Mato Grosso do Sul, 26 de junho de 2026
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É Tetra! Operação nacional mira facções do tráfico e bloqueia milhões em bens em seis estados

Ação coordenada entre forças federais combate lavagem de dinheiro e tráfico internacional de drogas, com desdobramentos em Mato Grosso do Sul, Santa Catarina e outras quatro unidades da federação
Imagem - Polícia Federal/Divulgação
Imagem - Polícia Federal/Divulgação

A manhã desta terça-feira, 5 de agosto, começou com um duro golpe contra o crime organizado no Brasil. A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco) deflagrou a “Operação É Tetra”, um cerco simultâneo contra facções envolvidas com o tráfico internacional de drogas e lavagem de dinheiro. A operação se estendeu por seis estados brasileiros, incluindo Mato Grosso do Sul, onde mandados foram cumpridos no município de Itaquiraí, localizado na região sul do estado, a 405 quilômetros da capital Campo Grande.

No total, foram expedidos e executados 35 mandados de busca e apreensão em endereços estratégicos ligados aos investigados, além do sequestro de bens, veículos, imóveis e valores atribuídos às organizações criminosas. A ofensiva se concentrou principalmente em Santa Catarina, estado de origem da investigação, mas também atingiu alvos nos estados do Paraná, São Paulo, Goiás, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Estima-se que a soma dos bens bloqueados atinja a cifra expressiva de R$ 35 milhões, em uma clara tentativa de asfixiar financeiramente os grupos investigados.

O trabalho investigativo, conforme revelado pela Polícia Federal, teve início em setembro de 2023, após a apreensão de dados e documentos na prisão de um condenado foragido, capturado durante a “Operação Trinca de Ases”. Este indivíduo, que utilizava identidade falsa e se escondia no interior paulista, forneceu material essencial para o rastreamento de movimentações financeiras suspeitas e estruturas utilizadas para dissimular o lucro do narcotráfico.

A apuração revelou uma rede criminosa complexa e bem articulada, sustentada por uma teia de pessoas físicas e jurídicas que atuavam na blindagem patrimonial dos chefes das facções. Por meio dessas empresas de fachada, o dinheiro obtido por meio do tráfico era incorporado a negócios supostamente lícitos, o que dificultava a identificação dos reais beneficiários e a ação direta das autoridades sobre os recursos.

Durante a fase operacional, além das buscas, foi realizada uma prisão em flagrante no dia 16 de abril de 2024, quando agentes da Polícia Federal capturaram um dos integrantes da organização transportando 33 quilos de cocaína, evidenciando a continuidade das atividades criminosas mesmo diante da atuação repressiva do Estado.

A presença da operação em Mato Grosso do Sul destaca mais uma vez a condição estratégica da fronteira brasileira para o escoamento de entorpecentes provenientes da Bolívia e do Paraguai. O município de Itaquiraí, apesar de seu perfil agrícola e populacional modesto, surge no contexto como uma das rotas utilizadas pelas organizações criminosas para a logística do tráfico. Isso reforça a necessidade de monitoramento constante das regiões de fronteira, muitas vezes exploradas pela ausência de estrutura do poder público.

Em Santa Catarina, os mandados foram distribuídos por diversos municípios, incluindo cidades do litoral como Balneário Camboriú, Itapema e Camboriú, além de polos urbanos como Criciúma, Tubarão e a Grande Florianópolis. Também foram cumpridos mandados em São Francisco do Sul, Campo Alegre, Penha e Içara.

No Rio Grande do Sul, as ações se concentraram na capital Porto Alegre. Em São Paulo, foram atingidas as cidades de Osasco, Americana, São Roque e São José dos Campos. No Paraná, a capital Curitiba foi alvo da operação. Em Goiás, a cidade de Goiânia teve três locais vistoriados.

A Ficco catarinense informou que novas informações e detalhes mais profundos sobre a operação serão divulgados ao longo da manhã, à medida que os mandados forem cumpridos e os bens bloqueados forem detalhados. A operação marca mais um capítulo na guerra contra o tráfico e suas ramificações econômicas, com foco não apenas na repressão policial, mas na asfixia financeira das engrenagens criminosas.

Especialistas em segurança pública apontam que operações como essa são essenciais para enfraquecer a base estrutural das organizações criminosas, uma vez que visam o lucro ilícito que sustenta as redes de tráfico. Sem os recursos, as facções perdem sua capacidade de corromper, intimidar e operar com impunidade.

A ação reforça a necessidade de um sistema judiciário célere e eficaz, além de políticas públicas que ampliem a presença do Estado em regiões vulneráveis à influência do crime organizado. Enquanto os traficantes se reinventam com tecnologia, empresas de fachada e articulação interestadual, o aparato repressivo do Estado precisa agir com inteligência, rapidez e integração, como demonstrado na “Operação É Tetra”.

A expectativa é que, com o avanço das investigações, novos desdobramentos possam ocorrer, incluindo prisões, quebras de sigilo bancário e fiscal, além do aprofundamento de vínculos entre as facções e outros setores eventualmente corrompidos.

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