Mato Grosso do Sul, 21 de junho de 2026
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China abre mercado para 183 empresas brasileiras de café em meio a tensão tarifária com os Estados Unidos

Medida impulsiona a presença do grão brasileiro na Ásia, enquanto produtores temem perdas com tarifa de 50% imposta por Donald Trump a partir de 6 de agosto
Imagem feita com IA via DALL-E
Imagem feita com IA via DALL-E

A recente decisão da Administração Geral das Alfândegas da China de habilitar 183 novas empresas brasileiras para exportação de café representa um avanço estratégico para o agronegócio nacional em meio a um cenário global de instabilidade comercial. Com validade de cinco anos, a autorização amplia o acesso do Brasil ao promissor e competitivo mercado asiático, ao mesmo tempo em que acende um alerta entre produtores e exportadores diante do risco iminente de retração nas vendas para os Estados Unidos, após o anúncio de novas tarifas protecionistas.

A habilitação foi confirmada oficialmente pela Embaixada da China no Brasil no último sábado, 2 de agosto, e imediatamente comemorada por representantes do setor e autoridades do governo federal, como o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro. A medida já está em vigor desde a última quarta-feira, 30 de julho.

Com essa nova rodada de certificações, o Brasil fortalece sua posição no fornecimento de café ao mercado chinês, ainda em expansão, mas com enorme potencial de consumo. De acordo com dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), o país embarcou 538 mil sacas de café à China no primeiro semestre de 2025. Embora este número represente apenas uma fração modesta das exportações totais, a tendência é de crescimento acelerado, sobretudo após acordos comerciais firmados recentemente, como a parceria com a rede chinesa Luckin Coffee.

Enquanto a China abre portas, os Estados Unidos parecem se fechar. A partir de 6 de agosto, o governo norte-americano deve impor uma tarifa de 50% sobre uma ampla gama de produtos brasileiros, incluindo o café. A medida, determinada pelo presidente Donald Trump, reacende as tensões comerciais entre os dois países e coloca em risco a competitividade do Brasil no principal mercado consumidor do grão.

Em 2024, os Estados Unidos foram responsáveis pela compra de 8,1 milhões de sacas de café brasileiro, o que gerou uma receita estimada em US$ 2 bilhões — cerca de 18% de todo o faturamento com exportações do setor. A aplicação das tarifas pode comprometer significativamente essa fatia de mercado.

No segmento específico de café solúvel, o cenário é ainda mais delicado. A Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics) já manifestou preocupação com os desdobramentos das novas tarifas. Em nota oficial, a entidade alertou que o Brasil corre o risco de perder espaço para concorrentes como o México, beneficiado por um acordo bilateral com os EUA que suspendeu por 90 dias a cobrança de taxas sobre o produto.

Atualmente, os Estados Unidos são responsáveis por cerca de 20% das exportações brasileiras de café solúvel, o equivalente a 780 mil sacas de 60 quilos em 2024. O Brasil, segundo maior fornecedor do produto para o mercado norte-americano, responde por mais de 25% de todo o volume de café solúvel importado pelos EUA. Com a nova política tarifária, esse protagonismo está ameaçado.

“Diante da ordem assinada pelo presidente Trump, o Brasil, entre os principais fornecedores do produto aos Estados Unidos, é o país que sofrerá a maior tarifa, o que deverá prejudicar sobremaneira a nossa competitividade”, afirmou a Abics em comunicado.

A entidade informou que segue em articulação com representantes da National Coffee Association (NCA) e autoridades do governo federal brasileiro para tentar reverter a decisão por meio do diálogo diplomático. A expectativa do setor é que prevaleça o bom senso e que o café brasileiro, nas suas formas in natura e industrializada, seja isento das medidas restritivas.

A reconfiguração dos fluxos comerciais, motivada tanto por incentivos quanto por barreiras, reforça a necessidade de diversificação dos mercados e de maior autonomia na estratégia exportadora do Brasil. A aproximação com a China é um exemplo de reação proativa, mas ainda insuficiente para cobrir as possíveis perdas no mercado americano. O setor cafeeiro brasileiro, essencial na pauta de exportações e na geração de empregos, acompanha com apreensão o desenrolar da disputa e aposta na diplomacia para evitar um prejuízo que poderá afetar toda a cadeia produtiva.

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