Mato Grosso do Sul, 23 de junho de 2026
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Gerson Claro condena feminicídio, reforça apoio à deputada Gleice Jane e impõe novas medidas na Alems

Em sessão tensa, presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul manifesta solidariedade à deputada Gleice Jane e promete prioridade legislativa no combate à violência contra a mulher
Gerson Claro (esq) preside sessão na Assembleia Legislativa de MS (Foto/Divulgação/ALEMS)
Gerson Claro (esq) preside sessão na Assembleia Legislativa de MS (Foto/Divulgação/ALEMS)

Em meio à sequência de episódios violentos que marcaram as últimas semanas em Mato Grosso do Sul, o presidente da Assembleia Legislativa, deputado Gerson Claro, subiu à tribuna para expressar o repúdio da Casa aos índices de feminicídio e para declarar apoio público à deputada Gleice Jane, alvo recente de ameaças nas redes sociais. A fala ocorreu em sessão plenária e trouxe à pauta a urgência de ações concretas e integradas entre poderes para enfrentar a violência de gênero.

A sessão que começou com rotina parlamentar transformou-se rapidamente em um espaço de cobrança e emoção quando Gerson Claro tomou a palavra. O deputado descreveu o sentimento de indignação e vergonha que acompanha cada nova notícia sobre feminicídio e sublinhou que a Assembleia não pode limitar-se às palavras. Segundo ele, a instituição tem a responsabilidade de articular respostas legislativas e fiscalizatórias, bem como de apoiar iniciativas que ampliem proteção às vítimas e prevenção aos agressores.

Gerson Claro ressaltou a ocorrência do 38º caso de feminicídio no estado, registrado dias após a mobilização nacional Mulheres Vivas, e usou o fato como argumento para acelerar propostas já em tramitação. Ele afirmou que a Casa trabalhará em conjunto com órgãos de segurança pública e com instâncias de proteção social para garantir que medidas anunciadas saiam do papel e cheguem com rapidez às mulheres em situação de risco. Houve ênfase no reforço de políticas públicas que articulam atendimento emergencial, acompanhamento psicológico e acompanhamento jurídico.

O presidente da Assembleia mencionou a delegação de novas atribuições às unidades de proteção à mulher e a revisão de protocolos de atendimento, bem como a necessidade de recursos para a Casa da Mulher e programas de acolhimento. Gerson Claro declarou que a Alems deverá priorizar a tramitação de projetos que fortalecam a rede de proteção, incluindo a previsão de mecanismos de controle mais rígidos para execução de medidas protetivas e agilidade na tramitação administrativa de denúncias.

Em paralelo ao repúdio público, Gerson Claro demonstrou solidariedade institucional à deputada Gleice Jane. Ele destacou que ameaças e ataques misóginos contra parlamentares são um ataque à democracia e à livre atuação política. A declaração foi acompanhada por manifestações de apoio de outros parlamentares presentes na sessão, reforçando a necessidade de proteção de quem ocupa espaço público e defende políticas de direitos humanos.

A fala do presidente também trouxe apontamentos sobre prevenção. Ele enfatizou que a educação e a cultura de respeito são ferramentas centrais para reduzir a violência de gênero a médio e longo prazo. Entre as ações sugeridas estão a ampliação de programas nas escolas sobre igualdade de gênero, campanhas permanentes de conscientização pública e formação continuada para profissionais que atuam no atendimento às vítimas, como servidores públicos, policiais e profissionais de saúde.

Do ponto de vista operacional, Gerson Claro anunciou a intenção de convocar autoridades dos poderes Executivo e Judiciário para uma reunião ampliada na Alems com o objetivo de mapear lacunas no sistema de proteção e definir um cronograma de ação. A agenda prevista inclui a revisão dos fluxos de atuação entre delegacias especializadas, Ministério Público e serviços de assistência social, além do fortalecimento das equipes responsáveis por monitoramento de medidas protetivas.

A mobilização parlamentar deve se estender à proposição de emendas orçamentárias para aumentar a capacidade de abrigamento e apoio psicossocial. A Assembleia também avaliará alterações legislativas que facilitem a inscrição de denúncias on-line com resposta mais célere, e medidas que aumentem a responsabilização de agressões virtuais que instiguem ou ameacem mulheres, contemplando mecanismos de retirada imediata de conteúdos que atentem contra a integridade das vítimas.

As reações nas galerias e nas redes sociais foram instantâneas, com grupos de ativismo feminino e movimentos sociais saudando a posição pública da Alems. Ao mesmo tempo, especialistas ouvidos por parlamentares alertam que a eficácia das medidas dependerá da coordenação interinstitucional e da destinação de recursos permanentes para que programas de prevenção e acolhimento não fiquem à mercê de decisões temporárias.

A deputada Gleice Jane, alvo das ameaças, recebeu mensagens de apoio de colegas de parlamento e de representações civis. O episódio reacendeu o debate sobre segurança de agentes públicos e sobre como proteger candidatas e parlamentares que enfrentam discursos de ódio e intimidações. A Alems, por sua vez, deve avaliar a ampliação de protocolos de segurança para parlamentares e servidores que recebam ameaças de caráter violento.

A sessão desta terça-feira deixou claro que o repúdio oficial precisa convergir com medidas práticas. A Assembleia Legislativa se comprometeu a transformar a indignação em agenda legislativa e operacional, determinando prazos e indicadores de resultado. O desafio agora é traduzir promessas em ações concretas que diminuam o número de vítimas e ampliem a sensação de segurança entre as mulheres do estado.


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