Mato Grosso do Sul, 2 de julho de 2026
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Operação da Polícia Federal abala governo Zema e respinga em políticos de Minas para a sucessão de 2026

Prisões e investigações revelam esquema de fraudes em mineração, envolvendo aliados de Pacheco, Silveira e Nikolas, e elevam pressão sobre administração estadual
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, em reunião no Planalto no governo Bolsonaro — Foto: Marcos Corrêa
O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, em reunião no Planalto no governo Bolsonaro — Foto: Marcos Corrêa

A Polícia Federal deflagrou a Operação Rejeito, revelando um esquema sofisticado de fraudes em projetos de mineração em Minas Gerais, e elevando a pressão política sobre o governador Romeu Zema. Entre os presos e investigados estão pessoas ligadas a nomes influentes na política mineira, incluindo Rodrigo Pacheco (PSD-MG), Alexandre Silveira (PSD-MG) e Nikolas Ferreira (PL-MG), todos com influência direta nos cenários eleitorais de 2026.

O esquema, conforme apontam os inquéritos da PF, geraria lucros de até R$ 18 bilhões, envolvendo empresários, políticos e diretores de órgãos estaduais e federais, que obtinham autorizações para exploração mineral em áreas originalmente proibidas mediante propinas e influência política. As irregularidades abrangem diretores da Agência Nacional de Mineração (ANM), servidores do segundo escalão do governo de Minas e ex-assessores parlamentares.

Deputados da oposição afirmam estar próximos de obter as 26 assinaturas necessárias para abrir uma CPI na Assembleia Legislativa de Minas (ALMG), acusando a administração Zema de omissão frente a denúncias anteriores. Em Brasília, a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) articula uma CPI na Câmara para investigar órgãos federais, incluindo a ANM, fortalecendo a pressão sobre o governo federal.

A Operação Rejeito atingiu servidores do segundo escalão, como Fernando Baliani, diretor Regional da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), demitido e readmitido três vezes em menos de um mês por supostos descumprimentos de deveres funcionais. Também foi alvo o ex-presidente da Feam, Rodrigo Gonçalves Franco, nomeado em novembro de 2023 por Zema e exonerado dias antes da operação, em meio a denúncias formalizadas à Controladoria-Geral do Estado (CGE).

A pressão sobre Zema ocorre em um momento delicado, já que o governador oficializou sua pré-candidatura à presidência há cerca de um mês e busca consolidar sua imagem nacional. A oposição critica decretos permissivos e reformas administrativas que fragilizaram a fiscalização ambiental, além da aparente tentativa de blindagem política contra investigações da PF.

Segundo parlamentares, a Operação expõe uma rede de corrupção que se instalou dentro da administração estadual, com ramificações em Brasília e em partidos de diferentes espectros políticos. Felipe Lombardi Martins, ex-assessor de Pacheco, foi apontado como operador financeiro da organização criminosa, atuando como “homem da mala” em transações ilegais. Sua proximidade com João Alberto Lages, ex-deputado estadual e também investigado, fortalece as ligações políticas do esquema.

O bolsonarismo também aparece no cenário, com Gilberto Horta de Carvalho identificado como articulador interinstitucional do grupo criminoso, recebendo apoio de Jair Bolsonaro e de Nikolas Ferreira. A participação em campanhas eleitorais e tentativas de concorrer a cargos institucionais, como a presidência do Crea-MG, mostram como o esquema utilizava relações políticas para consolidar sua influência.

Em nota, o governador Zema afirmou que a Controladoria-Geral do Estado já identificava suspeitas e que punirá os envolvidos. O vice-governador Mateus Simões destacou que sete servidores foram exonerados e defendeu atuação rigorosa contra a corrupção. Apesar das medidas, a situação política permanece tensa, e a CPI na ALMG ganha força como instrumento de pressão sobre o governo.

A Operação Rejeito reforça a necessidade de transparência e fiscalização na administração pública, evidenciando que a mineração, setor estratégico para Minas Gerais, continua vulnerável a fraudes e manipulações políticas, impactando não apenas a economia, mas também a credibilidade das instituições.

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