Mato Grosso do Sul, 6 de junho de 2026
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BNDES aprova R$ 100 milhões para projeto pioneiro de restauração produtiva em áreas degradadas da Amazônia e do Cerrado

Iniciativa do Grupo Belterra busca recuperar florestas, gerar renda e promover sustentabilidade em quatro estados brasileiros, com o plantio de 2,9 milhões de mudas e apoio do Fundo Clima
Cerrado é a savana mais biodiversa do mundo e se originou há pelo menos 40 milhões de anos
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O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou a aprovação de um financiamento de R$ 100 milhões para o primeiro projeto em larga escala de restauração produtiva de áreas degradadas no país, unindo preservação ambiental e desenvolvimento econômico. A iniciativa, de responsabilidade do Grupo Belterra, será implementada nos estados da Bahia, Pará, Rondônia e Mato Grosso, e prevê a recuperação de 2.750 hectares por meio de sistemas agroflorestais (SAFs) com base na produção de cacau, mandioca e banana.

O contrato foi assinado nesta sexta-feira (10), durante o seminário “BNDES Florestas do Brasil por todo o planeta”, realizado na sede do banco, no Rio de Janeiro. O evento marcou o lançamento da plataforma BNDES Florestas, que vai concentrar projetos voltados à restauração florestal e à bioeconomia, setores considerados estratégicos para o futuro sustentável do país.

O financiamento é proveniente do Fundo Clima, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e administrado pelo próprio BNDES. A proposta é impulsionar um novo modelo de desenvolvimento produtivo, no qual a restauração florestal seja acompanhada de geração de renda, inclusão social e mitigação das emissões de gases de efeito estufa.

Segundo o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, o projeto representa um avanço decisivo na política ambiental e produtiva brasileira. “Nesta operação com o Grupo Belterra, o BNDES une crédito, inovação e inclusão para transformar áreas degradadas em polos de floresta e alimento. É um modelo que mostra que a restauração ecológica também é uma oportunidade econômica para o país, promovendo emprego, renda e sustentabilidade”, destacou.

O Grupo Belterra, que atua em diferentes regiões do Brasil, será responsável pela execução do projeto e pelo acompanhamento técnico junto a pequenos e médios produtores rurais. A empresa estima o plantio de 2,9 milhões de mudas, combinando culturas agrícolas e espécies florestais em arranjos que respeitam as condições de solo e clima de cada área. O modelo busca integrar preservação e produtividade, aumentando a fertilidade da terra, reduzindo custos com insumos e estimulando cadeias agrícolas de valor agregado.

Além dos R$ 100 milhões financiados pelo Fundo Clima, o projeto conta com R$ 15 milhões de recursos próprios do Grupo Belterra e mais R$ 20 milhões aportados pelo Amazon Biodiversity Fund (ABF), fundo internacional criado em 2019 e gerido pela Impact Earth em parceria com a U.S. Agency for International Development (USAID) e o Centro Internacional de Agricultura Tropical (CIAT).

De acordo com o CEO da Belterra Agroflorestas, Valmir Ortega, a iniciativa busca superar os principais desafios de sustentabilidade enfrentados pelos pequenos agricultores. “Nosso modelo de negócio oferece soluções completas, que combinam assistência técnica, financiamento e garantia de compra da produção. Isso reduz riscos, aumenta a renda e permite que a restauração ambiental ande de mãos dadas com a prosperidade econômica”, afirmou.

Os agricultores participantes receberão apoio técnico e acesso a linhas de crédito específicas para a implantação dos sistemas agroflorestais. Além disso, terão assegurado o escoamento da produção, o que garante estabilidade financeira e segurança na transição para práticas sustentáveis.

O projeto também prevê a remoção anual estimada de 232,5 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e), possibilitando a geração de créditos de carbono. Essa dimensão ambiental reforça o papel da iniciativa no cumprimento das metas brasileiras de redução das emissões e no fortalecimento da economia verde.

O Fundo Clima, criado em 2009, é um dos principais instrumentos da Política Nacional sobre Mudança do Clima e tem como função financiar empreendimentos e estudos voltados à mitigação dos impactos ambientais. Após quatro anos de retração, o fundo foi reestruturado em 2023, ampliando o número de itens financiáveis, ajustando juros e prazos e diversificando o apoio a projetos de inovação, energias limpas e restauração florestal. Desde então, o BNDES já aprovou nove operações voltadas a florestas, totalizando R$ 963 milhões em investimentos.

O projeto do Grupo Belterra foi enquadrado na linha Florestas Nativas e Recursos Hídricos do Fundo Clima, que apoia a conservação, recuperação e gestão sustentável de ecossistemas, o uso responsável da biodiversidade e o fortalecimento da resiliência climática. O objetivo é transformar áreas degradadas em territórios produtivos e sustentáveis, promovendo equilíbrio entre o meio ambiente e a economia.

A iniciativa reflete uma nova etapa da política de desenvolvimento ambiental brasileira, em que o uso sustentável da terra se torna vetor de inclusão e prosperidade. Com o avanço de ações como essa, o Brasil reafirma seu protagonismo na agenda climática global e na transição para uma economia de baixo carbono, conciliando crescimento e preservação.

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