Mato Grosso do Sul, 4 de julho de 2026
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Lula critica Donald Trump e destaca soberania brasileira nas terras raras: “Ciumeira da China”

Presidente reforça que Brasil não será apenas exportador de minerais estratégicos e defende desenvolvimento tecnológico para garantir futuro industrial do país
Lula em Moçambique.
Imagem -  Ricardo Stuckert
Lula em Moçambique. Imagem - Ricardo Stuckert

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva utilizou parte de seu discurso no fórum empresarial realizado em Moçambique para enviar uma mensagem clara e contundente ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula criticou a postura da União Europeia e dos EUA, apontando que essas potências históricas esqueceram do potencial econômico da África e demonstram ciúmes da China, que investe de forma sistemática e estratégica no continente africano. Essa “ciumeeira” das tradicionais potências tem criado tensões geoeconômicas que colocam o Brasil em uma posição decisiva para o século XXI.

Durante o evento, Lula destacou que o Brasil não aceitará continuar limitado a ser apenas exportador das terras raras e minerais críticos. Esses elementos são insumos estratégicos para indústrias de alta tecnologia, energia limpa e fabricação de baterias, setores centrais para o futuro da economia global. “O Brasil está disposto a colaborar, mas está decidido a exigir que as empresas interessem-se em industrializar nosso país, para que possamos garantir um futuro próspero,” disse o presidente com firmeza, ressaltando a importância da soberania nacional para definir os modelos de exploração dos recursos minerais concedidos pela natureza ao país.

Além disso, Lula não poupou críticas ao governo anterior de Jair Bolsonaro, recentemente preso, responsabilizando-o pelo desmonte de instituições públicas fundamentais ao desenvolvimento, como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Petrobras e a Caixa Econômica Federal. Segundo o presidente, essa política resultou em grave comprometimento da capacidade de financiar o crescimento das empresas nacionais e o desenvolvimento da economia brasileira. “Passamos dois anos reconstruindo essas estruturas, a economia e sobretudo a credibilidade do Brasil na cena internacional,” afirmou Lula, sinalizando uma retomada equilibrada e soberana.

O presidente rememorou os impactos da fragmentação da Petrobras, citando a venda de refinarias e unidades de fertilizantes, que, no seu entendimento, prejudicaram a soberania energética do país e sua capacidade de liderar avanços tecnológicos industriais. Ele defende uma política de valorização dos recursos naturais como forma de combater a fome e a pobreza, dando ao Brasil o protagonismo no cenário global, através do desenvolvimento sustentável.

A fala de Lula revela a importância geoestratégica crescente do Brasil na disputa por minerais estratégicos em um mundo marcado por tensões comerciais e avanços rápidos em tecnologia. Detentor da segunda maior reserva mundial de terras raras, o Brasil ainda produz em escala reduzida, o que abre enormes oportunidades para investimentos em tecnologias e na construção de cadeias produtivas que gerem valor agregado localmente antes da exportação.

O presidente traça um cenário onde o Brasil atuará como um player ativo e soberano no comércio internacional, especialmente frente a grandes potências como Estados Unidos e China, defendendo sua autonomia e foco no desenvolvimento tecnológico próprio, que poderá garantir empregos qualificados e renda sustentável para seu povo.

Esta mensagem reafirma que a distribuição e o uso dos recursos minerais devem respeitar a soberania nacional e as necessidades econômicas e sociais do país, reforçando a missão do Brasil em ser protagonista do seu destino e parceiro estratégico para países com interesse similar, como Moçambique e outras nações africanas.

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