O dólar encerrou a terça-feira, 9 de setembro, em alta no mercado brasileiro, refletindo a combinação de fatores externos e internos que mantêm os investidores em clima de cautela. A valorização da moeda norte-americana ocorreu em sintonia com seu desempenho no cenário internacional, ao mesmo tempo em que agentes financeiros monitoravam atentamente o julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF), acusado de tentativa de golpe de Estado.
No Brasil, o dólar à vista subiu 0,34%, encerrando o dia cotado a R$ 5,4361, após oscilar entre R$ 5,4144 e R$ 5,4411 ao longo das negociações. No acumulado de 2025, a divisa ainda registra queda de 12,02%. No mercado futuro, o dólar para outubro fechou em R$ 5,4640, em alta de 0,23%.
No câmbio comercial, a moeda norte-americana foi negociada a R$ 5,435 para compra e R$ 5,436 para venda. Já no turismo, a cotação variou entre R$ 5,463 na compra e R$ 5,643 na venda.
Fatores externos pressionam o câmbio
No exterior, o dólar apresentou alta frente a uma cesta de seis moedas globais, registrando avanço de 0,42%, aos 97,809 pontos. A moeda também subiu contra a maioria das divisas internacionais, embora tenha recuado em relação ao peso chileno e ao peso mexicano.
A principal variável observada pelos mercados foi a revisão dos dados de emprego nos Estados Unidos. O levantamento apontou que a geração de vagas formais em 12 meses até março foi significativamente menor do que o reportado anteriormente. Essa revisão aumenta a expectativa de que o Federal Reserve reduza as taxas de juros em breve, em resposta a sinais de desaceleração econômica.
Segundo analistas, essa possibilidade reforça a busca de investidores por proteção em ativos considerados mais seguros, como o dólar, gerando impacto direto sobre moedas emergentes, incluindo o real.
Impacto do cenário político brasileiro
No ambiente doméstico, a atenção se concentrou na retomada do julgamento de Jair Bolsonaro no STF. O relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, abriu a sessão votando pela condenação do ex-presidente e de outros sete réus, acusados de conspirar para um golpe de Estado. Na sequência, o ministro Flávio Dino acompanhou o voto pela condenação, reforçando o clima de tensão política.
Especialistas em câmbio destacaram que a possível condenação de Bolsonaro pode gerar impactos adicionais sobre a relação entre Brasil e Estados Unidos, sobretudo após a decisão do governo de Donald Trump, em julho, de impor tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Segundo o economista Thiago Avallone, da Manchester Investimentos, “a cautela predomina, já que o julgamento pode influenciar novos posicionamentos do governo americano em relação ao Brasil”.
Expectativa com dados da inflação
Além das tensões políticas e externas, o mercado acompanhava a expectativa pela divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de agosto, prevista para esta quarta-feira. O indicador oficial da inflação no país poderá balizar os próximos passos da política monetária do Banco Central, influenciando a trajetória do câmbio nas próximas semanas.
Durante a manhã, o Banco Central brasileiro ofertou 40 mil contratos de swap cambial tradicional em operação de rolagem, absorvidos integralmente pelo mercado. A medida buscou assegurar liquidez e suavizar oscilações mais bruscas da moeda, que mesmo assim manteve tendência de valorização moderada.
Perspectivas para o câmbio
Analistas avaliam que, no curto prazo, o dólar deve continuar sujeito à volatilidade, refletindo tanto a conjuntura política brasileira quanto os movimentos da economia internacional. A combinação de fatores, como a revisão dos dados de emprego nos EUA, a expectativa de cortes de juros pelo Federal Reserve, o julgamento de Bolsonaro e as tensões comerciais com Washington, deve manter o real sob pressão.
Para investidores, a recomendação é de cautela, sobretudo diante de possíveis desdobramentos políticos que podem alterar o cenário cambial de forma repentina.
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