Mato Grosso do Sul, 4 de junho de 2026
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Manejo de dejetos na pecuária avança como alternativa decisiva para reduzir emissões de metano

Guia apresentado na COP 30 detalha caminhos tecnológicos, econômicos e ambientais para transformar resíduos da produção animal em energia limpa, fertilizante e renda adicional
Imagem - Giro do Boi
Imagem - Giro do Boi

A discussão sobre a responsabilidade climática do setor agropecuário ganhou uma nova dimensão com a apresentação, na COP 30, em Belém, de um guia técnico dedicado ao manejo de dejetos da produção animal. O documento, elaborado por instituições ligadas à ciência, à agricultura e à inovação, reafirma que a mitigação do metano depende menos de ações futuristas e mais de práticas imediatas, eficientes e economicamente viáveis para diferentes perfis de produtores. Com linguagem objetiva, o guia propõe transformar resíduos historicamente tratados como passivo ambiental em fonte de energia, insumo agrícola e oportunidade de inclusão produtiva.

O texto parte de um diagnóstico simples: a pecuária brasileira é um pilar econômico, emprega milhões de trabalhadores e abastece mercados internacionais, mas também carrega significativa responsabilidade nas emissões de metano. Ao detalhar os tipos de emissão, o guia deixa claro que os problemas não se restringem ao processo digestivo dos animais, mas também ao tratamento precário dos dejetos. É justamente nesse ponto que os especialistas identificam a intervenção mais estratégica, por oferecer resultados de curto prazo e impactos diretos na redução de gases de efeito estufa.

A apresentação destacou que parte expressiva das emissões provém de sistemas intensivos, especialmente a suinocultura e a produção de leite bovino, onde a concentração de animais facilita tanto o acúmulo de dejetos quanto a adoção de tecnologias de coleta e tratamento. Esses sistemas, tradicionalmente vistos como problemáticos, tornam-se alvos prioritários para implantação de biodigestores, estações de compostagem, sistemas de recuperação energética e modelos de gestão integrada que unam produtores, técnicos e governos.

O guia também evidencia que o manejo sustentável dos dejetos é mais do que um mecanismo de mitigação. Ele pode gerar energia elétrica ou biometano, reduzir a dependência de fertilizantes químicos, melhorar a qualidade do solo, diminuir odores e contaminação hídrica, além de criar novas fontes de renda para propriedades familiares e grandes empreendimentos. Esse encadeamento de benefícios coloca o tema no centro das discussões sobre transição ecológica no setor agropecuário.

Durante o evento, especialistas apresentaram exemplos de iniciativas em funcionamento em diferentes regiões do país, destacando propriedades que já utilizam biodigestores para abastecer instalações, gerar créditos de carbono e até fornecer energia excedente à rede. O material ressalta que a experiência acumulada em mais de uma década com programas governamentais de agricultura de baixa emissão oferece base sólida para ampliar ações e compartilhar soluções com países que enfrentam desafios semelhantes em zonas rurais.

A elaboração do guia parte de quatro etapas consideradas essenciais. A primeira envolve a identificação de dados confiáveis a partir de levantamentos de produção, inventários de emissões e sistemas de monitoramento contínuo. Em seguida, recomenda-se o mapeamento das cadeias produtivas e das espécies com maior potencial de emissão, identificando regiões críticas e padrões de manejo. A terceira etapa cruza essas informações com práticas produtivas intensivas e extensivas, permitindo adaptar as soluções tecnológicas à realidade de cada território. Por fim, o documento propõe a projeção energética dos resíduos, traduzindo o volume de dejetos em potencial de geração de biogás, biometano e eletricidade.

Outro ponto destacado na apresentação é a necessidade de ampliar investimentos em pesquisa, educação técnica e inovação científica para permitir que pequenos produtores tenham acesso às mesmas oportunidades dadas aos grandes. A implementação de políticas públicas permanentes, linhas de crédito compatíveis com a capacidade de pagamento e sistemas simplificados de licenciamento são citados como pilares indispensáveis para superar entraves históricos.

A discussão também aborda os riscos de inação. Segundo os especialistas que participaram do encontro, a negligência no manejo dos dejetos compromete a água, o solo, a saúde humana e a produtividade, além de fragilizar a imagem internacional da agropecuária brasileira. Em um cenário de exigências crescentes dos mercados externos, não adotar tecnologias de mitigação representa perda de competitividade e de credibilidade ambiental.

Ao final da apresentação, as instituições responsáveis reforçaram que a adoção dessas práticas depende da união de governos, produtores, pesquisadores e setores industriais. O interesse da comunidade internacional em conhecer a experiência brasileira demonstra que o país possui capacidade técnica e científica para liderar soluções sustentáveis, desde que mantenha políticas consistentes e coordenadas. A mensagem transmitida é clara: enfrentar o metano exige ação imediata, planejamento integrado e entendimento de que resíduos não são obstáculo, mas oportunidade de transformação produtiva.

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