Mato Grosso do Sul, 22 de junho de 2026
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Preço do boi gordo volta a subir em São Paulo e Mato Grosso do Sul supera cotações paulistas

Oferta limitada e demanda firme impulsionam novas altas no mercado pecuário; médias sul-mato-grossenses se mantêm acima das paulistas pelo segundo mês consecutivo
Imagem - Compre Rural
Imagem - Compre Rural

O mercado pecuário brasileiro volta a registrar movimento de alta nos preços do boi gordo, especialmente nas praças do Estado de São Paulo, tradicional referência nacional, e de Mato Grosso do Sul, que nos últimos meses tem apresentado cotações superiores às paulistas. O avanço reforça a tendência de valorização da arroba, impulsionada por menor oferta de animais e pela firme demanda interna e externa.

O cenário desta quarta-feira (22) indica um novo reajuste nas praças de Araçatuba e Barretos, importantes polos de comercialização paulista. O boi comum passou a ser negociado a R$ 309 por arroba no pagamento a prazo, enquanto o chamado “boi China”, destinado à exportação, alcançou R$ 315 por arroba. Já as fêmeas permaneceram com valores estáveis em relação ao dia anterior.

As escalas de abate nos frigoríficos paulistas permanecem ajustadas até o final do mês, sustentadas por animais oriundos, em sua maioria, de confinamentos. Apesar da oferta controlada, a manutenção de um bom ritmo de escoamento de carne tem garantido o equilíbrio entre oferta e demanda, o que explica as recentes valorizações observadas no mercado.

O movimento de alta não se restringe ao estado de São Paulo. Reajustes também foram registrados em outras regiões do país, como o sul de Minas Gerais, Campo Grande (MS), sul e oeste da Bahia, sudoeste de Mato Grosso e Redenção (PA). Nas demais praças acompanhadas, os preços permaneceram estáveis, refletindo um mercado atento e em compasso de ajuste.

No comparativo entre estados, chama atenção a performance de Mato Grosso do Sul, que desde setembro vem mantendo médias superiores às paulistas. Na parcial de outubro, a diferença é de R$ 0,37 por arroba, e em setembro chegou a R$ 1,80. Essa inversão, incomum historicamente, é explicada pela oferta mais enxuta no estado sul-mato-grossense, que conta com menor número de animais confinados em relação a São Paulo.

Enquanto isso, em Mato Grosso, principal polo de confinamento do país, o diferencial em favor de São Paulo aumentou consideravelmente. Os bovinos paulistas estão sendo negociados com valores cerca de R$ 19 por arroba acima dos mato-grossenses, um salto expressivo em comparação aos R$ 3,95 registrados em julho, o menor valor histórico.

Desde agosto, o mercado vem mantendo uma sequência de reajustes positivos, e o padrão mais comum tem sido o alinhamento das demais regiões aos preços de São Paulo. Essa tendência reflete o momento de maior seletividade na oferta, associado à firmeza das exportações e à manutenção da procura doméstica por carne bovina.

Na Grande São Paulo, o mercado atacadista também demonstra sustentação. Mesmo em um período do mês tradicionalmente marcado por desaceleração nas vendas no varejo, os preços da carne permanecem firmes, impulsionados pelo bom desempenho das exportações, que têm reduzido a disponibilidade de produto no mercado interno.

No varejo, observou-se leve recuo apenas no corte de “ponta de agulha”, enquanto os demais cortes apresentaram aumento, sinalizando um consumo interno consistente e refletindo os preços firmes observados tanto no atacado quanto nas negociações diretas entre pecuaristas e frigoríficos.

A tendência geral indica um mercado de bovinos robusto, com valorização sustentada e expectativa de estabilidade para as próximas semanas. A combinação de oferta restrita, exportações aquecidas e consumo doméstico firme mantém o setor em ritmo de recuperação e dá sinais de que os preços seguirão em patamar elevado, consolidando o boi gordo como um dos ativos agropecuários mais valorizados do país.

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