Mato Grosso do Sul, 4 de julho de 2026
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Golpe da letra trocada engana consumidores na Black Friday e expõe riscos do comércio digital

Técnica de falsificação de endereços eletrônicos cria armadilhas virtuais que imitam grandes marcas e levam compradores a perdas financeiras durante o período de promoções
Prática conhecida como 'typosquatting' confunde ao criar sites falsos idênticos ao das grandes marcas
Prática conhecida como 'typosquatting' confunde ao criar sites falsos idênticos ao das grandes marcas

Com a aproximação da Black Friday 2025, o comércio eletrônico brasileiro se prepara para uma das maiores movimentações de vendas do ano. No entanto, o período que promete grandes descontos e oportunidades também traz consigo um aumento expressivo nas tentativas de fraudes virtuais. Uma das práticas mais perigosas e eficazes é o chamado golpe da letra trocada, em que criminosos criam sites falsos quase idênticos aos de grandes marcas, alterando discretamente uma letra, um domínio ou um detalhe visual, enganando até os consumidores mais atentos.

Esse tipo de golpe, conhecido tecnicamente como “typosquatting”, tem se tornado cada vez mais sofisticado. Os golpistas reproduzem logotipos, cores, fotos e até políticas de devolução, tornando os sites falsos praticamente idênticos aos originais. O objetivo é simples: capturar dados pessoais, senhas e informações financeiras de quem busca aproveitar promoções tentadoras.

Durante a semana da Black Friday, cresce de forma significativa o número de tentativas de fraudes digitais. Golpistas aproveitam o aumento do volume de compras e o senso de urgência típico das promoções relâmpago para atrair vítimas por meio de anúncios, mensagens de WhatsApp, SMS e redes sociais. Em muitos casos, o consumidor é levado a acreditar que está acessando uma loja legítima, mas, ao clicar no link, é direcionado a um domínio falso, como “.co” em vez de “.com” ou com uma pequena alteração no nome da marca.

Os criminosos exploram justamente a pressa e o entusiasmo dos consumidores durante a data. Um simples detalhe despercebido uma letra fora do lugar ou um domínio ligeiramente diferente pode resultar em prejuízos financeiros significativos e no roubo de informações sensíveis, como números de cartão de crédito e senhas bancárias.

Especialistas em segurança digital alertam que a atenção aos detalhes é a principal arma contra esse tipo de crime. Antes de concluir uma compra, é fundamental verificar o endereço eletrônico completo, confirmar a presença do “cadeado” de segurança no navegador e evitar clicar em links enviados por mensagens ou redes sociais. O ideal é digitar manualmente o endereço do site ou acessá-lo por meio de buscadores confiáveis.

Outra recomendação importante é desconfiar de promoções que prometem descontos muito acima da média do mercado. Sites falsos costumam usar preços excessivamente baixos como isca para atrair vítimas. Além disso, consumidores devem evitar realizar pagamentos por PIX ou boleto quando o site não oferece outras opções. O uso de cartão de crédito, especialmente com sistemas de pagamento intermediários, oferece maior segurança e permite contestar a transação em caso de fraude.

Nos casos em que o site solicita novamente o login e a senha, mesmo que o navegador costume preencher esses dados automaticamente, é importante interromper o acesso imediatamente. Essa é uma das táticas usadas para capturar informações de usuários que já fizeram compras anteriormente em lojas legítimas.

Do lado das empresas, especialistas destacam que é essencial reforçar as camadas de segurança digital. A adoção de sistemas de verificação em duas etapas, autenticação por SMS ou reconhecimento facial pode evitar a clonagem de sites e proteger tanto a marca quanto os consumidores. A demora de alguns segundos a mais no processo de autenticação representa uma barreira importante contra tentativas de invasão e falsificação.

Outro golpe recorrente neste período é a chamada “maquiagem de preço”. Algumas lojas aumentam o valor dos produtos semanas antes da Black Friday e, no dia da promoção, reduzem os preços ao valor original, criando uma falsa sensação de desconto. Para evitar cair nessa armadilha, recomenda-se monitorar o preço do produto com antecedência e usar comparadores de preços online que registram o histórico de valores.

Especialistas em defesa do consumidor alertam ainda que a euforia das promoções pode levar a compras por impulso e ao endividamento. A recomendação é planejar as aquisições com antecedência, definir um limite de gastos e resistir a ofertas que pareçam urgentes demais.

Em caso de arrependimento, o Código de Defesa do Consumidor assegura o direito de devolução em compras feitas pela internet dentro de sete dias, com reembolso total do valor pago, incluindo o frete. Nas compras presenciais, o direito de troca depende da política de cada loja.

A Black Friday é um período de oportunidades reais, mas também um terreno fértil para a ação de criminosos digitais. A prevenção começa com a informação e a cautela. Confirmar a veracidade dos sites, desconfiar de descontos exagerados e priorizar meios de pagamento seguros são atitudes essenciais para garantir que a economia prometida pela data não se transforme em prejuízo e dor de cabeça.

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