Mato Grosso do Sul, 22 de junho de 2026
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Dólar mantém alta pelo quarto dia seguido e fecha a R$ 5,33 em meio a tensões políticas e temor de novas sanções dos Estados Unidos

Investidores ajustam posições diante da agenda econômica no Brasil e no exterior, enquanto sanções norte-americanas contra autoridades brasileiras e familiares de Alexandre de Moraes elevam a cautela no mercado
Traders monitoram desdobramentos da intervenção dos EUA na Venezuela
Traders monitoram desdobramentos da intervenção dos EUA na Venezuela

O dólar encerrou a sessão desta segunda-feira em alta frente ao real, acumulando o quarto dia consecutivo de valorização e refletindo um cenário de maior cautela entre investidores. A moeda norte-americana avançou 0,33%, cotada a R$ 5,3380 no mercado à vista, após ter alcançado a máxima de R$ 5,3675 no fim da manhã.

A escalada ocorreu na contramão do movimento global, já que o índice dólar que mede o desempenho da divisa em relação a uma cesta de seis moedas fortes registrava queda de 0,40% no mesmo período. O fator interno, marcado pelo peso de tensões políticas e pelas incertezas ligadas às sanções impostas pelos Estados Unidos, foi determinante para a pressão sobre a moeda brasileira.

No câmbio comercial, o dólar fechou o dia sendo negociado a R$ 5,353 para compra e R$ 5,354 para venda. Já no segmento de turismo, a cotação oscilou entre R$ 5,372 na compra e R$ 5,552 na venda.

A notícia de que o governo norte-americano decidiu sancionar Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, foi um dos gatilhos para a intensificação da alta da moeda durante a manhã. O anúncio, feito com base na Lei Magnitsky, incluiu também o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, entidade ligada à família.

O episódio reacendeu preocupações quanto à possibilidade de retaliações mais amplas contra a economia brasileira. Além das sanções direcionadas a pessoas físicas, circulou a informação de que vistos diplomáticos de autoridades, entre elas o advogado-geral da União, Jorge Messias, teriam sido revogados.

O mercado interpretou o gesto de Washington como parte de uma escalada que pode se desdobrar em medidas de maior impacto econômico. Vale lembrar que, em julho, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia anunciado tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, justificando a decisão como reação política às condenações do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal.

A conjuntura ganha ainda mais peso em razão da agenda da semana. Na terça-feira, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva discursará na Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, com expectativa de um possível encontro com Trump. A reunião, se confirmada, ocorre em um momento em que investidores acompanham atentamente os desdobramentos diplomáticos.

Internamente, a atenção se volta para a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para esta terça-feira, e para a divulgação do IPCA-15 e do Relatório de Política Monetária, ambos previstos para quinta-feira. Os indicadores devem ajudar a calibrar as expectativas sobre os próximos passos do Banco Central em relação à taxa básica de juros.

No campo político, falas do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, também repercutiram nos negócios. Haddad defendeu que o fortalecimento do arcabouço fiscal depende de diálogo político com o Congresso para ajustes de regras. Já Motta afirmou que a proposta de isenção de Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil poderá ser votada já na próxima semana.

Para analistas, o movimento de alta do dólar reflete uma combinação de fatores técnicos e políticos. “Havia espaço para correção, porque a moeda estava relativamente barata em relação a outras divisas. A tensão adicional trazida pelo anúncio das sanções ampliou a aversão ao risco e reforçou o movimento defensivo dos investidores”, avaliou Jefferson Rugik, diretor da Correparti Corretora.

A expectativa é de que a volatilidade continue nos próximos dias, em função do acúmulo de eventos que podem impactar tanto o cenário doméstico quanto o internacional. A percepção de risco político e a possibilidade de novas medidas restritivas vindas de Washington devem seguir como elementos de pressão sobre a moeda brasileira no curto prazo.

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