Mato Grosso do Sul, 1 de julho de 2026
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Nova fiscalização da ANTT eleva custos do frete da soja e impõe ajuste imediato ao setor agrícola

Medida inédita de fiscalização online e exigência de seguros pode aumentar até 15% o valor do transporte rodoviário de grãos, impactando logística e rentabilidade de produtores
Imagens - Compre Rural
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A partir de 6 de outubro, o transporte rodoviário de cargas agrícolas no Brasil passou por uma mudança significativa com a implementação do sistema de fiscalização online da tabela de frete pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). A medida, inédita em sua abrangência, representa um esforço do governo federal para dar mais transparência e rigor à aplicação da Política Nacional de Pisos Mínimos do Transporte Rodoviário de Cargas (PNPM-TRC), mas já provoca repercussões diretas no custo logístico da soja, principal commodity agrícola do país.

O novo sistema obriga transportadores a manifestarem fretes com base na tabela mínima da ANTT, o que tem gerado distorções de mercado. Segundo Matheus Moreira, diretor da Aprosoja Paraná, a tabela ainda está defasada e nem sempre condiz com a realidade das rotas, especialmente em períodos de entressafra. “Agora você tem que manifestar perante a tabela mínima, que é uma tabela com a qual nem os caminhoneiros concordam. O objetivo era garantir que eles conhecessem o piso, mas, na prática, provoca ajuste de custos imediato”, explica.

De acordo com Fernando Bastiani, pesquisador do ESALQ-LOG, 2025 registrou forte demanda para grãos, mantendo o frete elevado durante a safra. “O problema é mais crítico agora na entressafra, especialmente em rotas de longa distância, onde os valores costumavam ficar abaixo do piso. A fiscalização online corrige essas distorções, mas pressiona diretamente os custos logísticos”, afirmou Bastiani.

A tabela diferenciada por tipo de veículo e distância favorece caminhões de maior capacidade, como rodo caçambas e rodotrens de nove eixos, utilizados principalmente por grandes transportadoras e usinas. A preferência por veículos maiores acaba elevando o custo do transporte para caminhões menores, mais comuns no setor, criando um efeito de mercado que tende a encarecer o frete médio da soja.

Além da soja, o setor de fertilizantes também deve ser impactado. Bastiani alerta que os fretes de retorno, usados para transportar insumos, são historicamente 30% a 40% mais baratos do que os praticados para grãos. Com a fiscalização, os preços desses serviços devem subir, pressionando ainda mais os custos logísticos do setor.

Segundo João Batista Freitas, consultor em logística, o impacto médio no custo total do frete pode variar entre 5% e 15%, dependendo da rota, do tipo de veículo e do contrato adotado. “Quem pagava abaixo do piso agora corre risco de multa ou suspensão de registros. Isso tende a reduzir a oferta de fretes mais baratos, aumentando o custo logístico da soja e impactando diretamente a rentabilidade dos produtores”, explica.

O endurecimento da fiscalização ocorre em um momento estratégico para o Brasil, que inicia a safra 2025/26 estimada em mais de 170 milhões de toneladas de soja. Qualquer aumento de custo logístico influencia diretamente a competitividade das exportações brasileiras frente a concorrentes como Estados Unidos e Argentina. Empresas exportadoras e tradings agrícolas já estudam revisões contratuais e ajustes nos cronogramas de embarque, principalmente em períodos de pico de safra.

Outro ponto relevante é a exigência de seguros obrigatórios, como o RCTRC (Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga), RCDC (Desvio de Carga) e RCV (Veículo), que passa a ser rigorosamente aplicada. A obrigatoriedade implica que produtores e cooperativas com frota própria também contratem o seguro RCV, sob risco de suspensão do RNTRC (Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas). Essa medida aumenta a formalização das operações, mas adiciona novos custos fixos às operações logísticas.

Especialistas destacam que, embora haja aumento de custos a curto prazo, a medida tende a profissionalizar o setor, reduzir a informalidade e garantir maior previsibilidade para produtores, transportadores e empresas. A expectativa é de que, no médio prazo, o mercado se adapte, trazendo maior segurança jurídica e estabilidade nos valores de frete.

Para produtores mais distantes dos portos, a medida pode resultar em aumento direto no preço final da soja. Matheus Moreira ressalta que, sem atualização da tabela, o custo adicional será absorvido principalmente pelo produtor rural. “Do jeito que está, a fiscalização vai encarecer o transporte da soja, impactando a venda da safra”, conclui.

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