Mato Grosso do Sul, 28 de junho de 2026
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Coreia do Norte eleva tensão militar e convoca tropas para guerra real

Em meio a aliança crescente com a Rússia e apoio direto no conflito da Ucrânia, Kim Jong-un ordena mobilização máxima do Exército norte-coreano e reacende temor de instabilidade na Ásia
A vida pessoal de Kim é um tabu para a mídia estatal da Coreia do Norte
A vida pessoal de Kim é um tabu para a mídia estatal da Coreia do Norte

O líder supremo da Coreia do Norte, Kim Jong-un, voltou a provocar apreensão no cenário internacional ao convocar oficialmente os soldados norte-coreanos a se prepararem “para uma guerra real”. A advertência foi feita de maneira enfática durante uma competição de tiro envolvendo unidades de artilharia pesada do Exército Popular da Coreia, acompanhada pessoalmente pelo ditador, que observou a operação do alto de um posto de comando, ladeado por altos oficiais militares.

A cena, cuidadosamente documentada e transmitida pela emissora estatal Televisão Central da Coreia, exibiu militares norte-coreanos realizando disparos em direção ao mar, em uma demonstração ostensiva de força. Embora o local do exercício militar não tenha sido divulgado, o evento ocorreu na quarta-feira, e a divulgação oficial foi feita na manhã desta quinta-feira, em nova ação da propaganda estratégica de Pyongyang.

De acordo com a agência estatal KCNA, Kim Jong-un afirmou que as tropas devem manter-se em estado de prontidão permanente para responder a qualquer ameaça com força letal. “Devemos estar preparados para uma guerra real a qualquer momento”, declarou o líder, segundo a publicação oficial em inglês. Ele reforçou que o Exército deve ser capaz de “destruir o inimigo em cada batalha”, destacando o papel central das forças armadas na política de Estado norte-coreana.

A manifestação de Kim ocorre no contexto do fortalecimento das relações entre Coreia do Norte e Rússia, países que enfrentam sanções e isolamento no cenário internacional. Segundo informações de inteligência sul-coreana, corroboradas por serviços do Ocidente, Pyongyang enviou no ano passado mais de 10 mil soldados para a região de Kursk, no território russo, onde vêm participando diretamente da ofensiva militar contra a Ucrânia.

Além do efetivo humano, a Coreia do Norte teria enviado munição de artilharia, mísseis táticos e sistemas de foguetes de longo alcance para reforçar o aparato militar russo. Estima-se que aproximadamente 600 soldados norte-coreanos morreram em solo ucraniano, e milhares de outros ficaram feridos, tornando esse envolvimento um dos mais significativos já registrados por parte do regime asiático em operações de combate fora de seu território.

A cooperação entre os dois regimes foi consolidada no ano passado por meio de um acordo militar bilateral que incluiu uma cláusula de defesa mútua, selado durante a visita de Vladimir Putin a Pyongyang — um evento raro e carregado de simbolismo geopolítico. O tratado implica que qualquer ataque contra um dos países poderá ser tratado como agressão contra ambos, um passo preocupante que aproxima ainda mais dois regimes amplamente condenados por violações de direitos humanos e ameaças à paz internacional.

As recentes declarações de Kim Jong-un, em tom beligerante, são vistas por analistas internacionais como parte de uma escalada calculada para manter a tensão na península coreana e, ao mesmo tempo, demonstrar solidariedade irrestrita ao esforço de guerra russo. O gesto também serve como recado às potências ocidentais e vizinhos regionais, como Japão e Coreia do Sul, com os quais Pyongyang mantém relações hostis.

Enquanto isso, os Estados Unidos e seus aliados acompanham com cautela o avanço dessa aliança militar, diante da possibilidade concreta de que o regime norte-coreano esteja buscando ampliar seu protagonismo estratégico com vistas a negociações futuras ou mesmo a novas provocações nucleares.

Em meio à crescente militarização, Kim Jong-un reafirma o discurso de autossuficiência armada, apoiado por uma narrativa nacionalista que reforça a imagem do inimigo externo como justificativa para o regime autoritário. A convocação de preparação para uma guerra real, longe de ser apenas retórica, integra um contexto de mobilização permanente que pode redefinir os rumos do equilíbrio de poder no Leste Asiático.

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