Um episódio de violência política marcou a Universidade Federal do Paraná (UFPR) nesta semana, envolvendo diretamente a filha do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin. Melina Girardi Fachin, diretora do Setor de Ciências Jurídicas da UFPR, foi alvo de agressão verbal e física por um homem que a chamou de “lixo comunista” e a cuspiu enquanto ela circulava pelo campus. O caso reacende o debate sobre a segurança de docentes e estudantes em instituições públicas e a escalada de ataques contra pessoas ligadas ao Judiciário e à defesa da democracia.
O incidente ocorreu apenas dias após uma tentativa de invasão ao prédio histórico do curso de Direito da UFPR, na terça-feira (9). O vereador bolsonarista Guilherme Kilter e o advogado Jeffrey Chiquini tentaram ingressar no local mesmo após o cancelamento de uma palestra que questionava o STF, em plena semana em que o tribunal julgava o ex-presidente Jair Bolsonaro e outros sete réus por tentativa de golpe de Estado. Centenas de estudantes bloquearam a entrada, impedindo a passagem dos dois, e o confronto escalou quando tentaram forçar a entrada de maneira desrespeitosa.
Segundo nota do Setor de Ciências Jurídicas, “mesmo após o cancelamento e a orientação expressa da vice-direção para que não ingressassem no prédio, os palestrantes forçaram sua presença no espaço”. A universidade acrescentou que a intervenção de forças de segurança pública ocorreu sem acionamento institucional, resultando em atuação considerada desproporcional por parte dos agentes no prédio histórico da UFPR.
Embora não estivesse presente durante a confusão, Melina Fachin foi notificada judicialmente por Kilter, que responsabiliza a docente pelo cancelamento do evento e anunciou processo também contra o reitor da UFPR, Marcos Sunye. O episódio evidencia um padrão de perseguição política e judicialização de conflitos acadêmicos que atinge docentes e gestores das universidades públicas.
Professora da UFPR desde 2012, Melina Fachin é doutora em Direito Constitucional, referência em direitos humanos e colunista do jornal Plural. Ela é irmã de Camila Fachin, atual vice-reitora da universidade. O marido de Melina, advogado Marcos Gonçalves, repudiou publicamente o ataque, afirmando que a violência sofrida pela esposa representa “todos aqueles que protagonizam atos de provocação, tumulto e desrespeito às instituições, desafiando a ordem democrática”.
O caso levanta preocupações sobre o ambiente acadêmico e a liberdade de expressão, mostrando como episódios de violência política podem extrapolar disputas ideológicas e atingir diretamente pessoas vinculadas a instituições de Estado. Especialistas em direitos humanos e segurança universitária destacam que ataques como este não apenas põem em risco a integridade física de docentes, mas também comprometem a autonomia universitária e o direito ao debate crítico.
A UFPR reforçou medidas de segurança no campus e reafirmou que seguirá garantindo a proteção de docentes, estudantes e servidores. O episódio gerou repercussão nacional, reacendendo o debate sobre a necessidade de políticas públicas e ações judiciais mais rigorosas para coibir ataques de caráter político e ideológico em instituições de ensino.
O ataque a Melina Fachin também evidencia a polarização política crescente no país, refletida no confronto direto entre setores da sociedade que defendem posições extremadas e aqueles que buscam manter a ordem institucional e o respeito às normas democráticas.
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