A noite de terça-feira, 12 de agosto, foi marcada pela tragédia e pelo medo na Rua Paoco, no Bairro Alves Pereira, em Campo Grande. Um incêndio de grandes proporções destruiu uma casa abandonada e tirou a vida de um homem não identificado, encontrado carbonizado em um dos cômodos. O episódio trouxe à tona uma antiga denúncia dos moradores: o imóvel, sem dono aparente desde a morte de sua proprietária há quatro anos, se transformou em um ponto de receptação de objetos furtados, abrigo para pessoas em situação de rua e local de consumo de drogas.
Segundo os vizinhos, a situação se arrasta desde 2020, quando a residência ficou abandonada. Desde então, criminosos passaram a utilizá-la como um entreposto para guardar produtos de roubo e furto, antes de encaminhá-los para outros pontos da cidade. Apesar das tentativas de acionar as autoridades, muitos moradores confessam que evitam registrar boletins de ocorrência com medo de represálias por parte dos envolvidos.
Na noite da tragédia, o clima de tensão foi substituído pelo desespero quando, por volta das 22h, estalos altos vindos do interior do imóvel chamaram a atenção de quem estava em casa. Logo depois, começaram os gritos de socorro. Moradores relataram que, ao sair para verificar, viram as chamas se espalhando rapidamente. A intensidade do fogo e o risco de desabamento impediram qualquer tentativa de resgate. Poucos minutos depois, a voz da vítima se calou.
O Corpo de Bombeiros chegou rapidamente ao local e conteve as chamas, mas já era tarde. No interior, encontraram o corpo carbonizado, sem sinais aparentes de violência como perfurações ou ferimentos provocados por arma de fogo. A perícia preliminar aponta para a possibilidade de que o incêndio tenha sido provocado por uma fogueira improvisada, provavelmente acesa para aquecer o ambiente devido às baixas temperaturas registradas nos últimos dias.
Moradores afirmam que o homem já havia sido visto abrigando-se na residência desde o início do inverno. Entretanto, sua identidade permanece desconhecida. Segundo relatos, o imóvel é frequentemente ocupado por usuários de drogas e pessoas em situação de rua, o que aumenta a insegurança no bairro.
A Polícia Militar, a Polícia Civil e a Perícia Técnica estiveram no local e iniciaram as investigações para apurar as circunstâncias da morte e a origem do incêndio. Apesar da tragédia, o caso reacendeu a cobrança da comunidade por providências mais efetivas para coibir a criminalidade e evitar que imóveis abandonados continuem a servir de abrigo para atividades ilícitas.
Enquanto aguardam respostas das autoridades, os moradores convivem com o temor de que novas tragédias ocorram. Para eles, a morte do homem carbonizado não foi apenas um acidente, mas o resultado previsível de anos de descaso, abandono e omissão no enfrentamento de problemas que já eram conhecidos.
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