Mato Grosso do Sul consolidou-se como uma das unidades federativas com melhor desempenho social e econômico do Brasil, de acordo com o Ranking de Competitividade dos Estados 2025, divulgado em Brasília pelo CLP (Centro de Liderança Pública). O levantamento mostra que o estado ocupa a 3ª colocação nacional entre os que apresentam menor percentual de pessoas vivendo abaixo da linha de pobreza, definida pelo governo federal como renda per capita inferior a R$ 218 mensais.
Os números revelam que apenas 1,79% da população sul-mato-grossense encontra-se nessa condição, índice inferior à média nacional e que coloca o estado atrás apenas de Santa Catarina (1,65%) e Rio Grande do Sul (1,74%). O resultado é reflexo direto de programas de transferência de renda, qualificação de mão de obra e fortalecimento das políticas públicas de assistência social.
Estrutura de políticas sociais
O desempenho está ligado principalmente ao programa Mais Social, coordenado pela Secretaria de Estado de Assistência Social e dos Direitos Humanos (Sead), que beneficia mais de 38 mil famílias com repasses mensais de R$ 450, garantindo segurança alimentar e condições mínimas de mobilidade social. O benefício pode ser utilizado para compra de alimentos, gás de cozinha e produtos de higiene e limpeza, sendo vetada a aquisição de bebidas alcoólicas ou tabaco.
Outro pilar que reforça os índices é a busca ativa realizada pelo governo, que já identificou mais de 4 mil famílias em situação de vulnerabilidade nos 79 municípios do estado. O objetivo é ambicioso: tornar Mato Grosso do Sul a primeira unidade da federação a erradicar a extrema pobreza.
Histórias como a da indígena Ana Farias Jose, moradora da aldeia Água Funda, em Campo Grande, mostram o impacto direto do programa. “Esse cartão vem num momento bom porque a gente precisa bastante. Muitas vezes ficávamos sem comida, sem ter o que colocar na mesa. Agora sei que não passaremos fome”, relatou.

Qualificação e geração de renda
Aliado às políticas de transferência de renda, o governo estadual tem investido em formação profissional. A parceria entre a Sead e a Funtrab (Fundação do Trabalho de Mato Grosso do Sul), por meio do programa MS Qualifica, tem levado cursos gratuitos a beneficiários do Mais Social, ampliando as oportunidades de geração de renda e empreendedorismo.
Em Ponta Porã, por exemplo, o jovem Alex Divino da Cruz participou do curso “Bolo de Pote” e já planeja transformar o aprendizado em fonte de sustento. “Meu objetivo é empreender. Quero aprender cada vez mais e construir meu futuro com o que estou conquistando aqui”, afirmou.
O programa MS Supera, também da Sead, destina um salário mínimo mensal a 1.856 estudantes de baixa renda, garantindo que possam frequentar cursos técnicos ou universitários em instituições públicas e privadas, fortalecendo o chamado “capital humano” do estado.
Desempenho no Capital Humano
O Ranking de Competitividade avaliou 100 indicadores distribuídos em 10 pilares. Em Capital Humano, Mato Grosso do Sul apresentou evolução significativa, saltando da 17ª posição em 2023 para a 2ª colocação em 2025, ficando atrás apenas de Santa Catarina.
Entre os destaques, o estado lidera nacionalmente no menor número de pessoas desocupadas de longo prazo (dois anos ou mais). Além disso, ocupa a 6ª posição no índice de população economicamente ativa com ensino superior completo e avançou para a 9ª colocação no quesito qualificação da mão de obra.
Crescimento sustentável e desafios
Apesar dos avanços, especialistas apontam que os desafios permanecem, sobretudo no equilíbrio entre crescimento econômico e inclusão social. Para manter e ampliar resultados, o estado precisará fortalecer investimentos em educação de base, inovação tecnológica e diversificação produtiva.
Ainda assim, os números apresentados no Ranking de Competitividade evidenciam que Mato Grosso do Sul tem se consolidado como um dos modelos nacionais de gestão pública, combinando políticas sociais com visão estratégica de desenvolvimento.
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