Mato Grosso do Sul, 2 de julho de 2026
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Alta da inflação em julho chega a 0,26% com pressão da energia elétrica; alimentos registram queda pelo segundo mês consecutivo

IPCA acumula 5,23% em 12 meses e segue acima do teto da meta; aumento nas tarifas de luz contrabalançado pela redução nos preços dos alimentos
IPCA foi pressionado pela bandeira vermelha na conta de luz
IPCA foi pressionado pela bandeira vermelha na conta de luz

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, fechou o mês de julho com alta de 0,26%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (12) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado representa uma aceleração em relação a maio, quando o índice registrou 0,24%, e evidencia a pressão exercida principalmente pela alta na conta de luz residencial, que refletiu o vigoroso impacto da bandeira tarifária vermelha aplicada ao consumo de energia.

Em contraste, o grupo alimentos e bebidas apresentou queda pelo segundo mês consecutivo, o que colaborou para segurar o ritmo inflacionário e evitar um crescimento mais expressivo do IPCA em julho. No ano passado, no mesmo mês, a inflação havia alcançado 0,38%, indicando que o cenário atual é de desaceleração, apesar de ainda distante da meta estabelecida pelo governo.

A inflação acumulada em 12 meses até julho chega a 5,23%, cifra que permanece acima do teto da meta oficial, que é de 4,5% (considerando uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual em torno da meta central de 3%). Este indicador está acima do limite máximo desde setembro de 2024, quando atingiu 4,42%. O ápice recente ocorreu em abril, com 5,53%, embora a taxa de julho represente uma leve queda em relação aos 5,35% do fechamento de junho.

A principal responsável pela elevação do índice mensal foi a energia elétrica residencial, que registrou aumento de 3,04%, ocasionando o maior impacto individual no IPCA, de 0,12 ponto percentual. Este aumento foi consequência direta da vigência da bandeira tarifária vermelha patamar 1, vigente desde junho, que acrescenta uma cobrança adicional de R$ 4,46 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, destinada a financiar usinas termelétricas em razão da baixa nos reservatórios das hidrelétricas. Além disso, reajustes nas contas de energia em grandes capitais como São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Rio de Janeiro também exerceram pressão regional sobre o índice nacional.

De janeiro a julho, a energia elétrica residencial acumula alta de 10,18%, um patamar elevado para o período, recorde desde 2018, quando o aumento foi de 13,78%. Esta variação supera em muito o IPCA acumulado no mesmo intervalo, que foi de 3,26%.

No âmbito dos alimentos, o grupo registrou recuo de 0,27% em julho, gerando um alívio de 0,06 ponto percentual no índice geral. Trata-se da maior queda mensal desde agosto de 2024, quando houve retração de 0,44%. A baixa foi puxada pela alimentação no domicílio, com destaque para quedas expressivas nos preços da batata-inglesa (-20,27%), cebola (-13,26%) e arroz (-2,89%). Em junho, o grupo também já havia registrado baixa, de 0,18%. Segundo o gerente da pesquisa do IBGE, Fernando Gonçalves, se os alimentos não tivessem apresentado queda, a inflação de julho teria atingido 0,41%.

Além dos alimentos, outros dois grupos registraram deflação no mês: vestuário, que caiu 0,54%, e comunicação, com redução de 0,09%. Já os grupos habitação, transportes, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação e artigos de residência apresentaram alta em julho, contribuindo para a inflação do período.

No grupo transportes, a alta de 0,35% foi influenciada principalmente pelo aumento nas passagens aéreas, que subiram 19,92%, motivadas pela maior demanda durante as férias escolares. Contudo, os combustíveis seguiram em trajetória de queda, com baixa de 0,64% pelo quarto mês consecutivo, puxada pela redução no preço da gasolina, que recuou 0,51%.

Outro destaque de inflação veio do grupo despesas pessoais, cuja pressão veio dos jogos de azar, especificamente pelo reajuste de 11,17% nas loterias, configurando o terceiro maior impacto individual no IPCA do mês.

Sobre o impacto da recente guerra comercial entre Brasil e Estados Unidos, Gonçalves destacou que o resultado de julho ainda não reflete eventuais efeitos do chamado “tarifaço” imposto pelos EUA, cuja alíquota de 50% sobre produtos brasileiros entrou em vigor em agosto. Ele ponderou que, em princípio, esse movimento pode provocar uma queda nos preços internos devido ao aumento da oferta, mas alertou que os efeitos reais dependem da capacidade do mercado nacional de absorver a produção não exportada.

O IPCA mede o custo de vida para famílias com renda mensal entre um e 40 salários mínimos, sendo coletado em 16 capitais e regiões metropolitanas do país, incluindo Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Goiânia e Campo Grande, entre outras.

O cenário inflacionário permanece desafiador para as famílias brasileiras, principalmente diante do impacto da energia elétrica, que compromete parcelas significativas do orçamento doméstico. A queda nos preços dos alimentos, embora positiva, ainda não é suficiente para compensar integralmente as pressões inflacionárias em outras áreas.

Diante deste contexto, a expectativa é que as autoridades econômicas adotem medidas para conter a alta nos custos essenciais, especialmente energia, enquanto acompanham atentamente os desdobramentos do comércio internacional e seus reflexos na economia nacional.

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