto técnico quanto no impacto direto sobre a vida dos sul-mato-grossenses”, destacou Corrêa.

A coordenadora da Central Estadual de Transplantes, Claire Miozzo, ressalta que o desempenho obtido é fruto de um extenso processo de planejamento, formação técnica e integração interinstitucional. “A implantação do transplante hepático é um marco para Mato Grosso do Sul. Em um curto espaço de tempo, estruturamos um serviço altamente eficiente, com equipe treinada, suporte clínico-hospitalar qualificado e compromisso com a humanização do atendimento. Isso nos permite oferecer o procedimento dentro do nosso próprio território, com segurança, eficiência e dignidade para os pacientes”, afirmou Claire.

Antes da habilitação, os pacientes com indicação para transplante de fígado precisavam ser encaminhados a centros de referência em outros estados, enfrentando longas esperas, viagens cansativas e custos logísticos para o sistema público. Agora, com a estruturação do serviço dentro de Mato Grosso do Sul, a realidade se transforma. Os pacientes permanecem mais próximos de suas famílias, contam com acompanhamento regionalizado e têm acesso mais rápido ao tratamento.

A descentralização dos transplantes também fortalece o Sistema Único de Saúde (SUS) em sua missão de garantir atendimento integral e equânime. Ao ampliar sua capacidade de resolver casos graves de insuficiência hepática, o estado reduz o tempo de espera, aumenta as taxas de sucesso e consolida um modelo de atenção que alia qualidade, humanidade e tecnologia.

Além do aspecto técnico, a conquista também valoriza o trabalho das equipes de captação e da rede estadual de doação de órgãos. O sucesso das cirurgias depende diretamente da existência de doadores, da logística bem coordenada de transporte e da mobilização social em torno da causa da doação de órgãos. Nesse sentido, campanhas de conscientização e o engajamento de hospitais e profissionais têm sido determinantes.

Mato Grosso do Sul, que já vinha se destacando em outras áreas da saúde, agora avança em um dos procedimentos mais complexos e delicados da medicina moderna. A conquista representa não apenas um avanço técnico, mas uma vitória da vida sobre a espera, da competência sobre o improviso e da esperança sobre a limitação geográfica.

As autoridades sanitárias do estado garantem que os investimentos continuarão, com foco na consolidação definitiva do serviço, expansão da capacidade de atendimento e manutenção de altos índices de qualidade e segurança assistencial.

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