A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, por meio da Delegacia Especializada em Repressão aos Crimes contra as Relações de Consumo (Decon), deflagrou nesta quarta-feira (21) a Operação Galeno, que resultou na prisão de um farmacêutico responsável pela farmácia Morena Farma, localizada no Bairro Moreninhas II, em Campo Grande. A investigação, que durou mais de um ano, identificou a venda clandestina de medicamentos restritos, como emagrecedores e anabolizantes, além de uma rede de distribuição que utilizava grupos fechados de aplicativos de mensagens para atrair clientes.
Ao todo, foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão em diferentes pontos da capital sul-mato-grossense, incluindo residências, estabelecimentos comerciais, distribuidoras e até mesmo a sede da AACC (Associação dos Amigos da Criança com Câncer), alvo de forma acessória. No endereço da farmácia investigada, a Polícia encontrou medicamentos estocados de maneira irregular, sem condições adequadas de conservação, produtos sem nota fiscal, anabolizantes e até alimentos vencidos.
De acordo com o delegado responsável pela operação, Wilton Vilas Boas, a gravidade da situação vai além da simples venda sem prescrição médica. “Constatou-se que havia várias medicações estocadas em sua residência e também em seu veículo, sem a devida adequação de temperatura ou armazenamento, comprometendo a eficácia e tornando-os impróprios para consumo”, afirmou.
O farmacêutico foi autuado em flagrante e uma ordem judicial determinou seu afastamento imediato das atividades no estabelecimento. A ação também contou com apoio do Conselho Regional de Farmácia (CRF), que acompanhou as diligências e reforçou a importância de medidas severas contra a comercialização ilegal de produtos que oferecem risco direto à saúde da população.

A investigação apontou que os suspeitos utilizavam grupos de WhatsApp como meio principal para intermediar negociações, driblando a fiscalização e mantendo um fluxo contínuo de clientes. A prática, segundo a Polícia, configura crime contra as relações de consumo, falsificação e comércio ilegal de substâncias sujeitas a controle especial.
A defesa do investigado declarou que irá recorrer das medidas aplicadas e tentará reverter a suspensão do funcionamento da farmácia, alegando que parte dos produtos possuía nota fiscal e que a documentação do alvará sanitário será renovada.
A AACC, em nota oficial, esclareceu que a operação não tem ligação direta com a instituição e que o alvo da investigação foi um colaborador em caráter pessoal. “Confirmamos que um colaborador da instituição foi alvo da operação. O mandado de busca e apreensão foi cumprido em sua residência e, de forma acessória, também na sede da AACC/MS. Esclarecemos que a investigação em questão não guarda qualquer relação com a instituição ou suas atividades, tratando-se de assunto de caráter estritamente pessoal do referido colaborador”, afirmou a entidade.
O caso reacende o debate sobre a vulnerabilidade do sistema de fiscalização sanitária no país e os riscos da circulação de medicamentos de procedência duvidosa, vendidos sem orientação médica. Especialistas em saúde alertam que o uso indiscriminado de anabolizantes e emagrecedores pode causar danos irreversíveis, como problemas hepáticos, cardiovasculares e hormonais.
A Operação Galeno segue em andamento e novas diligências devem ser realizadas para identificar a extensão da rede de comercialização ilegal, bem como outros possíveis envolvidos no esquema. O episódio reforça a necessidade de atenção redobrada dos consumidores, que devem evitar adquirir medicamentos fora de canais oficiais, sob risco de colocar a própria saúde em perigo.
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