Os corpos dos quatro homens que estavam desaparecidos desde o início de agosto, após se deslocarem até Icaraíma, no noroeste do Paraná, para cobrar uma dívida milionária, foram localizados na madrugada desta sexta-feira (19) em uma área rural do município. O achado, confirmado pela secretaria de Segurança Pública do Paraná, encerra um período de 44 dias de buscas intensas que mobilizaram equipes da Polícia Civil, Polícia Científica e familiares.
As vítimas foram identificadas como Robishley Hirnani de Oliveira, Rafael Juliano Marascalchi, Diego Henrique Afonso e Alencar Gonçalves de Souza, este último responsável por intermediar a negociação que teria motivado o desaparecimento. Todos foram encontrados em uma vala próxima à região conhecida como Mata do Tenente, a poucos quilômetros do local onde, dias antes, o veículo utilizado pelo grupo já havia sido encontrado enterrado.
Segundo a perícia inicial, os corpos apresentavam perfurações por arma de fogo, o que reforça a hipótese de execução. Os pertences pessoais das vítimas também foram abandonados junto aos cadáveres, indício de que os criminosos não tinham interesse em ocultar rastros materiais, mas sim em eliminar as testemunhas de uma cobrança considerada incômoda.
O caso da dívida que terminou em tragédia
A investigação aponta que a origem do crime está em uma dívida de R$ 255 mil referente à venda de uma fazenda em agosto de 2023. O negócio envolvia a família de Antônio Buscariollo, de 66 anos, e seu filho, Paulo Ricardo Costa Buscariollo, de 22 anos, que até hoje não teriam quitado o valor da negociação. Para pressionar o pagamento, Alencar levou consigo os três homens de São José do Rio Preto, em São Paulo, para ajudá-lo na cobrança.
O grupo esteve na propriedade rural nos dias 4 e 5 de agosto, mas desapareceu em seguida. O alerta de desaparecimento foi feito no dia 6, quando familiares perderam contato com todos. Desde então, buscas foram iniciadas em diferentes pontos do município, ganhando novo fôlego a partir do dia 12 de setembro, quando o Fiat Toro branco usado pelos homens foi encontrado enterrado, com marcas de tiros e sangue.
No dia seguinte, policiais apreenderam também um Fiat Strada adulterado, que estaria vinculado a um dos suspeitos. Embora o condutor não fosse diretamente ligado ao desaparecimento, foi detido por adulteração de placas, e o veículo recolhido para perícia.

Suspeitos e mandados de prisão
A Justiça já havia expedido mandados de prisão contra Antônio e Paulo Ricardo Buscariollo, considerados os principais suspeitos de envolvimento no crime. Ambos permanecem foragidos. A propriedade rural da família, localizada a poucos quilômetros de onde o carro foi enterrado, é um dos pontos centrais da investigação.
O delegado Thiago Andrade, responsável pelo caso, afirmou que a prioridade agora é organizar e analisar as evidências já reunidas para consolidar a linha de investigação. “Essa fase de buscas acabou. Agora é aprofundar a coleta de provas e chegar a uma conclusão que possa ser apresentada de forma sólida à Justiça”, destacou.
Impacto e desdobramentos
O caso gerou grande repercussão no Paraná e em São Paulo, principalmente pela brutalidade do crime e pelo tempo prolongado em que as famílias viveram sem respostas. As circunstâncias do desaparecimento e a forma como os corpos foram encontrados indicam que houve planejamento e execução deliberada.
As investigações devem avançar para identificar outros possíveis envolvidos na ocultação dos cadáveres, no enterramento do veículo e no fornecimento de apoio logístico aos suspeitos. O Ministério Público do Paraná acompanha o caso e deverá se manifestar nos próximos dias sobre possíveis novas medidas judiciais.
Enquanto a Polícia Civil reforça a caçada aos suspeitos foragidos, familiares das vítimas preparam os funerais após mais de um mês de incertezas e sofrimento. O desfecho, ainda que trágico, trouxe respostas a uma espera angustiante, mas deixa em aberto um dos capítulos mais violentos dos últimos anos na região noroeste do Paraná.
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