O dólar iniciou a semana em alta frente ao real, acompanhando o movimento de valorização da moeda norte-americana no cenário internacional. A elevação refletiu, sobretudo, a aversão ao risco dos investidores, em meio às crescentes incertezas geopolíticas e à expectativa pelo simpósio econômico de Jackson Hole, nos Estados Unidos, considerado um dos principais eventos anuais da política monetária global.
Nesta segunda-feira, o dólar à vista fechou em alta de 0,66%, cotado a R$ 5,4352. Na B3, às 17h11, o contrato de dólar futuro para o primeiro vencimento subia 0,73%, sendo negociado a R$ 5,453. Ao longo do dia, a moeda atingiu máxima de R$ 5,4403, às 14h05, e mínima de R$ 5,4013 logo após a abertura.
No câmbio comercial, a moeda encerrou a R$ 5,435 tanto na compra quanto na venda. Já no turismo, o dólar foi cotado a R$ 5,419 para compra e R$ 5,599 para venda.
O fortalecimento da divisa foi influenciado pelo aumento da demanda global por ativos considerados mais seguros, em meio ao impasse diplomático nas negociações entre os presidentes dos Estados Unidos e da Rússia, Donald Trump e Vladimir Putin, realizadas na última sexta-feira. O encontro, que buscava um caminho para encerrar a guerra na Ucrânia, terminou sem acordos concretos.
Apesar dos discursos de aparente avanço por ambas as partes, não houve entendimento sobre cessar-fogo ou medidas práticas para encerrar o conflito. A ausência de resultados efetivos trouxe de volta a percepção de incerteza aos mercados, ampliando a procura pelo dólar.
Durante esta segunda-feira, os investidores acompanharam ainda a reunião entre Trump e o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy. O norte-americano tentou persuadir o líder ucraniano a aceitar um possível acordo de paz, sugerindo que os Estados Unidos poderiam apoiar a Europa na garantia de segurança ao país em troca da retomada das negociações. Trump também afirmou esperar por um futuro encontro trilateral com Putin e Zelenskiy, mas não apresentou prazos ou propostas concretas.
Analistas destacam que a oscilação do dólar esteve diretamente ligada às expectativas criadas na semana anterior. “O dólar abriu já com viés de alta, consolidando o movimento ao longo do dia diante da agenda geopolítica. Como o encontro entre Trump e Putin não trouxe acordos, o mercado devolve o otimismo anterior em forma de ajuste”, explicou Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital.
O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas internacionais, avançava 0,29%, atingindo 98,116 pontos.
Além da conjuntura internacional, o mercado também se mantém atento à condução da política monetária norte-americana. O simpósio de Jackson Hole, previsto para o fim desta semana, deverá trazer o aguardado discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell. O evento poderá definir o rumo das expectativas sobre a taxa de juros dos Estados Unidos. Caso Powell adote um tom mais rígido em relação à inflação, há possibilidade de reversão da tendência recente de fraqueza global do dólar, que vinha sendo pressionado por apostas de corte nos juros já em setembro.
No Brasil, o cenário interno também adiciona elementos de volatilidade. O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva segue tentando negociar a suspensão da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, mas as conversas ainda não avançaram. Pela manhã, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, declarou que os norte-americanos propõem soluções consideradas “constitucionalmente impossíveis” do ponto de vista brasileiro.
O Banco Central, por sua vez, atuou no mercado cambial, vendendo 35 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em setembro de 2025, em operação de rolagem.
Combinando pressões externas e desafios internos, o dólar manteve trajetória de valorização e reforçou o clima de cautela entre investidores. Para os próximos dias, o foco dos mercados permanece dividido entre as sinalizações geopolíticas no leste europeu e o discurso de Powell em Jackson Hole, que poderá determinar o ritmo da política monetária global nos próximos meses.
#DólarHoje #MercadoFinanceiro #Economia #FederalReserve #Câmbio #Brasil #EUA #Geopolítica #GuerraNaUcrânia #JeromePowell #Trump #Investimentos