O cenário da saúde pública em Mato Grosso do Sul voltou ao centro do debate nesta quarta-feira, 24, durante a abertura da Frente Parlamentar em Defesa dos Profissionais da Saúde, realizada na Assembleia Legislativa e coordenada pela deputada estadual Lia Nogueira (PSDB). A iniciativa surge em resposta ao aumento dos casos de violência contra trabalhadores do setor e à crescente sobrecarga no Sistema Único de Saúde (SUS), problemas que impactam diretamente o atendimento à população e as condições de trabalho de médicos, enfermeiros e demais categorias.
O vereador Dr. Victor Rocha (PSDB), presidente da Comissão de Saúde da Câmara Municipal de Campo Grande, foi um dos principais nomes presentes no evento. Em seu pronunciamento, o parlamentar destacou a necessidade de investimentos estruturais, valorização da categoria e, sobretudo, da integração efetiva entre União, Estado e Município. Segundo ele, apenas com articulação entre os três níveis de gestão será possível reduzir gargalos históricos da rede pública.
Dr. Victor Rocha ressaltou que mais de 70 mil pessoas aguardam na fila por cirurgias, consultas e exames especializados somente em Campo Grande. A ausência de leitos, a falta de medicamentos e a fragilidade da atenção básica foram apontados como pontos críticos. “O cidadão não pode esperar indefinidamente por um procedimento essencial. Planejamento, investimento e valorização profissional precisam ser prioridade. A população que depende exclusivamente do SUS sofre e o poder público tem a obrigação de agir de forma conjunta e organizada”, afirmou.
Em sua fala, o vereador citou o trabalho realizado pela Casa Rosa, projeto social que coordena na Capital. A iniciativa conseguiu zerar a fila de consultas e biópsias de mama, servindo como exemplo de gestão eficiente e resolutiva. “Quando há organização e foco em resultados, os avanços aparecem. A Casa Rosa mostrou que é possível reduzir filas, dar agilidade e aliviar o sofrimento de pacientes. Essa experiência precisa ser ampliada para outras áreas da saúde”, declarou.

A deputada Lia Nogueira, coordenadora da Frente Parlamentar, destacou que o espaço será permanente e voltado à construção de soluções concretas. “Nosso objetivo é reunir dados, ouvir especialistas e propor políticas públicas capazes de garantir mais segurança, dignidade e valorização para quem está na linha de frente todos os dias. A saúde de qualidade depende, antes de tudo, de profissionais respeitados e protegidos”, afirmou.
A Frente Parlamentar em Defesa dos Profissionais da Saúde atuará de maneira contínua, promovendo debates, reunindo informações técnicas e cobrando ações tanto do poder público quanto de entidades representativas. A pauta inclui não apenas a proteção contra agressões, mas também melhores condições de trabalho, valorização salarial, ampliação de programas de qualificação e políticas de retenção de profissionais em áreas mais carentes.
A criação da Frente ocorre em um momento em que os desafios da saúde pública se tornam ainda mais evidentes diante do aumento da demanda e da pressão sobre hospitais e unidades básicas. Além das dificuldades operacionais, o Brasil enfrenta uma carência crescente de mão de obra especializada, situação que exige não apenas investimentos financeiros, mas também planejamento estratégico e integração entre todas as esferas de governo.
O debate inaugurado em Mato Grosso do Sul reforça a necessidade de se avançar em políticas públicas que tratem a saúde como prioridade absoluta. A valorização dos profissionais, a melhoria da estrutura de atendimento e a segurança no ambiente de trabalho não são apenas demandas de categoria, mas condições indispensáveis para assegurar o direito à saúde previsto na Constituição e esperado pela população que depende exclusivamente do SUS.
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