Ponta Porã — Jackson Luiz Caye, de 45 anos, foi preso em sua residência em Ponta Porã, cidade da fronteira com o Paraguai, durante ação da Polícia Civil de Mato Grosso e do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Dourados. Ele é investigado por integrar um complexo esquema de lavagem de dinheiro oriundo do tráfico de drogas, movimentando recursos principalmente de substâncias sintéticas. Vendedor autônomo de suplementos e funcionário de academia, Jackson não ofereceu resistência à prisão, que foi determinada pelo Núcleo de Inquéritos Policiais de Cuiabá por meio de mandado de prisão preventiva.
A operação, denominada Datar, cumpriu 67 ordens judiciais contra integrantes de uma organização criminosa que utilizava empresas de fachada para ocultar e movimentar valores ilícitos. Investigadores apontam que o grupo, que atuava entre Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e São Paulo, movimentou pelo menos R$ 185 milhões ligados ao comércio de drogas. Entre os líderes do esquema estão dois DJs conhecidos em Cuiabá, Diego de Lima Datto e Patrick Noro de Castro, ambos presos durante a operação. Outros quatro investigados tiveram a prisão decretada, sendo três capturados e um ainda foragido.
O histórico de Jackson Luiz Caye reforça a gravidade do caso. Em junho de 2017, quando cursava medicina em Pedro Juan Caballero, no Paraguai, ele foi detido transportando 400 munições de diversos calibres, 60 quilos de maconha, dois revólveres calibre 38 e oito frascos de anabolizantes de uso proibido no Brasil. Na ocasião, conduzia um veículo Agile com placas de Mato Grosso, abordado por policiais do Departamento de Operações de Fronteira (DOF) na MS-162, em Maracaju. No carro, ainda foram encontrados R$ 700 em notas falsas. Jackson afirmou que o veículo já estava preparado para transporte de substâncias ilícitas até Campo Grande.
Além da prisão de Jackson, a operação também cumpriu mandados de busca e apreensão contra Vinicius Curvo Nunes, superintendente de Tecnologia da Informação da Assembleia Legislativa de Mato Grosso. Nunes é sócio de um bar em Cuiabá e teve movimentações financeiras relacionadas aos integrantes da quadrilha, embora não tenha sido alvo de prisão preventiva.
Durante as diligências, foram cumpridas 14 buscas domiciliares, 19 bloqueios de contas bancárias e o sequestro de 16 veículos. As investigações revelaram um sistema sofisticado de ocultação de patrimônio, envolvendo empresas de fachada usadas para legitimar recursos obtidos com a venda de drogas, principalmente sintéticas, e transferências financeiras entre Estados. O nome da operação, Datar, simboliza o fechamento da investigação anterior, iniciada após a prisão do líder Patrick Noro de Castro em 2019, e remete à palavra espanhola “fechar”.
O caso evidencia a complexidade da lavagem de dinheiro associada ao tráfico de drogas, destacando a necessidade de cooperação entre Estados e instituições. As autoridades reforçam que o combate a organizações criminosas exige investigação aprofundada, análise de movimentações financeiras e ações coordenadas entre delegacias especializadas, Ministério Público e Judiciário, garantindo responsabilização penal e proteção da sociedade.
Mulheres e homens que desconfiam de atividades criminosas ou enfrentam ameaças podem acionar as forças de segurança pelos canais de denúncia. Em Mato Grosso do Sul, a Polícia Civil disponibiliza atendimento pelo 197 e pelo Disque Denúncia Nacional 181, mantendo sigilo e segurança para as vítimas. O envolvimento de figuras públicas e empresários nas operações evidencia a abrangência e o risco das quadrilhas, reforçando a importância da denúncia e da atuação preventiva das autoridades.
#OperacaoDatar #PontaPora #LavagemDeDinheiro #PoliciaCivil #CrimeOrganizado #TráficoDeDrogas #MatoGrossoDoSul #SegurancaPublica #Investigacao #MandadoDePrisao #SIG #Justica