Mato Grosso do Sul, 26 de junho de 2026
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Polícia Federal sugere vigilância permanente com policiais dentro da residência de Jair Bolsonaro

Direção da PF aponta riscos de fuga e defende monitoramento presencial como forma de garantir cumprimento da prisão domiciliar
Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR)
Jair Bolsonaro (Foto: Alan Santos/PR)

A Polícia Federal elevou o tom de preocupação sobre o monitoramento do ex-presidente Jair Bolsonaro ao sugerir, em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal, que uma equipe de policiais permaneça em vigilância contínua dentro da residência do ex-mandatário. A medida, considerada excepcional, foi defendida pelo diretor-geral da instituição, Andrei Rodrigues, como a única capaz de assegurar a efetividade da prisão domiciliar e evitar possíveis tentativas de fuga.

O ofício, encaminhado nesta terça-feira ao ministro Alexandre de Moraes, responde à decisão anterior do magistrado que determinou a presença de agentes da Polícia Penal do Distrito Federal nas proximidades da casa de Bolsonaro. A medida buscava reforçar a vigilância sem expor indevidamente o réu ou gerar perturbações à vizinhança. Entretanto, para a direção da PF, essa estratégia não seria suficiente para impedir manobras de evasão.

Segundo Andrei Rodrigues, a tornozeleira eletrônica, atualmente utilizada por Bolsonaro, depende do sinal de operadoras de telefonia para transmitir os dados de monitoramento. Em caso de falhas na conexão, qualquer violação só seria percebida após o restabelecimento do sistema, criando uma janela de tempo considerada perigosa para uma possível fuga. Além disso, o chefe da PF destacou a necessidade de um controle rigoroso sobre veículos que entram e saem do condomínio, o que poderia gerar desconforto e até mesmo questionamentos sobre a eficácia do acompanhamento.

Como reforço à sua argumentação, Rodrigues lembrou que já existem precedentes judiciais que autorizaram medidas semelhantes em outros casos de prisão domiciliar. O exemplo citado foi o do juiz aposentado Nicolau dos Santos Neto, que em 2004 cumpriu medida semelhante sob custódia da própria Polícia Federal, por ordem do Superior Tribunal de Justiça.

O diretor-geral informou ainda que a PF já estabeleceu diálogo com a Polícia Penal Federal para que ambas as corporações atuem de forma coordenada no monitoramento do ex-presidente. O objetivo, segundo o ofício, seria garantir que nenhuma brecha colocasse em risco a efetividade da decisão judicial e a credibilidade das medidas impostas.

Após a manifestação da Polícia Federal, o ministro Alexandre de Moraes encaminhou o caso à Procuradoria-Geral da República para análise. Ainda não foi estabelecido prazo para que o procurador-geral Paulo Gonet se manifeste sobre o pedido, que deverá avaliar a pertinência e a proporcionalidade da adoção de vigilância interna no imóvel de Bolsonaro.

O episódio reforça o clima de tensão em torno do processo que envolve o ex-presidente, cuja conduta e movimentações seguem sob rígida observação das autoridades judiciais e policiais. A proposta da PF sinaliza um endurecimento das medidas de controle, revelando preocupações concretas sobre riscos de descumprimento das condições impostas e sobre a necessidade de preservar a integridade do processo judicial em curso.

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