Israel anunciou nesta terça-feira, 16 de setembro, o início de uma ampla operação terrestre na Cidade de Gaza, maior centro urbano do território palestino. A ação, classificada pelo ministro da Defesa, Israel Katz, como o momento em que “Gaza está em chamas”, marca uma das etapas mais críticas do conflito, intensificado desde os ataques de outubro de 2023.
De acordo com as Forças de Defesa de Israel (IDF), as tropas receberam a missão de desmantelar a infraestrutura do Hamas, que mantém redutos estratégicos dentro da capital do território. Ao mesmo tempo, milhares de moradores foram orientados a deixar suas casas e seguir em direção ao sul, em áreas consideradas humanitárias por Tel Aviv.
Bombardeios e avanço terrestre
A operação acontece após dias de bombardeios intensificados sobre a região. Explosões sucessivas destruíram dezenas de imóveis, incluindo prédios residenciais e estruturas comerciais. Tanques avançaram pelas áreas periféricas da cidade, enquanto navios da Marinha israelense reforçaram os ataques pela costa, em apoio às investidas aéreas.
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, em meio ao seu julgamento por corrupção, declarou que a tomada da Cidade de Gaza representa um passo decisivo para derrotar o Hamas. Ele reiterou que o grupo não terá qualquer papel no futuro do território palestino.
Apoio dos Estados Unidos e impasse diplomático
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que esteve em Israel no dia 15, manifestou apoio público às ações israelenses. Embora Washington mantenha o discurso oficial de buscar uma solução diplomática para o conflito, Rubio afirmou que “é preciso estar preparado para o cenário em que o cessar-fogo não se concretize”.
Segundo ele, a exigência de Tel Aviv é clara: o Hamas deve depor as armas e libertar todos os reféns ainda mantidos em Gaza, estimados em cerca de 20 pessoas vivas.
Situação da população civil
A ofensiva já provocou uma nova onda de deslocamento em massa. Estimativas israelenses indicam que 320 mil pessoas conseguiram deixar a cidade, enquanto outras 650 mil permanecem presas entre as ruínas e sob bombardeios constantes. Caravanas de civis seguem em direção ao sul carregando seus pertences, em condições precárias e sem garantias de sobrevivência.
As Nações Unidas e organizações internacionais denunciam que as condições nos campos de refugiados são críticas, com falta de alimentos, medicamentos e infraestrutura mínima. O Ministério da Saúde de Gaza afirma que mais de 64 mil palestinos morreram desde o início da guerra, enquanto entidades humanitárias alertam para o risco de fome generalizada em partes do território.
Reféns e pressão interna
A condução da ofensiva gera forte pressão política dentro de Israel. Famílias de reféns protestaram em frente à residência oficial de Netanyahu em Jerusalém, criticando a intensificação dos ataques. Para elas, a estratégia do governo coloca em risco a vida de seus entes queridos.
O chefe do Estado-Maior de Israel, general Eyal Zamir, chegou a cobrar do primeiro-ministro que considere a possibilidade de um cessar-fogo negociado, temendo que a operação em áreas densamente povoadas possa se tornar uma armadilha para as tropas e comprometer a libertação dos reféns.
Contexto da guerra
O conflito atual remonta ao ataque surpresa lançado pelo Hamas em outubro de 2023, quando cerca de 1.200 israelenses foram mortos e 251 pessoas feitas reféns. Desde então, Israel vem conduzindo ofensivas militares sistemáticas, afirmando ter o objetivo de destruir a capacidade política e militar do Hamas. Atualmente, as forças israelenses já controlam cerca de 75% do território de Gaza.
Enquanto a operação terrestre avança, o cenário se agrava para a população civil. As ruas da Cidade de Gaza, já devastadas por meses de combates, voltam a ser palco de um confronto direto entre tropas israelenses e militantes palestinos, em meio à incerteza quanto ao futuro da região e à ausência de perspectivas concretas para um acordo de paz.
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