Mato Grosso do Sul, 4 de julho de 2026
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Inflação desacelera em outubro e preços dos alimentos seguem em queda pelo quinto mês consecutivo

Combustíveis pressionam o índice, mas redução nos alimentos e energia elétrica traz alívio ao bolso do consumidor
Imagem - Folha Uol
Imagem - Folha Uol

A inflação brasileira apresentou sinais de trégua no mês de outubro, indicando uma leve desaceleração após meses de oscilação nos índices de preços. O resultado do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação oficial, registrou alta de 0,18% no mês, número inferior aos 0,48% observados em setembro. O movimento foi fortemente influenciado pela queda no preço dos alimentos e pela redução nas tarifas de energia elétrica, que compensaram parte da pressão causada pelos combustíveis.

No acumulado dos últimos 12 meses, o IPCA-15 soma 4,94%, uma leve redução em relação aos 5,32% observados no período anterior. Apesar do recuo, o índice ainda se mantém acima da meta de inflação estipulada pelo governo, que é de 3% ao ano, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Ainda assim, a tendência de desaceleração reforça a expectativa de estabilidade gradual nos preços até o fim do ano.

Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados, cinco apresentaram alta: vestuário (0,45%), despesas pessoais (0,42%), transportes (0,41%), saúde e cuidados pessoais (0,24%) e habitação (0,16%). Em contrapartida, os setores de artigos de residência (-0,64%), comunicação (-0,09%) e alimentação e bebidas (-0,02%) mostraram recuos, contribuindo para atenuar o impacto inflacionário.

O grupo de transportes foi o principal responsável pela alta do índice, influenciado pela elevação dos preços dos combustíveis, que subiram 1,16% em média, e das passagens aéreas, com aumento expressivo de 4,39%. A gasolina, item de maior peso na cesta de consumo, teve alta de 0,99%, enquanto o etanol subiu 3,09%. A pressão dos transportes, no entanto, foi parcialmente compensada pela deflação observada nos alimentos e na conta de luz.

No grupo de alimentação e bebidas, a alimentação no domicílio apresentou queda de 0,10%, marcando o quinto mês consecutivo de recuo nos preços. Produtos essenciais para o consumo das famílias, como cebola (-7,65%), ovo de galinha (-3,01%), arroz (-1,37%) e leite longa vida (-1,00%), registraram baixas significativas. Esse conjunto de reduções representa uma diminuição acumulada de quase 1% no grupo, trazendo alívio para o orçamento doméstico em um cenário ainda de recuperação econômica.

A energia elétrica residencial também contribuiu para conter a inflação, com queda de 1,09% em outubro. A redução foi resultado da mudança na bandeira tarifária, que passou do patamar vermelho 2 para o vermelho 1, diminuindo o adicional cobrado nas contas de luz. A medida, determinada pela agência reguladora do setor elétrico, reflete a melhora nas condições dos reservatórios das hidrelétricas e reduz a necessidade de acionamento das termelétricas, cuja energia tem custo mais elevado.

O comportamento do IPCA-15 reforça o papel das medidas de controle e da política monetária adotada pelo Banco Central, que mantém a taxa básica de juros em patamar elevado para conter o avanço dos preços. Ainda assim, analistas projetam que o índice oficial de inflação, o IPCA, encerrará o ano em torno de 4,7%, segundo estimativas do mercado financeiro.

O IPCA-15 é calculado com base em uma metodologia semelhante à do IPCA, diferenciando-se apenas pelo período de coleta e pela abrangência geográfica. A pesquisa considera uma cesta de produtos e serviços consumidos por famílias com rendimentos entre um e 40 salários mínimos, abrangendo 11 regiões metropolitanas do país, além de Brasília e Goiânia. A versão completa do IPCA referente ao mês de outubro será divulgada oficialmente em novembro, quando será possível avaliar de forma mais precisa a trajetória dos preços no último trimestre do ano.

O cenário atual, embora ainda pressionado em alguns segmentos, revela uma perspectiva de moderação nos preços, sustentada principalmente pela estabilidade nos alimentos e pelo comportamento favorável do setor energético. A combinação desses fatores pode indicar um fim de ano mais equilibrado para o consumidor brasileiro, com expectativa de manutenção do poder de compra e maior previsibilidade econômica.

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