Mato Grosso do Sul, 2 de julho de 2026
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Receita Federal intercepta navios com combustíveis irregulares e amplia investigações na Operação Cadeia de Carbono

Ação integrada com a Marinha e a ANP retém milhões de litros de óleo diesel e toneladas de insumos químicos, reforçando o combate às fraudes no setor energético e à sonegação fiscal
Operação Cadeia de Carbono — Foto: Divulgaçã/oReceita Federal
Operação Cadeia de Carbono — Foto: Divulgaçã/oReceita Federal

A Receita Federal do Brasil intensificou nesta sexta-feira (26) a Operação Cadeia de Carbono, ação de grande porte voltada para o combate a fraudes e irregularidades no setor de combustíveis. A segunda fase da ofensiva, realizada em conjunto com a Marinha do Brasil e com apoio da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), resultou na retenção de cargas de mais dois navios estrangeiros que transportavam combustíveis e insumos químicos. Com isso, já são quatro embarcações interceptadas em pouco mais de uma semana de investigações.

Nesta etapa, foram retidos cerca de 91 milhões de litros de óleo diesel importado, avaliados em aproximadamente R$ 290 milhões, além de 115 toneladas de compostos químicos utilizados como aditivos para combustíveis. As cargas, destinadas a recintos alfandegados no Rio de Janeiro e em São Paulo, estão sob perícia técnica, que vai analisar composição, origem e características dos produtos. O objetivo é verificar se atendem aos padrões exigidos e se a importação ocorreu dentro da legalidade.

As investigações preliminares apontam para um complexo esquema de ocultação de informações e fraudes tributárias. Empresas importadoras teriam utilizado sucessivas emissões de notas fiscais e conhecimentos de transporte para simular vendas e dificultar o rastreamento das operações. A suspeita é de que tais práticas tenham o objetivo de encobrir os reais beneficiários das cargas, além de reduzir ou até mesmo eliminar o pagamento de tributos devidos ao Estado brasileiro.

Outro ponto em análise é a consistência das informações fornecidas aos órgãos reguladores, já que existem indícios de omissões e distorções em registros sobre importação de petróleo, derivados e insumos relacionados. O fluxo financeiro das transações também está sendo rastreado para apurar a origem dos recursos utilizados e identificar eventuais operações de lavagem de dinheiro associadas ao esquema.

A ANP, responsável por acompanhar o cumprimento das normas do setor energético, verificará se refinarias envolvidas no processo cumprem determinações legais, especialmente no que diz respeito à cessão de espaço para distribuidoras. Esse ponto é considerado estratégico, pois envolve diretamente a competitividade entre empresas que atuam no abastecimento nacional.

A Marinha do Brasil, por sua vez, reforçou o monitoramento das embarcações e registrou imagens que serão utilizadas como material de apoio às investigações. A participação das Forças Armadas é considerada essencial para garantir a segurança da operação e o rastreamento das cargas desde a chegada ao litoral brasileiro.

Segundo a Receita Federal, o trabalho tem como meta principal garantir a integridade do comércio exterior, proteger a concorrência leal no setor de combustíveis e assegurar a arrecadação tributária. Especialistas alertam que esquemas de importação irregular nesse segmento podem causar prejuízos bilionários ao erário, além de distorcer preços no mercado interno, prejudicando distribuidores e consumidores finais.

O Brasil, que é um dos maiores consumidores de combustíveis da América Latina, enfrenta um desafio constante no combate a redes criminosas que buscam explorar brechas logísticas e tributárias. Operações como a Cadeia de Carbono se tornam fundamentais para reduzir o espaço de atuação dessas organizações e reforçar a credibilidade do país perante parceiros comerciais internacionais.

Com a continuidade da operação, novas ações de fiscalização devem ocorrer nos próximos dias. As autoridades garantem que não medirão esforços para identificar todos os envolvidos, desde intermediários até eventuais financiadores do esquema. A expectativa é de que as análises tragam à tona não apenas irregularidades pontuais, mas também uma rede estruturada que atua à margem da lei, com forte impacto econômico e fiscal.

Ao reforçar a ofensiva contra práticas ilícitas no setor energético, a Receita Federal transmite uma mensagem clara de que seguirá endurecendo o controle sobre importações, com foco na proteção da economia nacional, da arrecadação e da sociedade brasileira.

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