A cidade de Bonito, reconhecida mundialmente por suas belezas naturais e pelo turismo sustentável, se tornou também palco de um grande encontro cultural na noite de quarta-feira (20), quando teve início mais uma edição do Festival de Inverno. A abertura oficial reuniu tradição, inovação e emoção em uma programação que destacou tanto os talentos de Mato Grosso do Sul quanto grandes nomes da música brasileira.
O evento foi iniciado no palco Sol e seguiu no palco Lua com o projeto Canta Bonito, idealizado pelo músico e produtor cultural Kalu Carvalho, cuja proposta central é oferecer espaço de visibilidade para artistas autorais do estado. As bandas Rock Sellers, As Máquinas do Seu Antônio, Mataguew e Mulheres de Quinta apresentaram ao público estilos diversos que passaram por rock regional, tributo a Ney Matogrosso e um espetáculo de percussão que trouxe forte identidade sul-mato-grossense.
De acordo com Kalu Carvalho, a inserção de bandas locais representa não apenas um espaço de valorização artística, mas também uma estratégia de fortalecimento do turismo cultural e da economia local. “O Festival tem tomado uma proporção significativa, valorizando não apenas os músicos, mas a cidade como um todo, impulsionando comércio, hotelaria e serviços, além de consolidar Bonito como referência cultural”, afirmou.
A participação das famílias também se tornou um retrato do impacto do festival. Ernando Jaques, pai do baterista da Rock Sellers, destacou a emoção em ver o filho no palco de um evento de grande porte. “É emocionante ver a dedicação dele reconhecida nesse nível. O festival representa um incentivo fundamental para quem sonha viver da música”, disse. Rute Savalo, mãe de outro jovem músico, reforçou o sentimento de expectativa e orgulho diante da oportunidade.
Após a mostra regional, a noite ganhou novo ritmo com a entrada do Maestro Spok, pernambucano reconhecido como um dos principais representantes do frevo contemporâneo. Sua orquestra apresentou uma fusão de frevo, jazz e MPB, transformando a atmosfera em uma verdadeira celebração popular. A mistura de improvisos jazzísticos com a cadência do frevo resultou em um espetáculo que levou o público a cantar e dançar em plena praça pública.

O ápice da noite ocorreu com a entrada de Elba Ramalho, que retornou a Bonito pela quarta vez. A cantora paraibana percorreu clássicos de sua trajetória como “Gostoso Demais”, “Eu Só Quero Um Xodó” e “De Volta Pro Aconchego”, além de homenagear ícones como Luiz Gonzaga, Zé Ramalho e Alceu Valença. A parceria com Spok também proporcionou um momento especial com a execução de “A Praieira”, em referência ao movimento manguebeat e à memória de Chico Science, reforçando a diversidade cultural presente na abertura.
Elba destacou a relevância do festival para a integração cultural. “Bonito é um lugar mágico, cheio de história e de belezas naturais. Estar aqui, em um evento que valoriza tanto a tradição quanto a inovação musical, é motivo de grande alegria. Nossa parceria com Spok fortalece essa ligação entre o Nordeste e outras regiões do país, mostrando a universalidade da música brasileira”, declarou.
O Festival de Inverno de Bonito, que segue até 24 de agosto, reafirma sua proposta de integrar múltiplas linguagens artísticas, fortalecendo não apenas a cena musical, mas também as manifestações de teatro, dança, artes visuais e literatura. A cada edição, o evento consolida sua imagem como um dos maiores encontros culturais do Centro-Oeste, projetando artistas locais para o cenário nacional e fortalecendo o turismo cultural como política pública.
Entre os espectadores, histórias pessoais se entrelaçaram à programação. O casal Rui Rubim e Tânia Cyles, de Campo Grande, escolheu o festival para celebrar 45 anos de namoro. A comemoração em meio ao show de Elba Ramalho simbolizou o caráter comunitário e afetivo do evento, que extrapola a música e se torna espaço de memória, celebração e identidade coletiva.
O Festival de Inverno de Bonito, portanto, iniciou sua edição de 2025 com uma noite que uniu o regional e o nacional, o tradicional e o contemporâneo, reafirmando o poder da cultura como elo de transformação social e econômica.
O evento prossegue com extensa programação até o dia 24, com shows, oficinas, mostras e atividades que mobilizam moradores, turistas e artistas de diversas regiões do país. A agenda completa pode ser acessada no portal da Fundação de Cultura de Mato Grosso do Sul.
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