O ano de 2025 tem se mostrado desafiador para a saúde pública em Mato Grosso do Sul, que registra um crescimento significativo no número de casos de dengue e chikungunya. Segundo o boletim epidemiológico da 31ª semana, divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde (SES) nesta sexta-feira (8), o Estado contabiliza 13.682 casos prováveis de dengue, dos quais 7.709 foram confirmados por meio de exames laboratoriais e critérios clínicos. A dengue já provocou 17 mortes confirmadas, enquanto outras sete vítimas ainda aguardam investigação para a confirmação da causa.
A distribuição dos casos indica um cenário que varia entre municípios com baixa incidência e aqueles que concentram óbitos. Nioaque, Taquarussu, Caracol, Ivinhema, Mundo Novo, Brasilândia, Ribas do Rio Pardo, Sonora, Cassilândia, Bataguassu, Paranaíba, Aquidauana, Corumbá, Três Lagoas, Dourados e a capital Campo Grande registraram redução da incidência nas últimas duas semanas, sugerindo que medidas locais podem estar surtindo efeito para o controle do vetor Aedes aegypti. No entanto, os óbitos se concentraram em municípios como Inocência, Três Lagoas, Nova Andradina, Aquidauana, Dourados, Ponta Porã, Coxim, Iguatemi, Paranhos, Itaquiraí, Água Clara, Miranda, Aparecida do Taboado, Ribas do Rio Pardo e Campo Grande. Entre as vítimas fatais, seis apresentavam comorbidades, o que agrava a vulnerabilidade ao vírus.
A Secretaria de Saúde destaca a importância da vacinação para frear a propagação e reduzir a gravidade dos casos. Até o momento, foram aplicadas 181.578 doses da vacina contra a dengue em Mato Grosso do Sul, dentro do grupo prioritário de crianças e adolescentes entre 10 e 14 anos, 11 meses e 29 dias — faixa etária considerada mais suscetível a hospitalizações em decorrência da doença. O Ministério da Saúde já enviou 241.030 doses para o Estado, garantindo o esquema vacinal completo, que inclui duas doses com intervalo de três meses entre elas.
Paralelamente à dengue, a chikungunya também preocupa as autoridades de saúde sul-mato-grossenses. Foram notificados 13.646 casos prováveis, com 6.756 confirmações oficiais registradas no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). A doença já causou 16 mortes, incluindo casos entre gestantes, sendo identificados 70 registros neste grupo específico. Os óbitos foram confirmados em municípios como Dois Irmãos do Buriti, Vicentina, Naviraí, Terenos, Fátima do Sul, Dourados, Sidrolândia, Glória de Dourados, Maracaju e Iguatemi. Dentre os falecidos, doze tinham comorbidades associadas, o que dificulta a recuperação e intensifica o quadro clínico.
Frente a essa situação, a SES reforça que a automedicação pode ser perigosa e recomenda que qualquer pessoa com sintomas compatíveis procure imediatamente atendimento em unidades de saúde. Entre os sintomas comuns estão febre alta, dores articulares intensas, manchas vermelhas na pele, dor de cabeça e cansaço extremo. A prevenção continua sendo a principal arma contra a proliferação dos mosquitos transmissores: eliminação de focos, uso de repelentes, manutenção de ambientes limpos e vigilância comunitária são essenciais para evitar novos casos.
O impacto dessas doenças transcende o âmbito da saúde individual, afetando diretamente a capacidade de atendimento do sistema público e provocando reflexos sociais e econômicos significativos. A mobilização das autoridades, aliada ao engajamento da população, torna-se fundamental para frear o avanço da dengue e chikungunya em Mato Grosso do Sul, evitando novas mortes e aliviando a pressão sobre os serviços de saúde.
Confira os boletins:
Boletim Epidemiológico Dengue SE 31- 2025
Boletim Epidemiológico Chikungunya SE 31 – 2025
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