Mato Grosso do Sul, 25 de junho de 2026
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Dono de Porsche que matou motociclista tem bar interditado por suspeita de metanol em São Paulo

: Igor Sauceda, acusado de homicídio doloso, volta ao centro das investigações após fechamento do Beco do Espeto por risco de contaminação em bebidas

O Beco do Espeto também conhecido como Bar do Gaúcho localizado no Itaim Bibi, em São Paulo, foi interditado cautelarmente pelas Vigilâncias Sanitárias estadual e municipal sob suspeita de contaminação por metanol em bebidas. O dono do estabelecimento, Igor Ferreira Sauceda, de 27 anos, é o mesmo motorista que, em julho do ano passado, perseguiu e atropelou o motociclista Pedro Kaique Ventura, de 21 anos, ao volante de um Porsche. O episódio provocou uma comoção nacional e reacendeu debates sobre impunidade, responsabilidade empresarial e segurança alimentar.

Desde sua soltura, em maio deste ano por decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo, Igor havia mantido o controle sobre o bar. A interdição recai não só sobre o seu estabelecimento principal, mas também sobre três outros bares e duas distribuidoras espalhadas por bairros como Bela Vista, Jardins e Mooca, além de cidades como São Bernardo do Campo e Barueri. A medida preventiva surge em um momento de grande repercussão para sua imagem pública, já fragilizada pelo caso do atropelamento.

O Beco do Espeto emitiu nota alegando que a interdição foi motivada por denúncias infundadas e por “fake news”. Segundo o comunicado, o estabelecimento teria apresentado notas fiscais regulares e não existiriam indícios de adulteração em seus produtos. Afirmou ainda que foi obrigado a fechar as portas sem que fosse apresentada qualquer prova concreta.

Do ponto de vista sanitarista, o foco da investigação é desvendar em qual elo da cadeia distribuição, transporte, armazenamento ou mesmo fabricação teria ocorrido a adulteração com metanol, substância tóxica que, em casos graves, causa cegueira e morte. Autoridades já consideram que o bar pode ter funcionado como ponto de venda de bebidas adulteradas, mas não descartam que a adulteração tenha ocorrido em outra etapa da cadeia de fornecimento.

O contexto torna-se ainda mais grave quando se atrelam os crimes: Santa Casa do Itaim, vizinhos relataram que nas noites seguintes à interdição, servidores públicos da área de fiscalização transitavam pela região solicitando acesso às câmeras de segurança do bar e de prédios adjacentes. Em um dos casos, moradores afirmaram que rondas policiais ocorreram com maior frequência, provavelmente em busca de imagens que pudessem confirmar processos de armazenamento ou manipulação irregular de bebidas no local.

O passado recente faz da interdição um ponto sensível. Em julho de 2024, Igor Sauceda perseguia Pedro Kaique Ventura após uma discussão: o motociclista teria danificado o retrovisor do Porsche. A perseguição, registrada por câmeras, evoluiu para ação violenta. Ventura chegou a ser socorrido, mas morreu no hospital em decorrência de politraumatismo e hemorragia cerebral. A velocidade do Porsche foi estimada em 102,3 km/h em via com limite de 50 km/h.

Como réu por homicídio doloso triplamente qualificado, Sauceda teve sua liberdade concedida condicionada. Ele utiliza tornozeleira eletrônica, teve a CNH suspensa e deve informar viagens fora da capital com antecedência à Justiça. O Ministério Público contesta a liberdade do réu, alegando intenção de matar, uso de meio cruel e pedido de condenação com mais de 18 anos de prisão, além de indenização mínima aos familiares da vítima.

A interdição do bar, vinculada agora a suspeitas de risco à saúde pública, acrescenta uma nova dimensão à responsabilidade do empresário. Se comprovadas as irregularidades com metanol, ele poderá responder por crime contra a saúde pública, o que adiciona uma nova acusação ao seu histórico judicial.

O episódio lança luz sobre uma combinação explosiva: negócios alimentares irregulares associados a práticas violentas no trânsito. A confluência dessas condutas exige atuação coordenada de autoridades policiais, sanitárias e judiciais. O público aguarda, agora, mais que explicações: resultados concretos, responsabilização e garantia de que bebidas consumidas em bares estarão, de fato, seguras.

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