Mato Grosso do Sul, 6 de junho de 2026
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Imasul intensifica vigilância sobre rios e alerta para desafios da segurança hídrica em Mato Grosso do Sul

Sala de Situação mantém monitoramento diário, aponta melhora parcial em 2025, mas reforça necessidade de atenção diante da estiagem recorrente e dos efeitos das mudanças climáticas
Rio Paraguai ao pôr do sol entre Corumbá e Porto Jofre
Rio Paraguai ao pôr do sol entre Corumbá e Porto Jofre

O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) tem ampliado esforços para garantir a segurança hídrica do estado por meio do acompanhamento contínuo das condições dos principais rios. Desde 2014, a Sala de Situação dos Rios reúne dados em tempo real sobre as bacias hidrográficas, permitindo que o poder público antecipe ações e adote medidas de prevenção diante de cenários de estiagem, cheias e alterações climáticas que afetam diretamente o abastecimento humano, a agricultura e a biodiversidade.

O sistema de monitoramento, que começou com 13 pontos de observação distribuídos em diferentes regiões, ganhou reforço em 2023 com a inclusão de um novo ponto de coleta de dados. A ampliação fortaleceu a capacidade de análise técnica e a rapidez na resposta a situações críticas, consolidando a Sala de Situação como referência nacional em gestão hídrica.

Entre as principais atividades do setor está a produção de boletins diários que informam cotas fluviais, variações de nível e tendência de comportamento dos rios. Essas informações têm sido fundamentais para orientar órgãos estaduais, prefeituras e até produtores rurais, que dependem da regularidade hídrica para garantir tanto a produção agrícola quanto a preservação ambiental.

Comparativo revela melhora parcial em 2025

A análise das cotas de 17 de setembro mostra que, em 2025, os rios de Mato Grosso do Sul apresentam situação menos crítica do que a registrada em 2024. O destaque positivo é o rio Paraguai, que mantém maior volume de água em relação ao ano anterior. Apesar disso, afluentes importantes desse rio ainda registram estiagem, assim como alguns cursos d’água localizados na bacia do rio Paraná, exigindo acompanhamento constante.

O diretor-presidente do Imasul, André Borges, reforça a importância do trabalho diário da Sala de Situação para subsidiar decisões estratégicas. “O monitoramento hidrológico é um instrumento essencial para planejar ações de segurança hídrica. A informação gera responsabilidade, possibilitando que o poder público atue de forma preventiva e minimize riscos, especialmente em um contexto de mudanças climáticas”, destacou.

Tendência de baixa nas cotas desde 2019

Os dados históricos do monitoramento revelam que, desde 2019, os rios vêm registrando cotas mais baixas durante o mês de setembro. Pontos estratégicos de medição, como Ladário e Porto Murtinho, no rio Paraguai, evidenciam essa tendência, ligada diretamente à redução do regime de chuvas nos últimos anos.

O técnico do Imasul, Leandro Neri Bortoluzzi, explica que os levantamentos demonstram fragilidade crescente do sistema hídrico. “Embora 2025 traga uma melhora em relação a 2024, a situação ainda é delicada. Temos observado reduções constantes nas cotas, reflexo da irregularidade das chuvas. A recuperação depende de precipitações regulares e de equilíbrio no ciclo hidrológico, algo que precisa ser monitorado permanentemente”, observou.

Impactos sociais, econômicos e ambientais

A oscilação nos níveis dos rios em Mato Grosso do Sul traz impactos que vão além da gestão ambiental. Em períodos de estiagem prolongada, comunidades ribeirinhas sofrem com dificuldades de acesso à água potável, enquanto a navegação fluvial é comprometida, afetando o transporte de mercadorias e insumos.

A agropecuária, principal motor econômico do estado, também sente os efeitos diretos da instabilidade hídrica. A redução da vazão dos rios limita a irrigação, pressiona os custos de produção e coloca em risco a segurança alimentar. Ao mesmo tempo, o desequilíbrio impacta ecossistemas inteiros, como o Pantanal, que depende da variação natural das cheias e secas para manter sua biodiversidade.

Perspectivas e desafios para 2026

Com a chegada do final do período seco em setembro, as atenções se voltam para os próximos meses, quando as chuvas devem definir a situação para 2026. Caso as precipitações ocorram de forma regular, será possível recompor parcialmente a capacidade das bacias hidrográficas. No entanto, especialistas alertam que as mudanças climáticas podem trazer padrões de instabilidade mais frequentes, exigindo novas estratégias de gestão.

O Imasul avalia que o fortalecimento da Sala de Situação e o uso de dados técnicos de alta precisão continuarão sendo fundamentais para o planejamento hídrico. A expectativa é de que, além do acompanhamento das cotas, sejam implementadas políticas integradas envolvendo conservação de nascentes, reflorestamento de matas ciliares e educação ambiental para reduzir os riscos e ampliar a resiliência frente às oscilações do regime climático.

Mato Grosso do Sul, diante de sua posição estratégica e de sua riqueza em recursos hídricos, carrega a responsabilidade de preservar esse patrimônio natural não apenas para garantir a produção e o abastecimento humano, mas também para proteger o equilíbrio ambiental de regiões vitais como o Pantanal e a bacia do Paraná.

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