O início desta semana trouxe um novo capítulo para o setor pecuário brasileiro, especialmente nas praças do estado de São Paulo, onde o preço da arroba do boi gordo voltou a recuar. Em um cenário marcado por instabilidade climática, pressão da oferta e tensões no comércio internacional, o mercado bovino enfrenta dias desafiadores. A combinação entre excesso de animais prontos para o abate, retração das indústrias frigoríficas nas compras e a preocupação com os impactos de tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras está influenciando diretamente nas cotações internas.
De acordo com levantamento realizado pela Scot Consultoria nesta segunda-feira, 21 de julho, a arroba do boi gordo nas regiões de Araçatuba e Barretos consideradas referências nacionais registrou queda de R$ 3, sendo negociada a R$ 297 no pagamento a prazo. O chamado “boi China”, destinado ao exigente mercado chinês, também apresentou recuo, com baixa de R$ 2, alcançando R$ 302 por arroba. A retração expressiva nas cotações reflete uma movimentação das indústrias, que se mantêm afastadas dos negócios em um momento de maior disponibilidade de gado em razão do enfraquecimento das pastagens durante o inverno.
Entre as 32 praças monitoradas pela Scot, 12 tiveram queda nos preços, enquanto outras 20 permaneceram estáveis. Nas regiões Norte e Centro-Oeste do país, os impactos também foram notáveis. Tocantins, Pará e norte de Mato Grosso apresentaram desvalorizações superiores a 3% na última semana. Já nos estados de Goiás, Rio Grande do Sul, Triângulo Mineiro, Noroeste do Paraná, Três Lagoas (MS) e Presidente Prudente (SP), o recuo foi mais brando, não ultrapassando os 2%.
O Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, reforça que a semana passada foi marcada por um movimento contínuo de queda, resultado de dias consecutivos sem negociações entre compradores e vendedores. Pecuaristas mostraram-se cautelosos diante das incertezas, enquanto os frigoríficos preferiram aguardar por oportunidades mais vantajosas, amparados pela abundância de oferta.
No acumulado de julho, as perdas já são significativas. Somente em São Paulo, o Indicador Cepea/Esalq aponta uma retração de 6,5% no mês. Em diversas praças do país, a desvalorização da arroba supera os 5%, revelando um quadro de desaquecimento que contrasta com os números positivos das exportações.
No mercado atacadista, os preços da carne bovina também registraram queda. Na Grande São Paulo, a carcaça casada do boi caiu 2,2% na última semana, sendo cotada a R$ 21,25 o quilo. No mês, a retração já chega a 6,4%, posicionando os preços da carne no menor patamar desde outubro de 2024, conforme o Cepea.
Apesar da pressão interna, o desempenho das exportações continua sendo um alento para o setor. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços revelam que as exportações de carne bovina in natura seguem aquecidas. Até a terceira semana de julho, a média diária embarcada foi de 12.336 toneladas. Considerando os 23 dias úteis do mês, o total pode ultrapassar 280 mil toneladas, superando o recorde histórico registrado em outubro do ano passado, quando o país exportou 270 mil toneladas.
Ainda assim, paira sobre o setor a apreensão quanto aos desdobramentos das tarifas norte-americanas. A medida, anunciada como parte de uma política protecionista do governo dos Estados Unidos, pode prejudicar a competitividade da carne brasileira em mercados estratégicos, comprometendo a rentabilidade da cadeia produtiva no médio e longo prazo.
Neste cenário, produtores e analistas acompanham com atenção os próximos movimentos do mercado e os desdobramentos das negociações diplomáticas entre Brasília e Washington. Enquanto isso, o setor bovino brasileiro enfrenta um período de ajustes, pressionado por fatores internos e externos que desafiam sua estabilidade e crescimento.
#Agronegócio #PecuáriaBrasileira #PreçoDoBoi #BoiGordoHoje #ExportaçõesDeCarne #MercadoInterno #CarneBovina #TarifasEUA #ClimaSeco #Cepea #ScotConsultoria #EconomiaRural