Mato Grosso do Sul, 4 de junho de 2026
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Brasil destina US$ 1 bilhão ao Fundo de Florestas Tropicais para Sempre e Lula convoca países a seguirem o exemplo

Presidente confirma aporte inicial de US$ 1 bilhão, destaca protagonismo brasileiro na proteção ambiental e convoca parceiros internacionais a aderirem ao mecanismo multilateral que será lançado oficialmente na COP 30 em Belém

O Brasil oficializou um gesto inédito na política ambiental internacional ao anunciar a destinação de US$ 1 bilhão ao Fundo de Florestas Tropicais para Sempre (Tropical Forests Forever Fund – TFFF). O anúncio foi feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta terça-feira (23), na sede das Nações Unidas, em Nova York, durante a reunião preparatória que antecede a COP 30, marcada para novembro em Belém do Pará.

A iniciativa, liderada pelo Brasil desde a COP 28 em Dubai, pretende criar um mecanismo financeiro multilateral voltado à preservação de florestas tropicais, considerado por especialistas um dos maiores patrimônios ecológicos da humanidade. Mais de 70 países em desenvolvimento com cobertura florestal poderão ser contemplados com os recursos, desde que mantenham políticas de conservação sustentadas por monitoramento satelital e transparência na gestão dos investimentos.

Ao discursar, Lula ressaltou a dimensão histórica do compromisso. “O Brasil vai liderar pelo exemplo e se tornar o primeiro país a se comprometer com um aporte ao fundo. Estamos destinando US$ 1 bilhão e convidamos os demais parceiros a contribuírem de forma igualmente ambiciosa para que o TFFF entre em operação já na COP 30, na Amazônia sul-americana. Mais do que proteger um bioma, esta é uma ação para garantir a vida na Terra”, declarou.

Estrutura e funcionamento do fundo

O TFFF funcionará como um mecanismo híbrido, reunindo recursos públicos e privados. Os governos que aderirem como investidores júnior assumirão parte dos riscos para atrair capital sênior do setor privado. A expectativa inicial é mobilizar até US$ 25 bilhões em aportes soberanos, capazes de alavancar cerca de US$ 100 bilhões adicionais em investimentos privados.

Segundo projeções apresentadas durante a reunião, o fundo poderá garantir aproximadamente US$ 4 bilhões anuais para ações de conservação ambiental, um montante quase três vezes superior ao que hoje é destinado globalmente à proteção das florestas tropicais.

Os países participantes deverão apresentar relatórios anuais comprovando o cumprimento das metas de desmatamento, que não poderá ultrapassar 0,5% da cobertura florestal total. O monitoramento será realizado por satélite, modelo já adotado pelo Brasil por meio do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Cada país poderá receber até US$ 4 por hectare conservado. O cálculo considera um universo de mais de 1,1 bilhão de hectares de florestas tropicais distribuídos entre 73 nações em desenvolvimento.

Povos indígenas e comunidades tradicionais

Uma das diretrizes centrais do TFFF é a obrigatoriedade de destinar pelo menos 20% dos recursos diretamente a povos indígenas e comunidades tradicionais. Para Lula, essa cláusula representa o reconhecimento do papel histórico desses grupos na proteção das florestas. “Direcionar parte desses recursos significa oferecer condições adequadas a quem sempre cuidou de nossos bosques e matas. O fundo vai articular conservação, uso sustentável dos recursos e justiça social”, destacou o presidente.

Apoio internacional e adesão de países

Até o momento, seis países com grandes áreas de florestas tropicais já aderiram formalmente à proposta: Brasil, Colômbia, Gana, República Democrática do Congo, Indonésia e Malásia. Do lado dos potenciais investidores, cinco nações participam das negociações: Alemanha, França, Noruega, Reino Unido e Emirados Árabes Unidos.

Diplomatas envolvidos nas tratativas afirmam que o anúncio brasileiro fortalece o poder de barganha da iniciativa. “Com o Brasil assumindo um compromisso financeiro concreto, o fundo deixa de ser uma proposta abstrata e passa a ter condições reais de operação”, destacou um representante europeu.

Impacto para a política ambiental global

O anúncio acontece em um momento de pressão crescente por medidas mais efetivas contra o desmatamento e a crise climática. Florestas tropicais, como a Amazônia, desempenham papel crucial na regulação do clima, na preservação da biodiversidade e no equilíbrio hídrico global. Especialistas apontam que o mecanismo pode inaugurar uma nova etapa de financiamento climático, baseada na premissa de que manter a floresta em pé deve ser economicamente mais vantajoso do que a exploração predatória.

No Brasil, o Ministério do Meio Ambiente projeta que os recursos poderão reforçar programas como o Bolsa Verde, a Política Nacional de Pagamento por Serviços Ambientais e iniciativas de bioeconomia, além de apoiar novas políticas públicas de combate ao desmatamento ilegal.

Lula encerrou sua participação enfatizando que o compromisso é também uma mensagem política: “Estamos diante de um chamado civilizatório. Preservar as florestas tropicais não é mais uma escolha, é uma necessidade. O Brasil demonstra, com este gesto, que é possível conciliar soberania, desenvolvimento e responsabilidade com o futuro do planeta.”

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