Mato Grosso do Sul, 26 de junho de 2026
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Amante afirma que jogou corpo de mulher em vala após infarto durante relação e diz ter entrado em surto em Terenos

Servidor público manteve caso extraconjugal com Raquel Perciliano por anos e alega desespero ao não acionar socorro; polícia investiga ocultação de cadáver e possível homicídio culposo

O corpo de Raquel Perciliano, de 59 anos, foi encontrado em uma vala às margens da rodovia MS-335, próximo ao município de Terenos, a 31 quilômetros de Campo Grande. O principal envolvido, um servidor público municipal, afirmou à polícia ter entrado em surto após a mulher sofrer um infarto durante uma relação sexual. O caso, inicialmente tratado como ocultação de cadáver, foi reclassificado como homicídio culposo após indícios levantados pela investigação.

O domingo, 27 de julho, encerrou-se com um dos casos mais intrigantes e delicados registrados na região de Terenos, em Mato Grosso do Sul. Uma tragédia que misturou segredos, desespero e morte veio à tona após a descoberta do corpo de Raquel Perciliano em uma vala, coberto por um tapete, às margens de uma rodovia rural. A mulher, de 59 anos, teria sofrido um infarto durante um encontro íntimo com seu amante, um servidor público municipal, cuja identidade está sob sigilo.

Conforme as apurações iniciais, o homem teria buscado Raquel nas proximidades da antiga rodoviária de Terenos. De lá, os dois seguiram até um ponto isolado na rodovia MS-335, onde manteriam relações sexuais dentro do carro. Durante o ato, Raquel passou mal, e, segundo o depoimento do homem, perdeu a consciência de forma súbita. Ele alegou ter acreditado que ela havia morrido naquele instante, o que o levou a um surto emocional.

O advogado do servidor, Ivan Oliveira da Silva, revelou que seu cliente entrou em estado de choque. “Ele afirmou que não sabia o que fazer. Pensou que ela estava morta e teve uma reação instintiva e desesperada. Decidiu levá-la embora no carro, rodou por cerca de duas horas e, sem rumo, acabou jogando o corpo em uma vala próxima a um frigorífico”, relatou o advogado. O corpo foi coberto com um tapete automotivo e abandonado no local.

De acordo com o delegado Gabriel Desterro, responsável pela investigação, após o descarte do corpo, o homem dirigiu até Campo Grande, onde procurou seu advogado e relatou o ocorrido. Ivan, por sua vez, entrou em contato com a polícia e acompanhou os agentes até o ponto indicado, onde o cadáver foi encontrado cerca de cinco horas após a morte.

O impacto do caso se agravou quando a perícia identificou uma lesão na testa de Raquel um hematoma ainda vivo, sugerindo que ela pode ter sobrevivido por algum tempo após o colapso. Esse detalhe alterou completamente a tipificação do crime, que passou de simples ocultação de cadáver para homicídio culposo, quando não há intenção de matar, mas há negligência em prestar socorro.

A polícia civil investiga as possíveis omissões do servidor, que optou por não levar a vítima ao hospital ou acionar os serviços de emergência. “Se ele tivesse simplesmente a levado até uma unidade de saúde, ela poderia ter sido salva, ou ao menos ele não responderia por homicídio. A omissão é o que pesa”, declarou o delegado Desterro.

Raquel estava sem roupas íntimas, sem sapatos e sem o celular no momento em que foi encontrada. A polícia tenta localizar os pertences e esclarecer em que momento esses objetos desapareceram. Câmeras de segurança ao longo da MS-335 estão sendo analisadas para rastrear o percurso do veículo e verificar se houve alguma parada adicional durante o trajeto.

Outro ponto investigado é o histórico médico da vítima. Há indícios de que Raquel havia passado por uma consulta médica recente, o que pode ajudar a esclarecer as condições de saúde que levaram ao infarto. A quebra de sigilo telefônico também foi solicitada para compreender a dinâmica do relacionamento extraconjugal e possíveis contatos antes da morte.

O advogado do acusado confirmou que o relacionamento entre ele e Raquel não era recente. Ao contrário do que se divulgou inicialmente, os dois já mantinham encontros íntimos há anos, em segredo, longe dos olhos de familiares e colegas. Ambos eram casados, e a relação era cuidadosamente mantida à margem da vida pública.

Apesar da comoção gerada, o advogado reforçou o estado emocional de seu cliente, que está sob acompanhamento psiquiátrico desde o ocorrido. “Ele está arrasado. Não tinha intenção de causar qualquer mal. Mas o desespero o fez agir de forma equivocada e sem racionalidade”, afirmou Ivan Oliveira.

A polícia ainda ouvirá familiares, amigos e possíveis testemunhas nos próximos dias. A reconstituição do crime também está sendo considerada, para que seja possível entender com precisão o que ocorreu entre o início do mal súbito de Raquel até o momento em que seu corpo foi descartado.

O caso, que envolve aspectos sensíveis como o adultério, a omissão de socorro e uma morte em circunstâncias inusitadas, lança luz sobre o comportamento humano em situações-limite. A tragédia reacende debates sobre saúde emocional, responsabilidade e os limites entre o desespero e o crime.

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