Mato Grosso do Sul, 22 de junho de 2026
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Dólar fecha em R$ 5,47 e mostra estabilidade diante de pressões internas e externas

Moeda brasileira registra leve alta após oscilações limitadas, apoiada pelo elevado diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos e cenário global de incertezas econômicas

O dólar à vista encerrou a sessão desta quinta-feira cotado a R$ 5,4771, registrando leve alta de 0,08% frente ao real. O movimento da moeda, marcado por variações em faixa estreita, reflete o equilíbrio entre pressões externas, como a perspectiva de política monetária nos Estados Unidos, e fatores internos, principalmente o elevado diferencial de juros que favorece o real e estratégias de investimento em carry trade.

O mercado global acompanha atentamente a evolução das políticas do Federal Reserve, enquanto investidores se preparam para o discurso do presidente do banco central americano, Jerome Powell, no simpósio econômico de Jackson Hole. Um dia antes do evento, dados da pesquisa PMI da S&P Global surpreenderam ao indicar que o setor industrial dos Estados Unidos retomou o crescimento em agosto, diminuindo a expectativa de cortes nas taxas de juros em setembro de 84% para 70%, segundo dados da LSEG.

“O cenário da economia norte-americana é bastante complexo e incerto. Ainda não entendemos totalmente as mudanças em curso, e o discurso de Powell será decisivo para avaliar o balanço de riscos”, afirmou Leonel Mattos, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.

O índice do dólar, que mede o desempenho da moeda americana frente a uma cesta de seis divisas, avançou 0,44%, atingindo 98,660. Apesar da pressão externa, o real mostrou resistência, apoiado pelo diferencial de juros. A taxa Selic, atualmente em 15%, tem sido mantida elevada pelo Banco Central, garantindo atratividade ao investimento na moeda nacional e reduzindo o impacto de flutuações cambiais abruptas.

Marcelo Bacelar, gestor de portfólio da Azimut Brasil Wealth Management, destacou: “O câmbio não vem sofrendo impactos significativos, mesmo diante de riscos externos e internos. O custo de apostar contra o real é elevado por conta do diferencial de juros, oferecendo proteção à moeda.”

Entre os fatores internos, o mercado acompanha as repercussões do impasse comercial entre Brasil e Estados Unidos, especialmente após a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, que vetou a aplicação de leis estrangeiras sobre cidadãos brasileiros em atos cometidos no país. A medida gerou apreensão sobre possíveis retaliações americanas, incluindo impacto nas operações de bancos nacionais e na negociação de tarifas, como a de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre determinados produtos.

Durante a sessão, o dólar atingiu máxima de R$ 5,4953 (+0,41%) e mínima de R$ 5,4667 (-0,11%). No mercado futuro, o contrato de dólar de primeiro vencimento subiu 0,05%, cotado a R$ 5,493 na venda, refletindo expectativa de volatilidade controlada. O Banco Central realizou operações de swap cambial tradicional, vendendo 35.000 contratos para rolagem de vencimento em 1º de setembro de 2025, mantendo liquidez e estabilidade no mercado.

O desempenho do dólar nesta quinta-feira evidencia a complexidade da interação entre fatores globais e domésticos. Enquanto a economia americana apresenta sinais de crescimento no setor industrial, o Brasil mantém políticas monetárias robustas que equilibram o real frente a cenários de incerteza internacional e tensões comerciais.

O mercado segue atento aos desdobramentos do discurso de Jerome Powell, às possíveis reações comerciais entre Brasil e Estados Unidos, e à continuidade da política de juros elevada no país, elementos que continuarão a influenciar a cotação do dólar nos próximos dias.

Cotação do dólar:

Dólar comercial – Compra: R$ 5,477 | Venda: R$ 5,477
Dólar turismo – Compra: R$ 5,501 | Venda: R$ 5,681

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